Eles marcaram seus nomes na história do cinema participando de sucessos como Matilda, Querida, Encolhi as Crianças e JurassicPark. Agora é a hora de sabermos por onde eles andam:


Jake Lloyd - Star Wars Episódio 1: A Ameaça Fantasma (1999)
Antes de interpretar o conhecido Anakin Skywalker, que depois viria a ser o temido Darth Vader, ele também estrelou ao lado de Schwarzenegger em Um Herói de Brinquedo. Depois do sucesso na franquia de George Lucas, Lloyd ainda chegou a participar de Madison, com Jim Caviezel, em 2005, mas depois optou por deixar Hollywood. O ator (péssimo, por sinal) se recusa a assistir sua participação em Star Wars até hoje.


Mara Wilson - Matilda (1996)
Eleita como uma das mais promissoras atrizes dos anos 90,  tendo atuado, além de Matilda, em Milagre na Rua 34 (1994) e Um Passe de Mágica (1997), Mara deixou de atuar em filmes, mas continua trabalhando em séries e escrevendo um blog.


Ross Bagley - Os Batutinhas (1994)
Depois de Os Batutinhas, Ross também trabalhou em Independence Day (1996). Ele continua atuando, como na série Judging Amy. Hoje, Bagley estuda cinema na Universidade da Califórnia, a UCLA.


Michael Oliver - O Pestinha (1990)
Depois do sucesso do filme, Oliver atuou apenas na sequência de O Pestinha e em Dillinger e Capone (1995).


Thomas Brodie - Simplesmente Amor (2003)
Esse não parou de trabalhar: engatilhou o sucesso de Nanny McPhee - A Babá Encantada (2005), foi o jovem Tristão em Tristão e Isolda (2006), participou da série Doctor Who em 2007, esteve também em O Garoto de Liverpool (2009) como Paul McCartney, além de ser a voz de Ferb na animação da Disney Phineas e Ferb. Além de tudo isso, o rapaz ainda é o misterioso Jojen Reed na 3ª temporada de Game of Thrones. Não é fraco não, esse garoto!


Giorgio Cantarini - A Vida é Bela (1997)
Depois de tocar corações com sua interpretação do filho de Roberto Begnini no arrebatador A Vida é Bela, Cantarini só estrelou em Gladiador (2000) como o filho de Maximus e depois fez mais dois filmes italianos. Ainda participou da versão italiana do programa Dancing With the Stars.


Ariana Richards - Jurassic Park (1993)
A atriz ainda foi perseguida por dinossauros na sequência do sucesso de Steven Spielberg, O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997), mas depois se tornou uma pintora premiada por suas obras impressionistas, embora continue atuando esporadicamente.


Amy O'Neill - Querida, Encolhi as Crianças (1989)
Ela ainda participou de Querida, Estiquei o Bebê (1992), mas depois abandonou a carreira de atriz e se juntou ao circo Girls on Stilts.


Alisan Porter - Curly Sue - A Malandrinha (1991)
Esta se tornou cantora e atua em produções como o musical Os Dez Mandamentos, além de fazer parte de uma banda. Ou seja, sumiu do mapa de vez. Uma pena, eu adorava aquela cara de sapeca que ela tinha no filme de John Hughes, com James Belushi.


Bradley Pierce - Jumanji (1995)
Depois do sucesso com Robin Williams, Pierce teve alguns papéis pequenos em séries de tevê, mas chegou a participar de Os Pequeninos (1997) e Louco Por Você (2000). Depois disso dublou algumas animações e games, como Kingdom Hearts. Curiosidade: em Chaplin (1992), Pierce fez o papel de Sidney Chaplin aos oito anos. Hoje ele cuida de seus dois filhos e trabalha como barman.


