Melhor Filme: Argo, de Ben Affleck

Melhor Direção: Ang Lee, por As Aventuras de Pi

Melhor Atriz: Jennifer Lawrence, por O Lado Bom da Vida

Melhor Ator: Daniel Day-Lewis, por Lincoln

Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, por Django Livre

Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway, por Os Miseráveis


Melhor Roteiro Adaptado: Argo

Melhor Roteiro Original: Django  Livre

Melhor Fotografia: As Aventuras de Pi

Melhores Efeitos Visuais: As Aventuras de Pi

Melhor Figurino: Anna Karenina

Melhor Maquiagem: Os Miseráveis


Melhor Curta de Animação: Paperman

Melhor Longa de Animação: Valente


Melhor Curta-Metragem: Curfew

Melhor Documentário Curta-Metragem: Inocente

Melhor Documentário: Searching for Sugarman

Melhor Filme Estrangeiro: Amor, de Michael Haneke, Áustria

Melhor Mixagem de Som: Os Miseráveis

Melhor Edição de Som: 007 - Operação Skyfall e A Hora Mais Escura

Melhor Edição: Argo

Melhor Direção de Arte: Lincoln

Melhor Trilha Sonora: As Aventuras de Pi

Melhor Canção Original: "Skyfall", de Adele e Paul Epworth (007 - Operação Skyfall)

É impossível resistir ao trailer de Colegas, filme de Marcelo Galvão (Cinema, Aspirina e Urubus) que estreia em 1º de março no Brasil. Trata-se de uma comédia protagonizada por portadores de síndrome de Down, três jovens que vivem as mais diversas aventuras para realizar seus sonhos. O filme já rodou o mundo em festivais e tem sido aplaudido por onde passa. É, talvez, a maior chance de um filme brasileiro conquistar uma indicação ao Oscar depois de Central do Brasil. Assista ao trailer e depois confira o vídeo da campanha #VEMSEANPENN, que convida o ator de Sobre Meninos e Lobos e Milk - A Voz da Igualdade para vir ao Brasil assistir à estreia do filme. Compartilhe nas redes sociais e ajude Ariel, protagonista do filme, a realizar seu sonho.





Entre os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (ou em língua não-inglesa), Expedição Kon-Tiki (Kon-Tiki, Noruega, 2012) talvez seja o que mais se aproxime de uma linguagem mais comercial, quer dizer, voltada para um bom desempenho nas bilheterias, sem descuidar do elemento artístico já contido no próprio cinema.
Kon-Tiki conta a história de como Thor Heyerdal (Pål Sverre Valheim Hagen), um lendário explorador norueguês, cruzou o Oceano Pacífico em uma rústica balsa de madeira em 1947, em um esforço para provar sua teoria, de que a Polinésia foi habitada por sulamericanos, que em tempos pré-colombianos, navegaram mais de 4.000 milhas até chegarem ao arquipélago. Juntamente com Heyerdal, outros cinco aventureiros abraçaram a causa do explorador e embarcaram em uma das jornadas mais notáveis que seres humanos jamais empreenderam. Produzido com um esmero raro em produções de baixo orçamento, o filme dos diretores Joachim Rønning e Espen Sandberg é um verdadeiro triunfo cinematográfico, capaz de encantar um público acostumado a filmes "de naufrágio" como o super-indicado As Aventuras de Pi, de Ang Lee, e a aventura à la Robinson Crusoé Náufrago, com Tom Hanks.
Para quem imagina que morrerá de tédio em cenas contemplativas de um monte de homens olhando para o horizonte enquanto não têm certeza de que chegarão ao destino programado, não há com o que se preocupar: o filme é de tirar o fôlego. Há cenas repletas de tensão, que envolvem tubarões, baleias (veja o pôster acima, que já adianta uma das cenas mais espetaculares do filme), araras, até o desafio final do grupo, que não deixam ninguém pregar o olho durante as quase duas horas de projeção.
Considerado um blockbuster em seu país de origem, Expedição Kon-Tiki é uma dessas preciosidades que não podem passar despercebidas por quem é apaixonado por cinema. A indicação ao Oscar premia um trabalho que tende a se tornar um clássico dos filmes de aventura. O mais incrível nisso tudo é que foi tudo verdade.

