Depois de 10 anos de espera, finalmente chegou a hora de matar saudades da Terra-Média, aquele universo fantástico criado por J. R. R. Tolkien. Não, espere aí. Não somente criado, mas inteiramente mapeado, estudado, delimitado e pensado por Tolkien. O escritor inglês tinha a intenção de criar uma mitologia para a Inglaterra, e escreveu toda a trilogia "O Senhor dos Anéis", depois transformada em um clássico do cinema por Peter Jackson.
Com O Senhor dos Anéis, Peter Jackson não apenas se posicionou entre os grandes cineastas da história, como estabeleceu no cinema uma mitologia que tem um potencial de exploração quase infinito. Era apenas questão de tempo até que se fizesse a adaptação de O Hobbit. Mas Jackson e sua equipe de roteiristas - com o bem-vindo reforço de Guillermo Del Toro - fizeram muito mais e resolveram dividir o livro, que tem 19 capítulos, em três filmes. A decisão era muito arriscada, pois supostamente o material que justificasse a divisão não existia. Assim, Jackson utilizou fatos apenas mencionados por Tolkien em apêndices e notas de rodapé no livro, e os transformou em cenas vibrantes e personagens empolgantes.
Falando do filme, só posso dizer uma coisa: espetáculo. Jackson é o Spielberg de nossa geração, e sabe como poucos transformar cinema em diversão levada a sério. Em O Hobbit - Uma Jornada Inesperada (EUA, 2012), todos os avanços conquistados no cinema nesta década podem ser vistos. Cada cenário é meticulosamente planejado, e todos eles enchem os olhos do espectador. Isso sem falar nos personagens gerados por computação gráfica, como o rei dos orcs, o vilão Azog e, é claro, Gollum. O personagem vivido pelo ator Andy Serkis é um esplendor, desde sua primeira aparição, quando conhece Bilbo e perde uma competição de adivinhações, bem como o Um Anel, o "Precioso".
Porém, muito antes da cena mencionada aí em cima, muita coisa já aconteceu. Bilbo Bolseiro (Martin Freeman, da série inglesa Sherlock, nascido para o papel) é um hobbit como qualquer outro, até que é convidado por Gandalf (Ian McKellen, mandando no filme) para ajudar um grupo de 13 anões a retomar seu antigo lar, dominado pelo pavoroso dragão Smaug. Os anões são liderados por Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage, da série inglesa Strike Back), herdeiro do trono de seu povo. Inicialmente relutante, como todo hobbit deve ser quando se trata de sair de seu precioso Condado, Bilbo decide aceitar o desafio e enfrenta todo tipo de criatura, como trolls, orcs e até gigantes de pedra, além de conhecer o magnífico lar dos elfos, Valfenda - neste filme recriada em todo o seu esplendor.
Como se trata do primeiro filme de uma nova trilogia, não estranhe se o filme não acabar de fato. A intenção de Jackson em criar uma hexalogia é muito clara, já que as ligações com O Senhor dos Anéis estão muito claras para todos notarem.
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada, entretanto, não é unanimidade entre os críticos. Alguns mencionam como pontos fracos a extensa duração (169 minutos) e a impressão de que Jackson está tentando encher linguiça. A verdade é que o filme ganharia em coerência se fosse mais hermético, sem que algumas cenas se estendessem tanto, como o momento em que Bilbo e os anões enfrentam o trio de trolls famintos e estúpidos, longo demais. Apesar disso, o filme é incrivelmente divertido, sem abrir mão do respeito à obra de Tolkien e da consideração com os fãs da saga de fantasia mais espetacular da história do cinema.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012) on IMDb
É impossível ficar indiferente à realidade mostrada em Elefante Branco (Argentina/Espanha/França, 2012), novo filme de Pablo Trapero (Abutres, Leonera). Trapero é o cineasta argentino que mais se aproxima da estética cinematográfica em voga no Brasil: as histórias que abordam temas na maioria das vezes recusados pelo cinemão comercial. Seguindo esta temática, de tratar das mazelas sociais argentinas, Trapero vai pintando um quadro que mostra realidades duras de seu país, sem deixar de criar filmes com grande apelo comercial e crítico.
Em Elefante Branco novamente o diretor conta com a dupla de protagonistas de seu filme anterior, Abutres: Ricardo Darín e Martina Gusman (esposa do cineasta), mas desta vez a dupla se torna um trio, com o acréscimo do belga Jerémie Renier (O Garoto de Bicicleta). Na trama, Ricardo Darín é Julián, um padre que mora e trabalha em uma enorme favela surgida nos arredores de um imenso hospital nunca concluído e abandonado, chamado de "Elefante Branco". A favela é chamada de Cidade Oculta, lugar que já no nome expressa todo o abandono do Estado, algo comum em todas as favelas do mundo. Julián está com uma doença terminal e recruta seu velho amigo, o padre Nicolás (Renier), que trabalhava na Amazônia peruana, para ajudá-lo na paróquia e depois assumir seu lugar como titular da igreja.
Para ajudar no trabalho humanitário os padres contam com a ajuda de Luciana (Martina Gusman), uma assistente social que está às voltas com as reclamações dos moradores locais que trabalham na construção de um projeto habitacional a ser implantado na região.
Os três trabalham aconselhando jovens drogados, na tentativa de livrá-los do vício e fazê-los começar de novo. É um trabalho difícil, marcado por um número maior de fracassos do que de sucessos, mas Julián é insistente, e tem uma esperança inabalável na salvação de seus paroquianos. Apesar da presença dos padres, a favela é violenta e vive uma guerra entre duas facções rivais na briga pelo controle do tráfico de drogas.
O diretor não poupa o espectador de mostrar cadáveres ensanguentados, jovens usando drogas e situações-limite, como a cena na qual Nicolás entra no covil de uma facção para buscar o corpo do membro da outra facção e levá-lo até sua família. Trata-se, talvez, da cena mais tensa e angustiante do ano.
Inteiramente filmado em três favelas argentinas, Elefante Branco é triste, dramático e cruel. Um retrato forte de uma realidade que ninguém quer admitir, mas que existe e deve ser mostrada. Imperdível.