Daveigh Chase - O Chamado (2002)
Mesmo antes do terror de 2002, Chase já trabalhava com esforço em Hollywood, dublando Chihiro em A Viagem de Chihiro (2001) e também Lilo em Lilo & Stitch (2002). A atriz também foi a irmã do protagonista em Donnie Darko (2001) e sua fracassada sequência, S. Darko (2009). Esteve na série Amor Imenso, e fez participações pontuais nas séries Desaparecidos e Mercy. Ela continua atuando, e estará no filme Transference, a ser lançado este ano.


Carrie Henn - Aliens, O Resgate (1986)
O papel marcante de Newt, a menininha resgatada pela Tenente Ripley no filmaço de James Cameron, foi o único da carreira de Carrie, que ela conquistou por ser uma das únicas crianças que não sorriam durante as leituras de textos. Hoje ela é professora. Imagina as histórias que ela não tem para contar aos alunos!


Freddie Highmore - Em Busca da Terra do Nunca (2004)
Este não parou de trabalhar. Fez A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005), de Tim Burton, O Som do Coração (2007) e As Crônicas de Spiderwick (2008). Atualmente é ninguém menos que Norman Bates, na elogiada série Bates Motel.


Brian Bonsall - Cheque em Branco (1994)
Depois do sucesso no filme da Disney, o talentoso Brian só voltou a aparecer nos noticiários policiais: embriaguez ao volante, assalto, posse de entorpecentes e outros delitos. Recentemente, estava em liberdade condicional por agressão em terceiro grau. Que pena.


Saiu mais um trailer de Universidade Monstros, prelúdio da Pixar para Monstros S.A., que mostrará como Sullivan conheceu Wasowski. Confira:


O filme estreia no Brasil em 21 de junho.

Compositor: John Williams

Se você não se sente mexido pelo heroísmo do tema de John Williams para Superman, você é feito de um material mais forte do que nós - ou talvez mais fraco. Uma invocação áurea da verdade, justiça e o jeito americano, ele encapsula perfeitamente o idealismo luminoso do Grande Escoteiro Azul sem perder o espanto do garoto apaixonado pelo gibi que deu origem ao filme. No mundo complicado do final dos anos 70 - pós-Watergate, pré-Glasnost - Superman oferecia um descanso dos tons de cinza e trazia um senso de espanto de volta ao cinema, construído sobre o legado de Star Wars. Raramente um filme, ou sua trilha sonora, traduziu com tanta plenitude um slogan: você vai acreditar que um homem pode voar. Não, não você, R. Kelly.



Círculo de Fogo (Pacific Rim), o novo filme de Guillermo Del Toro (Hellboy, O Labirinto do Fauno), teve um novo trailer divulgado pelo próprio diretor. Trata-se de um vídeo que deveria ter sido exibido somente na convenção WonderCon, mas que o cineasta decidiu publicar no YouTube e deixar os fãs ainda mais empolgados com o filme.
A produção conta a história da terra sendo invadida pelos kaiju (que é o termo usado para definir os monstros gigantes do cinema japonês) e quase derrotando por completo os humanos, que criam os jaegers - robôs gigantes controlados por dentro por dois pilotos, cujas mentes ficam conectadas às máquinas. Mas a guerra está perto do fim, com os humanos sendo derrotados, até que dois heróis improváveis, um ex-piloto (Charlie Hunnam) e uma cadete inexperiente (Rinko Kikuchi), são designados para pilotar um jaeger quase obsoleto.
Veja o trailer:


Círculo de Fogo estreia no Brasil em 9 de agosto.
Estamos em pleno andamento da terceira temporada de Game of Thrones, a série da HBO que adapta os livros de George R. R. Martin, "As Crônicas de Gelo e Fogo", e é impressionante como o programa fica cada vez melhor, a cada novo episódio, com novas reviravoltas e sua dose generosa de cenas espetaculares. Dada a qualidade da série até aqui (o episódio 5, Kissed by fire, foi ao ar ontem), as projeções para o futuro são boas. Excelentes, na verdade. Sem dúvida nenhuma, afirmo com toda a segurança: Game of Thrones é a melhor série da atualidade.
Digo isso porque se trata de um programa cuja trama não é centralizada em um único núcleo de personagens, e mesmo assim consegue não se perder, nem deixar o espectador perdido em meio a tantos nomes, títulos de nobreza e elementos próprios da mitologia criada por Martin. E olha que estou falando de mais de mil personagens cujos nomes são conhecidos pelos leitores das obras originais, além de toda uma geografia, história, cultura e religiosidade que o autor desenvolveu para tornar sua obra algo ainda mais rico e denso.
Se os livros têm toda esta profundidade - e tamanho! - a série não perde neste quesito. Depois de uma segunda temporada avassaladora, com dezenas de cenas memoráveis e diálogos que parecem ter sido esculpidos em rocha de tão cuidadosos e espetaculares, as expectativas para a terceira temporada não poderiam ser mais altas. E, ao menos para mim, têm sido, até o momento, preenchidas em toda sua grandeza.
Para aqueles que ainda não viram e não tiveram contato com o mundo sombrio, cruel e magnífico de Westeros, só posso dizer uma coisa: procurem assistir e confirmem minhas palavras. É bem possível que você fique sem palavras, na verdade.
O que dizer dos personagens ambíguos da série? A cada momento eles parecem se modificar conforme as circunstâncias, tornando-se detestáveis ou adoráveis, confiantes ou covardes, vivos e logo depois, mortos. Não há nenhum personagem que tenha certeza de que permanecerá vivo até o fim de cada episódio, o que recai sobre heróis e vilões. Aliás, esse maniqueísmo é algo que, em Game of Thrones, parece existir firmado tão-somente sobre uma linha tênue, um limite quase invisível, que pode ser rompido a qualquer momento, fazendo com que odiemos um personagem que aprendemos a amar em episódios anteriores e, ao contrário, amemos alguém que odiávamos com todas as nossas forças de uma hora para a outra.
A força de Game of Thrones reside exatamente em seus personagens, e já seria o suficiente, caso a HBO fosse, digamos, uma RedeTV e não tivesse grana para efeitos especiais. Mas este não é o caso. E isso significa que as cenas de ação, luta e batalha são um espetáculo à parte, ainda que em escala reduzida - a HBO tem mais grana que a RedeTV, é claro, mas não é nenhuma Warner da vida. Os últimos três episódios  da terceira temporada mostraram isso: lutas com espadas flamejantes, dragões cuspindo fogo, exércitos de escravos em combate mortal, mãos decepadas e cabeças cortadas não permitem que se desvie a atenção nem por um segundo, muito menos que se troque de canal.
Se há um porém em Game of Thrones, um calcanhar de Aquiles, este é representado pelas cenas de sexo, que sempre pareceram muito forçadas e desnecessárias. Mas até nisso a terceira temporada mostra uma evolução muito bem-vinda: houve pouquíssimas cenas assim.
Como leitor assíduo da série literária e espectador apaixonado pela série televisiva, posso afirmar com toda certeza que qualquer um que decidir se aventurar pelas tramas passadas em Westeros, repletas de traições, paixões, guerra, gigantes, dragões, morto-vivos, fogovivo, feiticeiros, heróis, cavaleiros, escudeiros e um anão, irá se tornar um apaixonado, exatamente como eu.
Sempre que a terceira parte de uma franquia é lançada, vem a preocupação de que o filme sofra da "síndrome de Robocop 3", isso só para citar um filme número três que se revelou uma verdadeira bomba. Acredite, existem muitos por aí. Em Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, EUA, 2013) a questão é respondida, e o saldo é positivo, embora haja ressalvas.
Novamente no papel-título da aventura dos estúdios Marvel, Robert Downey Jr. mostra que ainda está em forma e incrivelmente à vontade como um Tony Stark cínico, mordaz, engraçado e com um senso de heroísmo cada vez mais apurado. A trama, inspirada no arco de histórias das HQs "Extremis", tem algumas reviravoltas bacanas e cenas de ação muito bem elaboradas, embora algumas situações pareçam um tanto forçadas e outras sejam simplesmente inexplicáveis.
Homem de Ferro 3 começa em 1999, quando Stark, um playboy inveterado, tem um affair com Maya Hansen (Rebeca Hall), uma cientista cuja pesquisa promete colaborar na regeneração de membros humanos perdidos. Corta para o presente, quando vemos um Stark diferente, mais maduro, apaixonado por Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) e inteiramente dedicado a criar novas armaduras quase ininterruptamente, um reflexo dos eventos vividos por ele em Os Vingadores, quando descobriu a existência de seres alienígenas malignos e muitíssimo poderosos. A criação do maior número possível de armaduras é a maneira encontrada por ele para enfrentar as ameaças que vêm por aí, porque ele é só "um cara numa armadura", como o próprio Tony afirma. As ameaças realmente surgem, mas não do espaço, e sim na pessoa do Mandarim (Ben Kingsley, insanamente divertido), um terrorista com alto poder bélico, que desencadeia um fato decisivo para o andamento da história: a destruição da mansão do herói em Malibu, Califórnia - que já foi vislumbrada nos trailers. Depois disso, a caçada ao terrorista passa a ser o objetivo principal de Stark, e o herói segue em uma jornada que ainda envolverá o misterioso (e perigoso) cientista Aldrich Killian (Guy Pearce) e o encontro com um garoto abandonado pelo pai.
E é nesse ponto que o filme parece perder um pouco o rumo estabelecido pelos dois filmes anteriores: a presença de um menininho legalzinho e esperto, pronto a arrancar suspiros das espectadoras mais suscetíveis. Apesar de ser uma saída, no mínimo, duvidosa, a interação entre Tony e o garoto ainda é bem divertida. Isso porque o herói não se deixa enganar pela carinha de criança carente do menino. Aliás, a própria entrada do garoto em cena é algo sem explicação. Apenas mais um ponto no roteiro que carece de mais atenção. Há outros furos em cena que não podemos colocar aqui sem entregar momentos-chave da história (nada de spoilers neste blog!). Basta destacar que em determinadas situações, personagens que deveriam ter sido mortos - isso em uma abordagem realista e verossímil - simplesmente são poupados pelos vilões, sem razão aparente.
Afora esses momentos, Homem de Ferro 3 introduz bem a Fase Dois da Marvel nos cinemas, que ainda terá este ano Thor 2 - O Mundo Sombrio, este sim, essencial para o desenvolvimento do universo cósmico da editora.