Em tempo: Expedição Kon-Tiki estreia no Brasil em 29 de março, segundo o IMDB.

Expedição Kon Tiki (2012) on IMDb

Premiado por onde passou, Head Over Heels é um verdadeiro primor, que consegue ser mais sensível e delicado do que Paperman. O curta conta a história de um casal que mora na mesma casa, mas ele vive no chão enquanto ela vive no teto. Aparentemente, o tempo de convivência acabou afastando um do outro. O filme foi dirigido por Timothy Reckart e tenho que admitir que passou a ser o meu favorito ao Oscar! E você, o que acha?


Dentre todos os indicados deste ano na categoria Melhor Curta de Animação, Fresh Guacamole, de Pes, é o mais criativo. Nele, é preparado o famoso prato mexicano usando objetos que vão se tornando em ingredientes. Curta aqui:


Adam and Dog, dirigido e escrito por Minkyu Lee, conta a história do primeiro cão do mundo. Em suas andanças pela terra recém-criada, ele acaba se deparando com o primeiro homem e desenvolvendo uma singela amizade. O curta animado recebeu uma indicação ao Oscar 2013 e também já levou o Annie este ano, considerado o prêmio mais importante da animação. Tem cheiro de estatueta no ar?

Não acho melhor que Paperman (curta da Disney concorrendo na mesma categoria, que você pode ver AQUI), mas tem uma mensagem interessante e conta uma história conhecida sob uma nova perspectiva. Vale a pena assistir:

A cada novo filme, a Disney Animation vai se tornando mais e mais parecida com seu estúdio irmão de companhia, a Pixar. Compreensível, já que o chefão desta é diretor-executivo daquela. John Lasseter, que dirigiu Toy Story e Carros, é o nome por trás da virada radical que a Disney vem experimentando em seus filmes animados desde Bolt - Supercão, passando por Enrolados e culminando no divertidíssimo Detona Ralph (Wreck-It Ralph, EUA, 2012), uma homenagem aos videogames de 8 bits que acabou se tornando no melhor filme baseado em games da história.
O cerne da trama não se diferencia muito daquele clássico da Pixar, Toy Story: assim que o fliperama fecha as portas, os personagens dos jogos têm seu momento de descanso e interagem entre si. A ligação entre eles é a Estação Central de Jogos, uma espécie de Central do Brasil dos games, a partir de onde pode-se chegar a quaisquer jogos. É neste universo que vive Ralph (John C. Reilly e Tiago Abravanel na versão dublada), um daqueles vilões clássicos da era 8 bits, que faz parte do jogo Fix-it Felix. Ralph trabalha destruindo um prédio todos os dias, para que Felix (Jack McBrayer, da série 30 Rock e Rafael Cortez na versão dublada) o conserte com seu martelinho mágico que conserta tudo. Cansado de fazer a mesma coisa há 30 anos, sem nunca ser reconhecido como parte essencial do jogo, Ralph decide provar a todos que é um verdadeiro herói, desses premiados com medalhas e tal. E é exatamente atrás de uma medalha que Ralph abandona seu jogo e entra em um jogo de tiro em primeira pessoa e logo depois em daqueles games de corrida de kart com cenários e personagens fofinhos. Mas as ações do vilão não ficarão sem consequências sérias, capazes de destruir todos os games para sempre.
No jogo de kart, Sugar Rush, Ralph conhece Vanellope (Sarah Silverman e Marimoon na versão dublada), uma personagem fruto de uma falha na programação do jogo; uma excluída, assim como ele. Como manda o clichê, a amizade não começa muito bem, mas vai crescendo durante o desenrolar da história.
As piadas com videogames são muito boas, embora algumas só possam ser compreendidas por adultos que viveram a era de jogos 8 bits. O uso de personagens de games famosos torna a identificação muito mais fácil. Estão em cena M. Bison e Zangief (de Street Fighter), Sonic, Pac Man e muitos outros, em momentos absolutamente hilários. Isso é legal, por fazer do filme um excelente programa para toda a família, uma tendência das animações atuais. Todo o visual de Detona Ralph é maravilhoso e o roteiro guarda algumas surpresas que tornam a experiência de assistir ao filme ainda mais agradável. Este, com certeza, vale muito a pena e deixa a disputa ao Oscar de Melhor Filme de Animação ainda mais acirrada.