Elefante blanco (2012) on IMDb
Depois de transformar o Coringa em um ícone pop ainda maior que o próprio Batman em O Cavaleiro das Trevas, era difícil imaginar que Christopher Nolan conseguiria, no mínimo, igualar o feito na terceira e última parte de seu ciclo à frente do personagem, O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Devíamos ter tido mais imaginação. Isso porque este terceiro filme não somente encerra de modo épico uma trilogia magistral, como também estabelece o alicerce para uma próxima série, sem necessariamente recomeçar toda a história. A mitologia de Batman nunca mais será a mesma depois que Christopher Nolan (e seu irmão, Jonathan) reverteram todos os padrões, agradando tanto a fãs antigos como a não-iniciados, elevando o grau de responsabilidade de quem assumir a franquia daqui para a frente a limites quase inalcançáveis.
"Ele está exagerando", você pode pensar. Mas não. Mil vezes não. Acredite em mim, O Cavaleiro das Trevas Ressurge consegue pegar o que fora feito no segundo filme em termos de dramaticidade e grandeza, e simplesmente deixar tudo ainda melhor.
Pode parecer clichê (e é), mas com o elenco reunido por Nolan e o roteiro escrito a quatro mãos - com a história desenvolvida por Christopher e David S. Goyer - ficava impossível errar. Como falhar quando se tem Christian Bale, Michael Caine, Morgan Freeman, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Gary Oldman, Joseph Gordon-Levitt e Matthew Modine na folha de pagamento? Fica difícil até para Joel Schumacher!
A trama tem início oito anos depois dos eventos narrados em O Cavaleiro das Trevas. Harvey Dent é tido como um herói, enquanto a Batman é imputada a culpa por tê-lo matado. O homem-morcego, entretanto, desapareceu. Entendendo que sua tarefa já está cumprida, pois Gotham City vive um período de paz, Bruce Wayne se mantém recluso em sua mansão. Mas o surgimento de Bane e todo o mistério sobre seus planos fazem com que a volta de Batman às ruas seja novamente necessária. Em 2 horas e 40 minutos de projeção, Gotham literalmente cai. É angustiante assistir à queda da cidade, ao mesmo tempo em que ficamos na expectativa de que algo espetacular vai acontecer. E não nos frustramos. As cenas sensacionais vêm em uma velocidade vertiginosa. Anne Hathaway cria uma Mulher-Gato que não deixa saudades em Michelle Pfeiffer, e o (atenção, SPOILER!) roteiro é tão engenhoso que até o surgimento de um certo menino-prodígio é feita de maneira perfeitamente coerente.
As reviravoltas da história se encaixam com esmero, apesar de alguns fatos parecerem um tanto apressados: (MAIS SPOILER!!!) como explicar que, depois da fuga de Bruce Wayne do Poço, ele apareça tão rápido de volta a Gotham, se o cara está falido?
Detalhes assim não estragam o espetáculo, que ainda conta com Bane. Tom Hardy não decepciona no papel do mercenário (aparentemente) desprovido de sentimentos, cuja motivação reside no próprio mal. Ainda que não seja superior ao Coringa de Heath Ledger, o vilão é bem construído e foi muito bem inserido em toda a mitologia da trilogia criada por Christopher Nolan.
Aliás, uma passada nos filmes anteriores mostra que os detalhes estão todos lá, e na verdade os três filmes formam um panorama absolutamente coeso.
Resta a esperança de que o estúdio não jogue toda essa mitologia no lixo e invente um reboot. A esta altura do campeonato, qualquer um que tente reinventar Batman no cinema está fadado ao fracasso. Um fracasso monumental e épico.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) on IMDb

Laika foi o primeiro ser terrestre a viajar para o espaço. Era uma cadelinha e foi enviada pela União Soviética, com o triste destino de nunca retornar para casa. Laika, o curta animado dirigido por Avgousta Zourelidi, conta a história da heroína, desde o momento de seu recrutamento até seu desaparecimento na imensidão espacial. Tem algumas legendas em inglês, mas nada que impeça a compreensão da bela e melancólica história. Vale a pena.


O artista francês Jean Joseph Renucci cria esculturas minúsculas com objetos encontrados em nosso cotidiano, explorando possibilidades que só com muita criatividade e imaginação poderiam ser visualizadas. Um pote de creme Nivea vira pista de patinação; uma boca de fogão acesa vira um incêndio; um monte de pilhas vira o último recurso energético. Veja como é incrível:







Veja mais esculturas incríveis AQUI.