Em tempo: a cena pós-créditos é engraçada, mas em nada acrescenta à narrativa, muito menos introduz algum elemento de filmes vindouros. Então, se você preferir, pode deixar para vê-la quando o filme for lançado em DVD.

Homem de Ferro 3 (2013) on IMDb

A partir de hoje começaremos a relembrar algumas das melhores trilhas sonoras de todos os tempos, aquelas que marcaram uma geração e sobreviveram ao tempo, tornando-se eternas no coração dos apaixonados por cinema. As trilhas sonoras são a união - mais do que bem-vinda - entre cinema e música, o que torna um filme identificável com alguns acordes. Quem não se lembra de algumas dessas trilhas?
Começamos com Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, de Blake Edwards, EUA, 1961), composta por ninguém menos que Henri Mancini e Johnny Mercer, responsáveis por algumas das trilhas mais lembradas de todos os tempos.

Quando Blake Edwards convidou Henri Mancini para compor a trilha para Bonequinha de Luxo, este evitou a tendência dominante nos anos 60, a de usar canções de rock, e se voltou para acompanhamentos jazzísticos para a Holly Golightly vivida por Audrey Hepburn. A outra tirada memorável é a icônica canção Moon River, escrita pelo compositor, com letra de Johnny Mercer. "Levou um longo tempo para perceber do que se tratava Holly Golightly. Uma noite, depois da meia-noite eu ainda estava tentando. Eu não sou de beber muito, mas eu estava tomando uns goles", contou Mancini à revista Time. "E veio a mim. Eu escrevi Moon River em meia hora". Um executivo da Paramount não queria colocar a música. Os produtores - e Hepburn - lutaram para mantê-la. Ela ganhou um Oscar. Missão cumprida.