Em tempo: confira os outros indicados ao prêmio AQUI.

Detona Ralph (2012) on IMDb
Poucos filmes falam de maneira tão sensível e inteligente dos imigrantes latinos vivendo ilegalmente nos Estados Unidos quanto Uma Vida Melhor (A Better Life, EUA, 2011), dirigido por Chris Weitz (Um Grande Garoto, A Bússola de Ouro).
O filme mostra a trajetória de Carlos (Demián Bichir), um jardineiro que não conhece outra vida além do trabalho duro de sol a sol em Los Angeles, tudo para sustentar seu filho Luís (José Julián) e esperar que ele tenha um futuro melhor. O garoto anda pelas ruas, pendendo em uma tênue linha entre os estudos e uma vida ligada às famigeradas gangues de jovens latinos que proliferam pelas periferias da cidade dos anjos. O relacionamento de Carlos com o filho não é dos piores - ele demonstra amar o filho imensamente - mas o pouco tempo passado em casa está lentamente afastando-o da convivência com Luís. A chance de melhorar de vida vem quando ele compra a caminhonete do antigo chefe, que voltou para o México. Com o próprio carro e as ferramentas, ele pode trabalhar por conta própria e ganhar mais dinheiro. Tudo vai bem quando algo muito ruim acontece - não, sem spoilers! - e Carlos precisa cruzar a cidade para não perder tudo o que tem.
Muito mais do que uma crítica social, Uma Vida Melhor é a história do amor de um pai por seu filho e todos os sacrifícios feitos para que se tenha a esperança de dias melhores. Chris Weitz mostra uma sensibilidade notável ao contar esta história, sem julgar em momento algum seus protagonistas e muito menos apelar para lágrimas fáceis. Se a emoção surge, é simplesmente por causa da competência do elenco e pelo roteiro, que respeita a cultura latina e mostra jovens de origem latina totalmente desconectados de sua própria cultura. A atuação de José Julián é segura e convincente; seu personagem simboliza uma geração de latinos imigrantes que não se identifica com nenhum mundo: não se considera mexicano, muito menos americano. Será uma geração perdida? Já Carlos é a representação do obstinado sonho americano, perseguido por tantos e realizado por tão poucos. Por seu trabalho memorável, Demián Bichir foi indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012, uma conquista e tanto para um talento que ainda permanecia desconhecido para o mundo.

Em tempo: Uma Vida Melhor já está disponível em DVD no Brasil e está sendo exibido nos canais Telecine.

Uma Vida Melhor (2011) on IMDb

Universidade Monstros, prelúdio da animação da Pixar Monstros S.A., ganhou seu primeiro trailer dublado. O filme conta como James Sullivan (John Goodman) e Mike Wazowski (Billy Crystal) se conheceram, ainda na universidade. O trailer tem uma porção de cenas bem engraçadas, mostrando porque a franquia é a mais hilária da Pixar. Vale a pena conferir:



Universidade Monstros estreia no Brasil em 12 de julho.
2012 foi um bom ano para reviver e reencontrar alguns personagens antigos do cinema de ação, que ganharam novas releituras, alguns sendo bem-sucedidos, outros nem tanto. Vimos novamente James Bond em cena no espetacular 007 - Operação Skyfall, já resenhado AQUI, Liam Neeson voltou no papel que surpreendeu muita gente em Busca Implacável 2, o conhecido personagem dos quadrinhos ingleses Juiz Dredd, tão maltratado na versão de 1995 estrelada por Sylvester Stallone (O Juiz, lembra?), ganhou uma espécie de versão B sem censura com Dredd e a franquia Bourne retorna com O Legado Bourne, embora sem Jason Bourne, o espião sem memória vivido por Matt Damon. É justamente sobre estes dois últimos filmes que falaremos neste post.