Eu não sou nordestino, embora more no nordeste há 16 anos. Nunca morei no sertão. Mas poucos filmes trouxeram o sentimento de saudades como Gonzaga - De Pai Pra Filho (Brasil, 2012) o fez. Talvez seja assim porque a trajetória do Rei do Baião não é propriedade apenas dos que nasceram no nordeste; ela pertence a todos os brasileiros. Entretanto, mesmo nas cenas localizadas no árido sertão de Exu, em Pernambuco, onde Luiz Gonzaga nasceu, a sensação que dá é que tudo aquilo é nosso, como se fosse alguma lembrança de uma vida que não é nossa, mas que ao mesmo tempo é.
Com a cinebiografia de Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha, o diretor Breno Silveira (2 Filhos de Francisco, Era Uma Vez) mais uma vez conta uma história marcante, com a diferença de que, desta vez, não há nenhuma resistência. A escolha de contar duas histórias paralelas, entretanto, mostra-se um tanto equivocada, já que a parte de Gonzaguinha, autor de "O que é, o que é" e "Sangrando", é apressada e não cria empatia com o público. Isso só acontece quando vemos o choque de gerações entre pai e filho, que viveram por muitos anos um relacionamento distante, cheio de rancor e sentimentos de separação. A cena da reconciliação é muito emocionante. Chama a atenção por ser o clímax de atuações competentes de um elenco quase inteiramente composto por desconhecidos.
Sente-se falta, contudo, da música. Não se assuste, ela está lá; a trilha sonora é ótima. Mas pelo menos o momento da criação de "Asa Branca", hino do nordestino, poderia ser mais explorado. O filme nem mesmo mostra que a música foi composta a quatro mãos, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira. Mas ainda assim fica claro que a canção mais conhecida de Gonzaga é uma espécie de retorno do compositor às suas raízes sertanejas.
A força do filme está no Gonzaga pai. Algo totalmente compreensível, pois os "causos" mais engraçados, dramáticos e impactantes pertencem a ele. Desde sua fuga de Exu, passando por sua vida no exército - e suas artimanhas para escapar da luta armada - até o começo de sua carreira no Rio de Janeiro, depois de amargar muitos fracassos e retornar às suas origens nordestinas, o filme é muito bem-sucedido.
Bons filmes são feitos assim: capazes de fazer rir e logo depois chorar. Habilidosos em entreter e fazer a gente sentir saudade de uma vida que a gente não viveu.

Gonzaga: De Pai pra Filho (2012) on IMDb
É alguma coisa que filmes de esportes fazem com a gente. Eles mexem em algum ponto no cérebro desejoso de competir, lutar e vencer (quase) sempre. Além disso, se conectam com a realidade que enfrentamos no dia a dia - não, não subimos em um octógono todos os dias, mas lidamos com desafios quase olímpicos a cada novo nascer do sol. O fato é que filmes assim mexem - e muito - com o emocional do público. É quase impossível não criar empatia com o(s) protagonista(s). É assim na maioria dos filmes do gênero. É assim também em Guerreiro (Warrior, EUA, 2011), drama de MMA - sigla para Mixed Martial Arts, ou Artes Marciais Mistas - que equivale em emoção e carga dramática ao clássico Rocky, Um Lutador, que catapultou Sylvester Stallone ao estrelato (e ao Oscar de Roteiro Original) em 1976.
Não é exagero comparar Guerreiro a Rocky. Mas acontece que o filme de Gavin O'Connor (Força Policial) é emocionante sem jamais apelar para saídas fáceis e pieguices. É claro que ajuda muito contar com um elenco competente. Nesse caso, Joel Edgerton, Tom Hardy e Nick Nolte, respectivamente os irmãos protagonistas e seu pai. O filme conta a história dos irmãos Tommy (Hardy) e Brendan Conlon (Edgerton), que vivem vidas muito diferentes, mas com uma coisa em comum: eles não se falam há anos e ambos odeiam seu pai, Paddy (Nick Nolte), um ex-boxeador em recuperação do alcoolismo que separou a família. Tommy acaba de voltar da guerra no Iraque, e pede que o pai o treine para que ele participe de um torneio milionário de MMA. Brendan é casado, tem um filho e para pagar as dívidas, cada vez maiores em um país em plena crise, divide seu dia entre lecionar matemática e lutar à noite em eventos clandestinos de MMA. Ele também resolve treinar para o mesmo evento do qual seu irmão participará, sem saber do fato.
Entre lutas, diálogos duros entre filhos e pai e entre irmãos, o drama chega ao angustiante clímax, anunciado desde os cartazes do filme, no qual os dois irmãos se enfrentarão. Tamanha é a dramaticidade do filme, que o simples fato de assumir um lugar na torcida por um dos irmãos traz um sentimento de culpa no próprio espectador. É essa ambiguidade que faz tão bem a Guerreiro, um filme de luta, drama familiar, capaz de arrebatar o coração do mais durão campeão do UFC.
Guerreiro (2011) on IMDb
Em 2074, as viagens no tempo foram inventadas e declaradas ilegais, sendo praticadas apenas pelos grandes chefões da máfia, que as utilizam para se livrar de pessoas indesejadas. Eles as enviam para o passado - mais precisamente, o ano de 2044 -, com a cabeça encapuzada, mãos e pés amarrados, para serem mortas por assassinos especialmente contratados para esse fim: os loopers. Assim que a pessoa se materializa em 2044, um desses assassinos a mata, vira o cadáver e tira barras de prata amarradas na pessoa: o pagamento pelo serviço. Neste contexto, Joseph Gordon-Levitt é Joe, um looper que tem seu contrato encerrado. O problema é que quando isto acontece, os mafiosos no futuro precisam se livrar de qualquer ligação com seus contratados, o que significa a morte para os loopers.
