Para os fãs do mundo fantástico criado por J.R.R. Tolkien é impossível não ficar muito ansioso para que chegue logo 14 de dezembro, dia da estreia de O Hobbit - Uma Jornada Inesperada. E o novo trailer nos deixa ainda mais ansiosos.

Confira:


Ainda vai demorar - o filme só estreia em 26 de abril - mas já dá para curtir o primeiro trailer de Homem de Ferro 3, com Robert Downey Jr. de volta ao papel que o consagrou. Já dá para notar o clima mais sombrio e dramático que a série assumirá a partir deste filme (será "culpa" do sucesso de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge?).
Assista e tire você mesmo suas conclusões.


Todo mundo já deve ter desenhado umas carinhas nos próprios dedos, e até algumas animações muito boas já foram feitas usando apenas os dedos e muita imaginação. O artista Dito Von Tease também resolveu fazer arte com seus dedos, mas elevando a coisa a um nível muito maior. Ele desenha pessoas e personagens famosas, e com a ajuda de toques (sem trocadilho, por favor) digitais, deixa tudo muito legal de se ver. Confira algumas imagens abaixo e acesse o blog do artista, AQUI.







Alguns filmes têm uma capacidade quase inexplicável de tocar o público, a ponto de se tornar um inesperado e gigantesco sucesso de bilheteria e crítica. Apenas 9 semanas depois de lançado na França, Intocáveis (França, 2011) já se tornara a segunda maior bilheteria da história do país. Mundialmente, o filme já contabiliza mais de 350 milhões de dólares (a produção custou pouco mais de 10 milhões de euros, segundo o site IMDB), um fenômeno comparado a outros sucessos-surpresa da história do cinema, como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Cidade de Deus.
Tamanho êxito não é por acaso. O filme de Olivier Nakache e Eric Toledano é um triunfo narrativo como poucas vezes se viu neste século. Conta a história (inspirada em fatos reais) de Philippe (François Cluzet), um milionário que fica tetraplégico após um acidente e contrata Driss (Omar Sy), vindo do Senegal e recém-saído da prisão. A relação, a princípio estranha, vai aos poucos se firmando como uma amizade sincera, de companheirismo e total ausência de pena pela condição de Philippe. E é justamente o modo desprovido de pena como Driss trata seu patrão que conquista a simpatia do paciente e, por tabela, do público.
A empatia que o filme tem com a audiência não é pouca. Equilibrando cenas engraçadas com momentos de emoção genuína e nunca fruto de algum apelo forçado, Intocáveis consegue encontrar o tom perfeito para se tornar um daqueles filmes que podemos assistir várias vezes sem nos cansarmos. Há cenas antológicas, como a que mostra Driss fazendo a barba de Philippe e brincando com formatos hilários.
Mas tal conquista não seria tão grande se os atores não estivessem tão bem conectados. A química entre os protagonistas é simplesmente perfeita. É completamente possível acreditar naquela amizade desde a primeira cena, onde os dois conseguem enganar a polícia, já mostrando uma cumplicidade que somente melhores amigos podem ter um com o outro.
Indicado pela França para concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro, Intocáveis tem a nomeação praticamente assegurada e, conforme o andar da carruagem, a estatueta não terá outro dono. Sorry, O Palhaço.
Intocáveis (2011) on IMDb
A primeira impressão que se tem de qualquer filme de Wes Anderson é a de estranheza. Não uma estranheza desconfortável, incômoda, antes uma sensação de que algo original e belo está para ser visto. E tal sentimento surge logo nos créditos iniciais. É logo no começo que nos deparamos com a família supostamente perfeita de Suzy (a estreante Kara Hayward), vivendo em sua casa limpa, com seus três irmãos mais novos ouvindo discos enquanto seu pai (Bill Murray) arruma a mesa e sua mãe (Frances McDormand) prepara o jantar. Suzy, entretanto, encontra-se no quarto no último andar da casa, olhando com seus binóculos para longe de casa; seria uma espécie de tentativa - ou plano - de fuga?
Moonrise Kingdom (EUA, 2012), sétimo filme de Wes Anderson - o sexto com Bill Murray no elenco - é exatamente sobre uma fuga. Trata-se de um pequeno ato de rebeldia perpetrado por Suzy e seu primeiro amor, o escoteiro Sam (o também estreante Jared Gilman), que logo depois de se conhecerem passam a trocar cartas e confidenciam um ao outro suas angústias e problemas; alguns bastante comuns no começo da adolescência, outros, nem tanto: Sam é órfão e vive em uma família adotiva provisória, enquanto Suzy sofre com a incompreensão e o distanciamento dos pais. Ambos têm 12 anos e resolvem fugir. Não podem ir para muito longe, pois vivem em uma pequena ilha, mas conseguem passar algum tempo juntos antes de serem encontrados. É neste período que descobrem o amor.