Dredd (EUA, Inglaterra, Índia, 2012) - Esqueça Stallone tirando o capacete de juiz o tempo todo. Sem nenhum astro no papel principal (o que impede um exibicionismo incoerente como o personagem), esta nova versão do famoso anti-herói dos quadrinhos ingleses Juiz Dredd chegou para apagar da memória qualquer lembrança do famigerado filme de 1995. Dredd mostra o juiz como ele realmente é: violento, cru, comprometido com a lei e totalmente baddass! Claramente sem muita grana no orçamento, Dredd tem todo um clima de filme B de luxo, com uma direção de arte caprichada e muito sangue jogado na tela. Talvez por causa da questão financeira, o roteiro não gasta muito tempo mostrando Mega City 1, mostrando logo no início onde a trama será ambientada: em um dos imensos prédios da cidade futurista, onde moram milhares de pessoas. O mundo futurista do juiz é um país devastado, pós-apocalíptico, onde o que restou da humanidade vive confinado em megacidades, com a violência tendo subido em níveis alarmantes. A única solução para a contenção da criminalidade é a criação dos juízes, policiais que têm poderes de juiz, júri e executor. E é durante o treinamento de campo de uma juíza novata, Anderson (Olivia Thirlby), que vemos Dredd (Karl Urban, que esteve em O Senhor dos Anéis) em ação. Os dois acabam presos dentro de um desses megaprédios, tendo a missão de desbaratar uma quadrilha responsável pelo controle do lugar e pela produção de Slo-Mo, uma droga que altera a percepção de realidade do usuário. Este fiapo de trama acaba sendo muito bem utilizado, em cenas que fazem jus à tradição do personagem. E para quem curte um bom filme de ação bem realizado, Dredd é um prato cheio.

Dredd (2012) on IMDb

O Legado Bourne (The Bourne Legacy, EUA, 2012) - Lançado sem grande alarde nos EUA, o quarto filme da franquia Bourne chegou sem seu personagem principal, vivido por Matt Damon. Em seu lugar entra Aaron Cross (Jeremy Renner, o Gavião Arqueiro de Os Vingadores), ex-Marine que entrou para os programas Treadstone e Black Briar ao mesmo tempo que Jason Bourne. Na verdade, a trama de O Legado se passa simultaneamente aos mostrados em O Ultimato Bourne, depois que os programas secretos do governo americano são expostos à opinião pública. Vendo suas carreiras em risco, os responsáveis pelos programas decidem apagar quaisquer evidências da existência destes, e para isso todos os outros agentes devem ser mortos. Aaron Cross consegue escapar da morte no Alasca e decide tentar descobrir a verdade sobre sua existência. Como companhia, ele terá a Dra. Marta Shearing (Rachel Weisz, ganhadora do Oscar por O Jardineiro Fiel), uma bem-vinda adição à mitologia da franquia. Embora tenha boas cenas de ação e uma interação interessante entre os protagonistas, O Legado ainda carece de originalidade. Especialmente se levarmos em conta todos os clichês de filmes do gênero que o diretor Tony Gilroy (Conduta de Risco) utiliza para contar sua história. Por que será que todo filme de espionagem do século XXI precisa ter uma perseguição nos telhados de alguma cidade exótica? Afora estes deslizes, O Legado é bom entretenimento e estabelece bases razoáveis para a continuidade da franquia, quem sabe com a união de Aaron Cross e Jason Bourne, em um quinto capítulo digno de nota.