Acontece que o Joe do futuro é enviado para ser morto por sua contraparte do presente, e isso causa uma série de problemas do ponto de vista temporal, já que o looper não consegue matar sua versão futurista (Bruce Willis, melhor do que nunca) e passa a ser perseguido pelos chefes do crime de seu próprio tempo.
Looper: Assassinos do Futuro é um filme espetacular, com um roteiro formado por várias camadas, que aos poucos vão mostrando as motivações verdadeiras dos personagens. As reviravoltas no roteiro são muito bem colocadas, tanto que ninguém espera a entrada em cena de Emily Blunt, como a mãe de um menino decisivo na construção da trama.
Dirigido por Rian Johnson (de A Ponta de um Crime e Vigaristas), Looper tem cenas dignas do legado que Matrix deixou para os filmes de ficção científica com viés filosófico, com o uso muito bem feito das câmeras lentas e dos recursos tecnológicos. O clímax é épico, e tem um final simplesmente sensacional.
Acredite: Looper vai ficar na sua mente por um bom tempo.
Looper: Assassinos do Futuro (2012) on IMDb
Todo mundo sentiu um toque de estranheza ao assistir Carros 2, de 2011, que a Pixar pareceu ter lançado como uma espécie de compensação comercial à Disney, proprietária do estúdio. Afinal de contas, a franquia de Relâmpago McQueen e Mate é a mais lucrativa marca da Pixar, com uma lista quase infinita de produtos licenciados e presença garantida no imaginário infantil por um bom tempo. Entretanto, o filme parecia mais um amontoado de imagens ágeis, com muita aventura, explosões e um protagonismo quase que total de Mate, com um roteiro raso e personagens em excesso, com pouco ou nenhum desenvolvimento deles. O resultado foi uma crítica estupefata: ninguém pensava que a Pixar faria algo assim, tão mercadológico. Ingenuidade da parte da imprensa especializada, é claro. Apesar de não seguir as regras comuns do mercado do cinema, a Pixar precisa, sim, capitalizar em cima de suas criações, e Carros gera muito capital.
OK. Regras do mercado à parte, não há como negar que o estúdio fundado por John Lasseter e desenvolvido por Steve Jobs é um dos poucos casos em Hollywood de companhia que preza muito mais a criatividade e a originalidade do que qualquer outra coisa. Prova disso é o fato de nunca ter feito uma adaptação literária, e jamais permitir merchandising (a não ser que seja do próprio estúdio) em nenhum filme seu.
Tendo dito isso, chegamos a Valente (Brave, EUA, 2012), que lançou a primeira princesa do estúdio (e a primeira protagonista feminina também). Nada mais coerente, afinal, a "companhia-mãe" Disney, praticamente inventou as narrativas de princesas no cinema. A princesa da Pixar é Merida (voz de Kelly MacDonald, de Boardwalk Empire), uma jovem princesa de um reino nórdico, cuja mãe se esforçou a vida inteira para educar segundo os preceitos que uma nobre deve seguir. Você sabe, todo aquele protocolo comum a toda princesa, os modos à mesa, o jeito de falar, os hábitos de costura e, como não poderia deixar de ser, a preparação para um casamento arranjado.
Nada disso atrai a atenção de Merida, que desde criança sempre se interessou muito mais por arcos e flechas a agulhas e linhas de costura. Seu pai, Fergus (voz do comediante Billy Connolly), é um rei bonachão que ficou famoso por sua luta com um terrível urso, que lhe custou a perna esquerda. Por ser da maneira que é, lutadora e emancipada, a relação de Merida com a mãe não é das melhores, e depois de um sério desentendimento, ela acaba encomendando a uma bruxa um feitiço que pode alterar o destino de todo o reino.
Falar mais estraga a surpresa, que não foi revelada nem mesmo nos trailers do filme. Não serei eu a me tornar o Mr. Spoiler (de novo).
Mas vale a pena tratar de como o filme é divertido, com um roteiro (e duração) enxuto - o filme tem apenas 1h20m. Apesar de lembrar - pelo simples uso do mesmo tipo de animal como centro da trama - em alguns momentos um outro filme famoso da Disney, o roteiro engana o espectador, ao parecer previsível no começo, mas com uma interessante e inesperada reviravolta na história. Merida é uma personagem interessante e envolvente, o que faz dela uma princesa digna dos maiores clássicos Disney, e ainda acrescenta um elemento atual: o da mulher independente e capaz de resolver as coisas por conta própria, coisa que não vemos nas princesas famosas do estúdio. Além disso, os personagens dos irmãos trigêmeos de Merida são um excelente alívio cômico.
Por tudo isso, Valente é um filme que faz jus ao legado quase impecável da Pixar.
Valente (2012) on IMDb
Dirigido por Carlos Lascano e com música de Sigur Ros, A Short Love Story in Stop Motion é um belo curta de animação que mostra um casal de pássaros que escapa de um desenho a lápis de uma menininha sonhadora. São só três minutinhos, mas é um curta de uma beleza e poesia maravilhosas!