Ouça Moon River:

Sei que este guia, escrito pelo próprio Douglas Adams e transformado em infográfico pelo pessoal do Obrigado Pelos Peixes, pode parecer datado, já que o dia 21 de dezembro de 2012 já passou e o mundo não acabou. Eu acho. Mas vale a pena pelo humor irônico tradicional do autor da clássica série O Guia do Mochileiro das Galáxias!


O Sr. Hulot, tentando se localizar na loucura do mundo moderno
Quando O Mágico, animação francesa de 2010, foi lançada, ouvi falar pela primeira vez em Jacques Tati. Isso porque o filme era baseado em um roteiro de Tati, jamais filmado. Ouvi falar dele, mas ainda assim não procurei assistir a nenhum de seus cinco filmes. Três anos depois, novamente o encontro nas páginas do livro "1001 filmes para ver antes de morrer", no qual três dos seus filmes estão listados: Meu Tio (1958), As Férias do Sr. Hulot (1953) e este Playtime - Tempo de Diversão (1967). Pronto a corrigir meu erro, fui em busca desta última, que é considerada sua obra-prima. E devo admitir, quanto tempo perdi sem conhecer tão rica obra!
O diretor, ator e mímico francês possuía um raro apuro visual e a mais rara ainda habilidade de dirigir uma cena como poucos cineastas. É exatamente essa habilidade o elemento crucial a contribuir para a originalidade de Playtime. Entretanto, Playtime é menos um filme do que um verdadeiro poema visual, repleto de detalhes que enchem toda uma cena, a ponto de muita coisa ser percebida somente quando se assiste uma segunda vez, e ainda uma terceira.
Cada detalhe em cena é milimetricamente calculado em 'Playtime'
Personagem constante em sua obra, o Sr. Hulot é a peça central do filme, embora não esteja lá para contar uma história, quer dizer, uma narrativa nos moldes aos quais estamos acostumados no cinema, com começo, meio e fim, ou três atos e um fechamento com um clímax onde todos os conflitos dos personagens se resolvem. Aqui a linha narrativa não passa de um fiapo, um pretexto para Tati desfilar diante dos olhos do espectador uma crítica a um mundo cada vez mais industrializado (as semelhanças com Chaplin e seu Tempos Modernos não são coincidência), no qual não se presta muita atenção ao indivíduo, ou às pequenas coisas da vida. Neste sentido, o filme de Tati se assemelha - na temática - a O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, em sua abordagem da importância que cada um possui no universo.
Mas vamos à narrativa: Hulot chega em uma cidade futurística, passeia pelo aeroporto, vai até um prédio onde deve falar com um executivo de uma empresa, depois termina a noite em um restaurante, onde conhece uma jovem turista e por ela se encanta. Mas em Playtime o que menos importa é onde Hulot vai chegar, e sim tudo o que acontece à sua volta. A cidade, no filme de Tati, é um personagem - talvez até a protagonista da ação - que vai se mostrando aos poucos em toda sua frieza, seus prédios de arquitetura padronizada, seus chãos encerados, seus edifícios de escritórios repletos de cubículos solitários e seus cidadãos tomados por uma pressa constante. O cineasta gastou muito dinheiro para construir sua cidade praticamente inteira, com o aeroporto, o prédio de escritórios, o "museu de novidades" e ainda estradas, ruas e casas. Tudo o que está em cena pode servir como ferramenta para o andamento do filme, o que torna tudo ainda mais rico. Entretanto, Playtime foi um fracasso magistral de bilheteria, o que quase levou o diretor à falência. Tati ficou quatro anos sem dirigir e pensou em desistir de sua arte. Somente anos depois é que o filme chegou ao patamar no qual hoje se encontra. Ainda bem, porque estamos falando de uma verdadeira obra de arte.
A cena do restaurante tem 45 minutos
Em cada fotograma, detalhes são despejados e por isso o ato de assistir ao filme é mais do que simplesmente isso; é uma experiência visual apurada. Hulot, desengonçado em sua delicadeza e extrema polidez, interage com este mundo do futuro de maneira empírica, tocando nas geringonças tecnológicas, quebrando-as e se metendo em pequenas encrencas que fazem a graça da trama. Mas não espere gargalhadas aqui. Playtime é uma comédia de detalhes, que os utiliza muito mais para causar a reflexão do que para fazer rir.
Os momentos memoráveis são muitos, mas para mim destaca-se a cena em que um singelo buquê de flores campestres, oferecido por Hulot à jovem turista, é comparado a um emaranhado de postes de luz, como se a doçura do amor repentino fosse capaz de iluminar. Como eu disse, Playtime é um poema visual, eternamente marcado na história do cinema como um dos maiores filmes de todos os tempos.