O Legado Bourne (2012) on IMDb
Ang Lee é um cineasta capaz de tocar corações como poucos. Até mesmo com sua versão de Hulk o diretor mostrou sua habilidade de criar cenas de ação sem perder a sensibilidade. Depois de alguns filmes marcantes (O Segredo de Brokeback Mountain, O Tigre e o Dragão), chegou sua vez de experimentar filmar em 3D. Como foi com Martin Scorsese e seu A Invenção de Hugo Cabret, Lee prova que 3D pode ser uma ferramenta narrativa poderosa, que vai muito além de simplesmente jogar objetos na audiência.
As Aventuras de Pi (Life of Pi, EUA, 2012) é um exemplar maravilhoso do talento inegável de Lee. Em duas horas de projeção, seu filme é capaz de capturar a atenção do espectador e despertar nada além de deslumbramento em cada frame, a cada nova cena. É impossível não encher os olhos com todo o clima onírico despertado pela fotografia perfeita, em harmonia com todos os outros elementos do filme, isso inclui as atuações e o roteiro, é claro.
Pi Patel (Suraj Sharma) é um jovem criado com amor por seus pais, proprietários de um zoológico na Índia, que veem uma ótima oportunidade de garantir o futuro dos filhos na mudança do negócio para o Canadá. Para isso, eles embarcam em um navio, que naufraga de maneira misteriosa durante a viagem. Pi consegue embarcar em um bote salva-vidas e se vê sozinho, a não ser pela companhia de um orangotango, uma zebra e o majestoso (e perigoso) tigre Richard Parker. O desafio a partir daí é não somente sobreviver ao naufrágio, mas também escapar do terrível tigre em pleno alto mar.
Toda a história é contada pelo próprio Pi mais velho (Irrfhan Khan) a um escritor (Rafe Spall), que ouve todo o contexto da vida do protagonista antes do naufrágio, o que permite que o público tenha uma conexão  plena com a história, passando a se importar com o herói. Tal feito é obrigatório, se pensarmos que Pi é praticamente onipresente em cena durante todo o filme. Ang Lee, um diretor altamente sofisticado, consegue levar a história do romance de Yann Martel às telas de maneira magistral, sempre demonstrando uma confiança inabalável em seu protagonista.
Indicado a onze Oscar, incluindo Melhor Filme e Diretor, As Aventuras de Pi é um conto de sobrevivência e uma lição dura sobre amizade e como alguns dos melhores amigos que temos e teremos na vida podem surgir nos lugares mais improváveis. Imperdível.