Para os fãs do mundo fantástico criado por J.R.R. Tolkien é impossível não ficar muito ansioso para que chegue logo 14 de dezembro, dia da estreia de O Hobbit - Uma Jornada Inesperada. E o novo trailer nos deixa ainda mais ansiosos.

Confira:


Ainda vai demorar - o filme só estreia em 26 de abril - mas já dá para curtir o primeiro trailer de Homem de Ferro 3, com Robert Downey Jr. de volta ao papel que o consagrou. Já dá para notar o clima mais sombrio e dramático que a série assumirá a partir deste filme (será "culpa" do sucesso de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge?).
Assista e tire você mesmo suas conclusões.


Todo mundo já deve ter desenhado umas carinhas nos próprios dedos, e até algumas animações muito boas já foram feitas usando apenas os dedos e muita imaginação. O artista Dito Von Tease também resolveu fazer arte com seus dedos, mas elevando a coisa a um nível muito maior. Ele desenha pessoas e personagens famosas, e com a ajuda de toques (sem trocadilho, por favor) digitais, deixa tudo muito legal de se ver. Confira algumas imagens abaixo e acesse o blog do artista, AQUI.







Alguns filmes têm uma capacidade quase inexplicável de tocar o público, a ponto de se tornar um inesperado e gigantesco sucesso de bilheteria e crítica. Apenas 9 semanas depois de lançado na França, Intocáveis (França, 2011) já se tornara a segunda maior bilheteria da história do país. Mundialmente, o filme já contabiliza mais de 350 milhões de dólares (a produção custou pouco mais de 10 milhões de euros, segundo o site IMDB), um fenômeno comparado a outros sucessos-surpresa da história do cinema, como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Cidade de Deus.
Tamanho êxito não é por acaso. O filme de Olivier Nakache e Eric Toledano é um triunfo narrativo como poucas vezes se viu neste século. Conta a história (inspirada em fatos reais) de Philippe (François Cluzet), um milionário que fica tetraplégico após um acidente e contrata Driss (Omar Sy), vindo do Senegal e recém-saído da prisão. A relação, a princípio estranha, vai aos poucos se firmando como uma amizade sincera, de companheirismo e total ausência de pena pela condição de Philippe. E é justamente o modo desprovido de pena como Driss trata seu patrão que conquista a simpatia do paciente e, por tabela, do público.
A empatia que o filme tem com a audiência não é pouca. Equilibrando cenas engraçadas com momentos de emoção genuína e nunca fruto de algum apelo forçado, Intocáveis consegue encontrar o tom perfeito para se tornar um daqueles filmes que podemos assistir várias vezes sem nos cansarmos. Há cenas antológicas, como a que mostra Driss fazendo a barba de Philippe e brincando com formatos hilários.
Mas tal conquista não seria tão grande se os atores não estivessem tão bem conectados. A química entre os protagonistas é simplesmente perfeita. É completamente possível acreditar naquela amizade desde a primeira cena, onde os dois conseguem enganar a polícia, já mostrando uma cumplicidade que somente melhores amigos podem ter um com o outro.
Indicado pela França para concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro, Intocáveis tem a nomeação praticamente assegurada e, conforme o andar da carruagem, a estatueta não terá outro dono. Sorry, O Palhaço.
Intocáveis (2011) on IMDb
A primeira impressão que se tem de qualquer filme de Wes Anderson é a de estranheza. Não uma estranheza desconfortável, incômoda, antes uma sensação de que algo original e belo está para ser visto. E tal sentimento surge logo nos créditos iniciais. É logo no começo que nos deparamos com a família supostamente perfeita de Suzy (a estreante Kara Hayward), vivendo em sua casa limpa, com seus três irmãos mais novos ouvindo discos enquanto seu pai (Bill Murray) arruma a mesa e sua mãe (Frances McDormand) prepara o jantar. Suzy, entretanto, encontra-se no quarto no último andar da casa, olhando com seus binóculos para longe de casa; seria uma espécie de tentativa - ou plano - de fuga?
Moonrise Kingdom (EUA, 2012), sétimo filme de Wes Anderson - o sexto com Bill Murray no elenco - é exatamente sobre uma fuga. Trata-se de um pequeno ato de rebeldia perpetrado por Suzy e seu primeiro amor, o escoteiro Sam (o também estreante Jared Gilman), que logo depois de se conhecerem passam a trocar cartas e confidenciam um ao outro suas angústias e problemas; alguns bastante comuns no começo da adolescência, outros, nem tanto: Sam é órfão e vive em uma família adotiva provisória, enquanto Suzy sofre com a incompreensão e o distanciamento dos pais. Ambos têm 12 anos e resolvem fugir. Não podem ir para muito longe, pois vivem em uma pequena ilha, mas conseguem passar algum tempo juntos antes de serem encontrados. É neste período que descobrem o amor.
A crítica tem tratado de Moonrise Kingdom como um filme sobre "a perda da inocência", e de fato assim é. Afinal de contas, a história se passa em 1965 e o filme pode ser visto como um retrato dos Estados Unidos antes de toda a revolução pela qual o país passou em 1968. É fácil relacionar a descoberta do amor pelos dois jovens protagonistas com o fim da ingenuidade americana. Mas muito antes de ser uma analogia que abrange a história de um país, o filme de Wes Anderson parece carregado de nostalgia, com experiências que o próprio diretor vivenciou em sua última infância, o que traz uma empatia muito bem vinda com o público.
Cineasta coerente com seu estilo narrativo, Anderson não tem problema algum em se manter fiel à sua linguagem visual; e nós também não. Cada cenário parece milimetricamente desenhado à mão, cada tomada parece planejada nos mínimos detalhes e até a letra dos créditos iniciais e finais remete a uma nostalgia impossível de não ser sentida. Além disso, o diretor faz questão de se cercar do melhor elenco possível: Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton, Jason Schwartzman e Bob Balaban têm atuações brilhantes em seus papéis coadjuvantes, com destaque para Willis. O ator de filmes de ação mostra uma habilidade notável de se desfazer de sua persona de "cara durão", necessária para seus blockbusters, e assumir uma fragilidade tocante, característica de seu Capitão Sharp, o único policial da ilha onde toda a trama se passa.
Moonrise Kingdom é delicado, envolvente, engraçado em alguns momentos e comovente. Tudo o que se espera de um filme de Wes Anderson.