Playtime - Tempo de Diversão (1967) on IMDb
Todo mundo fala mal, mas ninguém nunca vai encontrar aquele filme livre de clichês, qualquer que seja a forma. O fato é que os clichês estão aí, foram estabelecidos em tempos imemoriáveis e nunca mais saíram da cinematografia mundial. Aqui mesmo no Pop Cine Mais costumamos usar alguns dos clichês, por exemplo, quando dizemos que algum filme é "imperdível", ou que a atuação de alguém é "arrebatadora". Bem que nós tentamos, mas tem momentos que fica difícil resistir a um bom e velho clichê.
No cinema é a mesma coisa, só que numa proporção mais, digamos, gigantesca. Aqui listamos alguns dos clichês mais comuns na Sétima Arte (outro clichê, só para não repetir a palavra cinema), mas você pode sugerir outros clichês, que com certeza deixaremos de fora, afinal de contas, são tantos que é impossível lembrar de todos. Vamos aos malditos (ou não):

Corrida do amor em final de filme romântico - você sabe, aquele momento em que o cara percebe que a garota realmente o ama; o problema é que ela vai pegar um avião para, sei lá... Paris, vá lá!, onde ficará os próximos dois (ou dez) anos. Um filme inteiro para resolver a parada não basta, são necessários dez minutos de correria - pegando táxi que fica preso no trânsito, subindo na cabeça da multidão que abarrota o aeroporto, invadindo a área de embarque com toda a polícia na perseguição até conseguir alcançar a dita cuja e, somente aí, se declarar fervorosamente, diante de uma plateia apreensiva de incautos, que inevitavelmente aplaudirá quando o casal se beijar. E aí, lembrou de algum desses filmes? 
Vamos a eles: Simplesmente Amor; Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro; O Melhor Amigo da Noiva (foto); Um Lugar Chamado Notting Hill e uma porção de outros!


Perseguição no telhado - Parece que todo filme de ação depois da trilogia Bourne precisa desesperadamente de arrumar uma perseguição no telhado. E normalmente tem que ser em algum país desses exóticos, onde as casas são grudadas umas nas outras e os telhados são compartilhados, porque assim é possível fazer a correria completa, com tiroteio, exibição de dublês especializados em le parkour e muito bandido caindo de dez metros de altura, com o grande final em que o herói se safa, mas não sem alguns arranhões, pois estamos falando do cinema de ação moderno - o mocinho não é mais invencível.
E os filmes: O Legado Bourne; Missão: Impossível 3; 007 - Cassino Royale e os que você conseguir lembrar!