As Aventuras de Pi (2012) on IMDb

Eric Wilson, do New York Times

  • As joias Chanel usadas por Anna Karenina no filme podem ser identificadas pelo desenho de camélia, ícone da grife francesa
    As joias Chanel usadas por Anna Karenina no filme podem ser identificadas pelo desenho de camélia, ícone da grife francesa
O choque de infidelidade entre a aristocracia russa do século 19 foi o tema de "Anna Karenina", de Tolstoy. Então, embora audaciosa, faz algum sentido que a adaptação para o cinema do diretor Joe Wright (com roteiro de Tom Stoppard) seja tão intencionalmente infiel ao livro, sem falar na moda da época. Você consegue acreditar nessa Anna? Quem ela pensa que é, ostentando todas aquelas joias Chanel antes mesmo de Coco ter nascido? Na verdade, o que os personagens principais usam nesta narrativa tem menos a ver com chapéus cossacos e de pele animal do que com um estilo próprio – inspirado principalmente na modelagem extremamente feminina da alta-costura dos anos 1950, refletindo um período diferente de promessas. Pense em Balenciaga, não em Bolshoi.   
Para Wright e sua companheira da moda, Jacqueline Durran (a figurinista indicada ao Oscar pelos filmes "Desejo e Reparação" e "Orgulho e Preconceito", ambos de Wright), o vestuário pode ser um meio eficiente de contar uma história, e esta versão é altamente estilizada. "Talvez eu tenha enfatizado exageradamente os detalhes dos anos 1950, especialmente nas roupas da Anna", disse Jacqueline, "porque queria que o público percebesse que não estávamos necessariamente fazendo uma obra de época com autenticidade". 
Os únicos figurinos que realmente chegam próximo às peças de época são os usados pelo elenco coadjuvante, ou seja, os burocratas em seus coletes e as campesinas em vestidos cinza genericamente vitorianos. O fato de Anna (Keira Knightley) e sua trupe se destacarem tanto tem um propósito. "Joe gosta de figurinos que pareçam ser de época, mas ao mesmo tempo sejam acessíveis para uma plateia moderna", disse Jacqueline. "Eles podem ver que Anna é a pessoa mais bonita na sala."
Anna de preto
No livro, a pobre Kitty, como uma jovem debutante, entende a importância do vestido preto usado por Anna Karenina em um baile no qual ambas dançam com o conde Vronsky (Aaron Taylor-Johnson). "É um dos trajes mais famosos da literatura", disse Jacqueline. "A maneira como o vestido é descrito e o motivo de ser o vestido mais perfeito para aquele dia é porque ele emoldura a beleza de Anna". Enquanto o formato da saia mostra como um vestido daquele período poderia ser, Jacqueline estudou croquis de Balenciaga e Dior dos anos 1950 para criar o corpete, fazendo com que parecesse ligeiramente deslocado. Para acentuar uma certa extravagância, Anna usa joias Chanel ao longo de todo o filme, identificáveis pelo desenho de camélias. (E antes que você se esqueça, Keira aparece – como ela mesma – em uma campanha de perfume para a marca). Também vale ressaltar que as demais pessoas no baile vestiam roupas de cores muito claras – "pastéis ácidos", como Durran as descreveu – para que o vestido preto de Keira "funcionasse visualmente, porque Anna se opõe a esta sociedade".
  • Divulgação
    Kitty (Alicia Vikander) com o vestido branco que dá ar de criança debutante à personagem
O contraponto
Como contraste visual de Anna no baile, Kitty (Alicia Vikander) usa um vestido simbolicamente branco, enfeitado com rosinhas cor-de-rosa. "Era para parecer uma criança debutante indo ao baile", disse Jacqueline. "Era uma modelagem genericamente vitoriana, com um corpete apertado e uma saia armada. Coincidentemente, esta modelagem também é a cara dos anos 1950. A vontade foi realmente mantê-la num formato de sino simples, mas levemente curto, como um contraponto à sofisticação de Anna. Mantivemos a saia mais curta para deixá-la com ar de criança". O figurino de Kitty passar por uma evolução durante o filme", conta Jacqueline. "À medida em que cresce, ela deixa de usar rosa claro, azul bebê e branco para vestir o bege champanhe quando se casa com Levin e se muda para a casa dele. A cor evolui para uma cartela muito mais sofisticada".
Vermelho, em duas
Em uma festa na noite que leva à sua submissão ao conde Vronsky, Anna vestiu vermelho. "Vermelho foi bom para aquela festa", disse Jacqueline. "Ela iria dar início de fato ao seu caso extraconjugal". Como muitos dos vestidos do filme, este era composto por duas peças. O corpete é mais curto na frente, com uma anquinha que se apoia sobre a saia estruturada. O detalhe brilhante que aparece ao longo do corpete é, na verdade, uma outra peça dos anos 1950, que Jacqueline encontrou em uma liquidação vintage e incluiu no traje final. "Tive que escondê-la, parcialmente dentro do vestido, porque mostrar muito do debrum teria sido um choque em toda a estética", disse ela. "Foi sempre uma luta descobrir como modernizar estas formas dos anos 1870".
O austero
"Os figurinos militares se aproximam dos uniformes russos, mas não são encontrados em nenhum exército específico", conta Jacqueline, ressaltando que o conde Vronsky aparece durante todo o filme em uma variedade de uniformes minimalistas (mas ainda assim muito chamativos), em tons de cinza, azul pastel ou branco, incluindo aí uma aparição muito rápida de um uniforme com extravagante detalhe dourado nos ombros. Karenin, como o marido covarde, entretanto, ganha uma imagem própria. Karenin (Jude Law) aparece mais frequentemente em figurinos sóbrios, com linhas duras e retas que refletem a personalidade do personagem ou talvez a confine. "Russos sempre amam uniformes", contou Jacqueline. "Os czares tomaram a dianteira em reduzi-los a quase nada. Os homens mais poderosos são os que menos ostentam. Karenin era tão austero, que era quase monástico".
 