Moonrise Kingdom (2012) on IMDb
Se ainda havia alguma dúvida, não há mais como existir. Leonardo DiCaprio é um atorzaço, daqueles capazes de atuar em qualquer papel, desde os mais simples e despretensiosos até aqueles que exigem uma preparação e uma transformação radicais. Em J. Edgar (EUA, 2011), DiCaprio acaba com qualquer ceticismo que porventura ainda houvesse em relação ao seu talento. Desde seu papel em O Despertar de um Homem, de 1993, ele se mantém em constante crescimento, no caminho para se tornar um dos maiores atores de sua geração. E dos mais bem sucedidos. Titanic foi o empurrão que ele precisava para que seu nome ficasse conhecido (aliás, cultuado obsessivamente) entre o grande público. Mas já em Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993), sua desenvoltura em um personagem complexo chamou a atenção da crítica - o que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, como ator coadjuvante.
Depois da megaprodução sobre o navio que "nem Deus afundava", seu nome passou a ser cotado para as mais diversas possibilidades, mas DiCaprio continuou se modificando a cada novo papel. Dificilmente ele repete um tipo de personagem. Basta lembrar de suas participações em A Praia, O Aviador, Gangues de Nova York, Os Infiltrados e Prenda-me se for capaz.
Mas vamos voltar a falar de J. Edgar, primeiro filme do astro com um dos grandes cineastas vivos, Clint Eastwood. Trata-se da história de J. Edgar Hoover, o homem que definiu a história norte-americana do século XX, que foi diretor do FBI desde sua fundação, por 48 anos - função que só deixou ao morrer. A biografia de Hoover desperta muita curiosidade. Afinal de contas, o homem foi o responsável por modernizar a própria ciência criminal, com a defesa do uso das técnicas de investigação utilizadas hoje. Se procurar impressões digitais em cenas de crime é coisa habitual em qualquer parte do mundo, na década de 1920 isso parecia história de ficção científica, ideia de loucos. A atuação de Hoover frente ao FBI transformou o modo de combater o crime, e definiu um século marcado por paranoias referentes aos comunistas, à guerra e ao perigo de um holocausto nuclear. 
O diretor, Clint Eastwood, não poupou seu biografado. O roteiro de Dustin Lance Black (roteirista de Milk - A Voz da Igualdade) é mordaz em sua abordagem de J. Edgar, mostrando-o como racista, intolerante e com toques fortes de xenofobia - nada que não esperamos de um homem branco americano. Se por vezes o retrato de Hoover feito por Eastwood parece um tanto complacente, isso se deve a uma espécie de compaixão expressa no filme. J. Edgar também mostra seu personagem-título como um homossexual que nunca assumiu sua condição, visto que tal atitude não seria bem vista. Não na persona que o próprio Hoover construiu para si. É a angústia por nunca se mostrar como realmente é que marca a atuação de DiCaprio, que faz um homem de aparência forte, mas com uma fragilidade conhecida apenas pelas pessoas mais próximas e íntimas de si: sua mãe (lindamente vivida por Judi Dench) e seu colega/amante, Clyde Tolson (Armie Hammer, de A Rede Social).
Não há como não destacar também o trabalho magnífico feito na maquiagem, que envelheceu os atores com muita competência, sem resvalar no ridículo (coisa comum no cinema). 
Se ainda não foi dessa vez que DiCaprio levou seu Oscar para casa - ele nem mesmo foi indicado - ao menos o ator pode dormir tranquilo, sabendo que sua carreira brilhante ainda inclui um personagem desafiador como Hoover, brilhantemente retratado por Clint Eastwood. Dá para querer mais?
J. Edgar (2011) on IMDb
Dentre todos os blockbusters prometidos para 2012, dois deles ocupavam minha imaginação e expectativa: Prometheus e a primeira parte de O Hobbit. O primeiro, que marca o retorno de Ridley Scott ao universo que ele estabeleceu em Alien - O Oitavo Passageiro (1979), desta vez para contar um prelúdio ao clássico de ficção científica. A obra original seguramente se encontra entre os maiores filmes do gênero em todos os tempos, e fez história ao unir, com muito sucesso, terror e ficção científica.
Se Alien era um terror claustrofóbico e incrivelmente tenso, este Prometheus (EUA, 2012) não fica muito para trás no suspense e no clima sombrio e grandioso. O roteiro conta a história de uma nave, a Prometheus, que viaja por trilhões de quilômetros no espaço profundo seguindo as orientações de um mapa estelar encontrado em diversos achados arqueológicos na terra. O mapa foi encontrado pelos cientistas Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Mashall-Green), e os dois conseguiram convencer o trilionário Peter Weyland (Guy Pearce) a financiar a empreitada. A chegada ao planeta longínquo guarda mistérios terríveis, que podem conduzir ao fim da humanidade, ao mesmo tempo em que fornece informações cruciais sobre a própria origem da vida.
Scott reuniu um elenco primoroso para ajudar a contar sua história: além dos três já citados, a tripulação da nave ainda conta com Charlize Theron (Terra Fria, Jovens Adultos), uma ambiciosa e enigmática agente das Empresas Weyland, que aos poucos revela as segundas intenções da companhia, Idris Elba (da série britânica Luther e o próprio Heimdall em Thor), o piloto da nave, obstinado e corajoso, e o andróide David (Michael Fassbender, o Magneto de X-Men: Primeira Classe), cujos propósitos são ocultos durante boa parte do filme.
Segredos, aliás, cercaram toda a produção antes da estreia. Os trailers apenas conseguiam aguçar a curiosidade do público, sem revelar elementos importantes da trama, como a presença de uma raça alienígena que teria sido responsável pela criação da humanidade.
Com uma atmosfera favorável - cenários grandiosos e sombrios, personagens envoltos em nuvens de mistérios, trilha sonora bem colocada - Prometheus consegue ser fascinante e inteligente, além de gerar uma discussão pós-sessão que pode perdurar por muito tempo, até que Ridley Scott decida realizar a sequência - o gancho ao final me deixou roendo as unhas.
Isso sem falar nas ligações com a série Alien, com o surgimento da raça alienígena assassina, a história da nave que a tripulação da Nostromo encontra no filme original, e os cenários que remetem àqueles desenhados em 1979. Tudo em Prometheus é grandioso, e Ridley Scott continua mostrando que, apesar de alguns altos e baixos, continua sendo mestre em fascinar o público.
Prometheus (2012) on IMDb