A crítica tem tratado de Moonrise Kingdom como um filme sobre "a perda da inocência", e de fato assim é. Afinal de contas, a história se passa em 1965 e o filme pode ser visto como um retrato dos Estados Unidos antes de toda a revolução pela qual o país passou em 1968. É fácil relacionar a descoberta do amor pelos dois jovens protagonistas com o fim da ingenuidade americana. Mas muito antes de ser uma analogia que abrange a história de um país, o filme de Wes Anderson parece carregado de nostalgia, com experiências que o próprio diretor vivenciou em sua última infância, o que traz uma empatia muito bem vinda com o público.
Cineasta coerente com seu estilo narrativo, Anderson não tem problema algum em se manter fiel à sua linguagem visual; e nós também não. Cada cenário parece milimetricamente desenhado à mão, cada tomada parece planejada nos mínimos detalhes e até a letra dos créditos iniciais e finais remete a uma nostalgia impossível de não ser sentida. Além disso, o diretor faz questão de se cercar do melhor elenco possível: Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton, Jason Schwartzman e Bob Balaban têm atuações brilhantes em seus papéis coadjuvantes, com destaque para Willis. O ator de filmes de ação mostra uma habilidade notável de se desfazer de sua persona de "cara durão", necessária para seus blockbusters, e assumir uma fragilidade tocante, característica de seu Capitão Sharp, o único policial da ilha onde toda a trama se passa.
Moonrise Kingdom é delicado, envolvente, engraçado em alguns momentos e comovente. Tudo o que se espera de um filme de Wes Anderson.
Moonrise Kingdom (2012) on IMDb
Se ainda havia alguma dúvida, não há mais como existir. Leonardo DiCaprio é um atorzaço, daqueles capazes de atuar em qualquer papel, desde os mais simples e despretensiosos até aqueles que exigem uma preparação e uma transformação radicais. Em J. Edgar (EUA, 2011), DiCaprio acaba com qualquer ceticismo que porventura ainda houvesse em relação ao seu talento. Desde seu papel em O Despertar de um Homem, de 1993, ele se mantém em constante crescimento, no caminho para se tornar um dos maiores atores de sua geração. E dos mais bem sucedidos. Titanic foi o empurrão que ele precisava para que seu nome ficasse conhecido (aliás, cultuado obsessivamente) entre o grande público. Mas já em Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993), sua desenvoltura em um personagem complexo chamou a atenção da crítica - o que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, como ator coadjuvante.
Depois da megaprodução sobre o navio que "nem Deus afundava", seu nome passou a ser cotado para as mais diversas possibilidades, mas DiCaprio continuou se modificando a cada novo papel. Dificilmente ele repete um tipo de personagem. Basta lembrar de suas participações em A Praia, O Aviador, Gangues de Nova York, Os Infiltrados e Prenda-me se for capaz.
Mas vamos voltar a falar de J. Edgar, primeiro filme do astro com um dos grandes cineastas vivos, Clint Eastwood. Trata-se da história de J. Edgar Hoover, o homem que definiu a história norte-americana do século XX, que foi diretor do FBI desde sua fundação, por 48 anos - função que só deixou ao morrer. A biografia de Hoover desperta muita curiosidade. Afinal de contas, o homem foi o responsável por modernizar a própria ciência criminal, com a defesa do uso das técnicas de investigação utilizadas hoje. Se procurar impressões digitais em cenas de crime é coisa habitual em qualquer parte do mundo, na década de 1920 isso parecia história de ficção científica, ideia de loucos. A atuação de Hoover frente ao FBI transformou o modo de combater o crime, e definiu um século marcado por paranoias referentes aos comunistas, à guerra e ao perigo de um holocausto nuclear. 
O diretor, Clint Eastwood, não poupou seu biografado. O roteiro de Dustin Lance Black (roteirista de Milk - A Voz da Igualdade) é mordaz em sua abordagem de J. Edgar, mostrando-o como racista, intolerante e com toques fortes de xenofobia - nada que não esperamos de um homem branco americano. Se por vezes o retrato de Hoover feito por Eastwood parece um tanto complacente, isso se deve a uma espécie de compaixão expressa no filme. J. Edgar também mostra seu personagem-título como um homossexual que nunca assumiu sua condição, visto que tal atitude não seria bem vista. Não na persona que o próprio Hoover construiu para si. É a angústia por nunca se mostrar como realmente é que marca a atuação de DiCaprio, que faz um homem de aparência forte, mas com uma fragilidade conhecida apenas pelas pessoas mais próximas e íntimas de si: sua mãe (lindamente vivida por Judi Dench) e seu colega/amante, Clyde Tolson (Armie Hammer, de A Rede Social).
Não há como não destacar também o trabalho magnífico feito na maquiagem, que envelheceu os atores com muita competência, sem resvalar no ridículo (coisa comum no cinema). 
Se ainda não foi dessa vez que DiCaprio levou seu Oscar para casa - ele nem mesmo foi indicado - ao menos o ator pode dormir tranquilo, sabendo que sua carreira brilhante ainda inclui um personagem desafiador como Hoover, brilhantemente retratado por Clint Eastwood. Dá para querer mais?
J. Edgar (2011) on IMDb