  • Joel Ryan/Invision/AP
    A figurinista Jacqueline Durran posa ao lado de vestidos usados no filme "Anna Karenina", que concorre ao Oscar de melhor figurino
Tradutor: Erika Brandão e Fernanda Schimidt

Fonte: UOL Cinema
Pat é um professor que teve um surto psicótico ao encontrar sua esposa em pleno ato sexual com um professor colega de trabalho; ele surrou tanto o colega a ponto de quase o matar, e foi internado em uma instituição psiquiátrica, sendo diagnosticado com transtorno bipolar. De volta depois de seis meses internado, morando com seus pais, Pat quer provar ao mundo - e principalmente à sua esposa - que está mudado e consegue controlar seu transtorno, para se reinserir à convivência normal da sociedade. Tal objetivo fica mais difícil depois que ele conhece Tiffany, uma garota linda e misteriosa, que tem seus próprios transtornos.
Os primeiros dez minutos de O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, EUA, 2012) introduzem o personagem que, vivido por Bradley Cooper, tem potencial para se tornar cultuado até mesmo por aqueles que detratavam o ator, que se firmou depois do sucesso estrondoso da comédia Se Beber Não Case. Não que Bradley já não fosse digno de nota desde que estrelou Sem Limites e demonstrou uma capacidade dramática surpreendente. Mas é em O Lado Bom da Vida, dirigido por David O. Russel (O Vencedor, Três Reis), que o ator extrapola quaisquer expectativas e mostra todo o seu talento, desde já premiado com uma indicação ao Oscar de Melhor Ator.
A propósito, O Lado Bom da Vida foi abraçado pelo Oscar de maneira calorosa. Foram oito indicações, incluindo Melhor Filme, Diretor, Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver) e Roteiro Adaptado (escritor pelo próprio diretor a partir do romance homônimo de Matthew Quick). Dentre todos os indicados, a comédia dramática é a única com condições de levar todos os cinco prêmios principais da Academia.
As indicações são justas. Afinal de contas, esta não é uma comédia romântica comum. O que parece é que todo o elenco teve algo como uma epifania dramática, tamanha é a entrega vista em todos que aparecem em cena. Ao contrapor a loucura de Pat com a que está presente em todo o resto da sociedade, o filme reflete a famosa máxima que diz que "de perto, ninguém é normal". Além de Pat, temos Pat Sr. (Robert De Niro), um apostador compulsivo e mais supersticioso do que qualquer botafoguense doente, Ronnie (John Ortiz), o amigo que tenta disfarçar a tragédia de seu casamento gastando dinheiro a ponto de quase ir à falência, e a própria Tiffany (Jennifer Lawrence), viúva que procurou o sexo com todos em seu trabalho como uma forma de esquecer-se de sua tristeza.
Não parece ser o melhor cenário para uma comédia romântica, mas David O. Russel transforma todos estes personagens em elementos fundamentais que, além de verossímeis, são muito próximos da realidade. 
Apesar disso, há em O Lado Bom da Vida uma sensação de que já vimos isso antes, especialmente no final, altamente previsível - quem nunca viu uma cena em que o mocinho corre atrás da mocinha, que já desistiu, para declarar seu amor de forma "inesperada"? Talvez por causa disso a indicação a tantas categorias consideradas nobres do Oscar tenha causada tamanha surpresa e comoção. As indicações de Robert De Niro e Jacki Weaver, por exemplo, não se justificam - os dois não parecem ter feito nenhum esforço para cumprirem seus papéis. Ainda assim, o filme é divertido e levanta algumas questões relevantes e atuais, em meio a um mundo cada vez mais paranóico e cheio de surtos psicóticos: o fato de o personagem principal ser um professor é sintomático, se pensarmos em todas as tragédias americanas tendo escolas como cenários.
Se o final de toda essa história será no palco do Kodak Theater, com algumas estatuetas nas mãos, isso só o futuro dirá.

O Lado Bom da Vida (2012) on IMDb

Homem de Ferro 3 ganhou mais um trailer, desta vez com uma introdução hilária do próprio Tony Stark (Robert Downey Jr.). O filme mostrará o confronto do herói com o Mandarim, o maior vilão das histórias do personagem, vivido por Ben Kingsley (A Lista de Schindler, Gandhi). A estreia no Brasil acontece em 26 de abril. Até lá, siga roendo as unhas de ansiedade.