Depois de arrebatar o público com 2 Filhos de Francisco e não obter a bilheteria esperada com Era Uma Vez, Breno Silveira volta a usar como fonte de inspiração dois nomes importantíssimos da música popular. Trata-se da cinebiografia de Luiz Gonzaga e seu filho, Gonzaguinha. Gonzaga - De pai pra filho tem estreia marcada para 26 de outubro, mas já fará sua premiére mundial durante o Festival do Rio, em 27 de setembro.
O trailer já está no ar. Confira:

Dado o caráter coletivo que a arte cinematográfica possui, é natural que as parcerias sejam algo a destacar em tantos anos de existência do cinema. Há muitos exemplos de parcerias bem sucedidas, desde entre irmãos - os irmãos Marx, Joel e Ethan Coen - a grandes amigos, como Martin Scorsese e Robert De Niro, Frank Capra e James Stewart, entre outros grandes e memoráveis nomes.
Nas últimas duas décadas, duas parcerias surgiram e se consolidaram e, neste ano, se lançaram novamente com novos filmes. Estou falando de Tim Burton/Johnny Depp e Barry Sonnenfeld/Will Smith/Tommy Lee Jones.
Depois de sete filmes juntos com grande sucesso (Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, Sweeney Todd, Alice no País das Maravilhas, entre outros), a dupla Burton/Depp lançou Sombras da Noite (Dark Shadows, EUA, 2012), adaptação de uma série (na verdade uma novela) das décadas de 1960/70, sobre uma família envolvida com seres sobrenaturais, de vampiros a lobisomens. A premissa do filme não deixa de ser interessante: no século 18, o jovem Barnabas Collins (Johnny Depp, estranho como sempre) se envolve com uma bruxa, mas logo se apaixona por outra moça, o que acaba despertando o ódio de sua primeira amante. Para se vingar, ela evoca um feitiço que o transforma em um vampiro e leva sua amada à morte. A bruxa, Angelique (Eva Green), então o aprisiona em um caixão e o enterra. Assim ele fica, até que depois de 200 anos, é desenterrado e volta para sua família, cuja fortuna está à míngua, e sua cidade, controlada por Angelique, ainda viva e jovem, 200 anos depois. 
Algumas das melhores cenas de Sombras da Noite são as que mostram o choque de realidade vivido por Barnabas. Afinal de contas, ele é um vampiro do século 18 que de repente desperta em plena década de 1970, com todas as músicas e costumes completamente alheios ao que conhecia anteriormente. Contudo, apesar de haver algum bom humor negro, o filme de Tim Burton em momento algum captura a atenção do espectador. Para que um filme seja bom, é preciso haver empatia, quase uma cumplicidade entre audiência e roteiro. Isso não acontece aqui.
O que se vê é uma colagem de cenas apressadas, protagonistas nada carismáticos e uma tentativa de romance que não decola, por não haver nenhum indício que mostre um mínimo de clima entre o casal formado por Johnny Depp e Bella Heathcoate (atriz australiana vista recentemente em O Preço do Amanhã). Não que o elenco não se esforce. Eva Green ainda evoca alguma maldade em sua vilã caricata, mas nada que a coloque na galeria dos vilões memoráveis. E a presença de Chloë-Grace Moretz é interessante, exceto pela estranha reviravolta na trama protagonizada pela jovem atriz. Sem estragar a "surpresa", basta dizer que é uma dessas viradas despropositadas que os roteiristas adoram - e os diretores apoiam - e que não acrescenta em nada ao desenrolar da história.
O resultado é uma mancha no antes quase impecável currículo dos parceiros; juntamente com Alice no País das Maravilhas, este Sombras da Noite não sustenta sua trama e não cativa o espectador. A diferença é que Alice ainda tinha algum apelo junto ao público infanto-juvenil, apelo que não se repete aqui, o que se refletiu nas bilheterias: se não foi um fracasso retumbante, o filme passou longe de fazer parte do hype, não se falou a respeito dele, e quem assistiu logo depois esqueceu.

Sombras da Noite (2012) on IMDb

UMA PARCERIA QUE AINDA FUNCIONA
Mas há parcerias antigas - embora não tão antigas quanto Burton/Depp - que ainda mostram dar certo, ou melhor, que se renovam para que se confirmem como relevantes para o mercado cinematográfico. Estou falando do trio responsável pela série MIB - Homens de Preto, Barry Sonnenfeld/Will Smith/Tommy Lee Jones. Durante a produção e divulgação do terceiro filme da franquia, a pergunta que eu me fazia era se, de fato, era realmente necessário fazer mais uma aventura dos agentes ultrassecretos de controle dos alienígenas habitantes da Terra.
O segundo filme fizera sucesso nas bilheterias, mas a crítica massacrou a produção, que de fato se mostrou fraca e feita somente com o fim de capitalizar em cima da figura de Smith e do sucesso do primeiro capítulo da série.
Para que MIB - Homens de Preto 3 desse certo, era preciso uma guinada radical na história, o que acontece com a inserção de um terceiro astro: Josh Brolin. Ele aparece, não como um novo agente, mas como um K jovem, que o agente J (Will Smith) encontra ao viajar no tempo para a florida década de 1960, com o intuito de impedir que um superpoderoso ET assassine seu parceiro. Ao inserir viagem no tempo na salada de ficção científica cômica, o diretor Barry Sonnenfeld fez uma escolha muito acertada. Em parceria (outra!) com o roteirista Ethan Cohen (não é um dos irmãos Coen!), o diretor entrega uma aventura empolgante, engraçada e agitada, que ainda guarda certa ironia ao retratar a década de 60. Uma boa ironia é sempre bem-vinda. E ainda há espaço para uma pequena surpresa, que abre caminho para futuras novas sequências.
Também digna de nota é a excelente transformação de Josh Brolin em Tommy Lee Jones. Todos os maneirismos e ausência de expressões faciais do ator veterano foram perfeitamente emulados pelo ator de Onde os Fracos Não Têm Vez, mas com um toque de juventude que torna o personagem ainda mais interessante e carismático.
Eis uma parceria que ainda dá certo, mesmo que tenha havido uma derrapada feia quando Sonnenfeld e Smith decidiram fazer um western "tecno" maluco (As Loucas Aventuras de James West, alguém?) em 1999. Mas este é um pecado que ficou para trás. O que vale é o futuro, ou uma certa viagem no tempo.

MIB³ - Homens de Preto 3 (2012) on IMDb
Recentemente, assisti a dois filmes sobre os quais ainda não ouvira falar, mas acabaram por ser uma grata surpresa. Vamos a eles:

A Informante (The Whistleblower, Alemanha/Canadá, 2010) - Um drama pesado e que passa longe dos finais felizes hollywoodianos, o filme de Larysa Kondracki merece (ou seria precisa?) ser descoberto pelo grande público. Isso porque lida com um tema que pode assustar os defensores ferrenhos da honestidade da ONU em suas instâncias mais próximas com o público, neste caso a missão das Nações Unidas na Bósnia do pós-guerra. Kathy (Rachel Weisz, simplesmente brilhante) é uma policial americana que aceita um trabalho na missão de manutenção da paz no país devastado pela guerra. Suas expectativas de ajudar a mudar o mundo e ainda ser bem paga se desmoronam quando ela se depara com a cruel e assustadora realidade de uma rede de tráfico de mulheres, que conta com o apoio e a liderança dos próprios membros da força de paz, funcionários de uma empresa de segurança terceirizada, dessas que atuam em países em conflito - contratadas pelo governo americano e pela ONU. Além disso, o filme mostra a própria ONU fingindo ignorância em relação ao assunto. Trata-se de um filme forte e atual, com muita relevância para a discussão de temas como as políticas de intervenção estrangeira em países em guerra. Realista e envolvente.

O Menino de Ouro (Foster, Inglaterra, 2011) - Este é um daqueles filmes feitos com o único propósito de causar aquela sensação agradável no espectador. A história é previsível e seu fim já fica quase inteiramente óbvio nos primeiros minutos de projeção, mas ainda assim ficamos interessados em ver o filme até o fim, especialmente por causa da linda atuação do menino Maurice Cole. O ator-mirim é Eli, um órfão que vive em um lar de adoção. O lugar é visitado por um casal que passou por uma terrível perda - vivido por Toni Collette (O Sexto Sentido e a série United States of Tara) e Ioan Gruffud (o Sr. Fantástico de Quarteto Fantástico) - e eles se candidatam como prováveis pais adotivos. Mas estranhamente, Eli aparece na porta do casal no dia seguinte, afirmando ter sido enviado pela administradora do lar de adoção. Eli é um menino graciosamente precoce: prefere as notícias da CNN a qualquer desenho animado, usa terno, gravata e chapéu como traje favorito, fala de assuntos de gente grande como se fosse um adulto e ainda assim é extremamente encantador. Não é preciso pensar muito, nem ser grande conhecedor de cinema para adivinhar que Eli irá mudar a vida do casal, ajudando a curar as feridas emocionais dos dois, colaborando para reerguer a falida fábrica de brinquedos do marido e levando alegria a todos que encontrar. Mesmo assim é impossível tirar o olho da tela, tamanho o controle que Maurice Cole tem do público. Dirigido por Jonathan Newman (que refilma seu curta homônimo de 2005), O Menino de Ouro é, sim, candidato-mor a reprises na Sessão da Tarde, mas a graça de seu protagonista é ainda capaz de provocar risos e lágrimas em alta velocidade.
As Aventuras de Pi (Life of Pi), adaptação cinematográfica do romance premiado com o Pulitzer de Yann Martel, acaba de ganhar seu primeiro trailer completo. O filme é o primeiro em 3D dirigido por Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain, Hulk) e trata-se de uma fantasia sobre o herói do título, que logo após um naufrágio se vê em um bote salva-vidas em alto mar ao lado de um enorme tigre de bengala. Os dois acabam desenvolvendo uma inusitada amizade.
O cuidado com o visual do filme é algo que chama a atenção e, a partir do trailer, podemos dizer que a trama passará longe do tédio que se espera a partir da sinopse.
O estudante indiano Suraj Sharma ganhou o papel de Pi depois de vencer uma disputa com mais de 3 mil concorrentes. O elenco ainda conta com o francês Gerard Depardieu, o indiano Irrfan Khan (Quem Quer Ser um Milionário, Homem-Aranha) e Tobey Maguire, como o jornalista que entrevista Pi depois de adulto.
O roteiro foi adaptado por David Magee (Em busca da Terra do Nunca), as filmagens aconteceram na Índia e em Taiwan e todos os animais do filmes foram criados em computação gráfica, o que promete algumas indicações ao Oscar. Pelo que vemos no trailer, é possível acreditar em algumas estatuetas nas mãos de Ang Lee. Pode crer, o trailer é de arrepiar! Confira:


As Aventuras de Pi estreia no Brasil em 25 de dezembro.
Sam Raimi, diretor da trilogia Homem-Aranha, volta a dirigir superproduções de fantasia neste prelúdio de O Mágico de Oz, produzido pela Disney. O filme conta a história de Oscar Diggs (James Franco), um mágico de circo sem muita ética, que é transportado do Kansas para a terra mágica de Oz, onde acha que tirou a sorte grande, ao fazer todos acreditarem que é um feiticeiro poderoso. Mas ele encontra três bruxas, Theodora (Mila Kunis), Evanora (Rachel Weisz) e Glinda (Michelle Williams), que desconfiam de seus poderes. Na jornada para provar seu valor, Oscar torna-se um homem melhor.

O filme estreia em 8 de março de 2013.






Veja o teaser trailer:


David Habben é um ilustrador americano com um porfólio amplo e muito variado, que faz um belo trabalho nesta série denominada "Formas da Consciência" (Shapes of Conscious), na qual desafia sua criatividade, na qual ele começa desenhando uma forma simples, sem um propósito inicial em mente. Assim que a forma fica pronta, ele a preenche com vários personagens que contam histórias variadas. "A ideia", diz Habben, "é sair do meu próprio jeito, permitir que o desenho se desenvolva sem forçá-lo a uma narrativa ou propósito desejado". Eis parte do resultado. A série completa você confere no site do artista, clicando AQUI.

A forma inicial
A partir da forma, vêm os desenhos. Um verdadeiro desafio à criatividade!