Ataques em Nova York - Se na Idade Média todo mundo achava que a terra era o centro do universo, nos tempos modernos parece que esta posição vem sendo ocupada por um lugar bem menor: Nova York. Na verdade, esse é um tema que dá pano para a manga, dá para escrever livros sobre o assunto! Exageros à parte, quase todo filme-catástrofe tem na Grande Maçã seu cenário principal: Armageddon, O Dia Depois de Amanhã, Impacto Profundo, Independence Day, Os Vingadores, etc. Além desses filmes de destruição em massa, muitas outras produções de ação colocam a cidade no centro das atenções: Nova York Sitiada, Duro de Matar: A Vingança, além do óbvio As Torres Gêmeas, que relata os eventos trágicos de 11 de setembro de 2001. Tirando esse último filme, o fascínio pela cidade é geral, tomando conta de uma grande quantidade de cineastas. Tudo bem que NY é linda e tal, mas já foi destruída tantas vezes que o desafio é encontrar regiões e monumentos locais que ainda não foram alvo de terroristas, alienígenas, seres extradimensionais e meteoros gigantes. Então #ficaadica: que tal escolherem outra cidade? Pode até ser uma fora dos Estados Unidos, sei lá, um lugar mais tranquilo como... Aracaju? Pensando bem, não. Seria muito brochante ver a Ponte do Imperador ser o alvo de invasores espaciais!

E aí, lembrou de algum? É só comentar que a gente publica aqui!
Filme favorito para muitas muitos cinéfilas cinéfilos românticos, a obra de Jean-Pierre Jeunet tem lugar reservado no Olimpo dos filmes inesquecíveis. A gente sabe disso logo nos primeiros - e incomuns - minutos de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, que descrevem o dia comum em que a protagonista foi concebida, em meio a acontecimentos triviais que ocorrem a todo momento. O valor dado às pequenas coisas, aliás, é a marca da cinematografia de Jeunet, que tem entre seus filme marcantes Delicatessen (1991) e Eterno Amor (2004), este último também com Audrey Tatou no papel principal. Ele também dirigiu Alien - A Ressurreição (1997) em sua única incursão em Hollywood, mas isso nós gostaríamos de esquecer.
Voltemos a Amélie. Poucos percebem, mas aqui se tem quase um filme de super-herói, apesar de Amélie ser uma heroína das emoções, uma vingadora em prol dos rejeitados, excluídos e traumatizados. Isso porque a personagem, vivida com uma candura tocante por Audrey Tatou, tem o costume de fazer todos à sua volta felizes. E tudo começa com um singelo gesto de fazer com que um homem que, quando criança, morou no mesmo apartamento de Amélie, relembre os melhores momentos de sua infância. A partir daí, Amélie sente o prazer de ver alguém ficar incrivelmente feliz e decide fazer da felicidade sua missão na vida.
O único problema nisso tudo é que todos (ou quase todos) acabam ficando felizes, menos ela mesma. A heroína vive sozinha com seu gato, e não consegue investir em um relacionamento para si própria.
Ir ao cinema nunca mais será a mesma coisa depois de Amélie
Os filmes de Jeunet prezam pela riqueza dos personagens, e pelos roteiro multifacetados, que contam várias histórias ao mesmo tempo, enquanto centraliza todas elas ao redor da trama principal. Assim, O Fabuloso Destino tem o velho "homem de vidro", o vizinho de Amélie com uma doença rara que reproduz o mesmo quadro de Renoir todos os anos; o jovem ajudante de um quitandeiro, maltratado pelo patrão, mas que tem uma sensibilidade à flor da pele; o patrão do rapaz, que recebe uma sutil - mas bem sucedida - lição da heroína; um misterioso homem que tira fotos em máquinas espalhadas pelas estações de trem de Paris; um anão de jardim, propriedade do pai de Amélie, que resolve viajar o mundo todo (só vendo o filme para entender); a vendedora de cigarros, hipocondríaca e carente. E não para por aí. Há tantos personagens e subtramas interessantes que é impossível desgrudar os olhos da tela. Amélie, com seus olhos esbugalhados em closes constantes, não permite.
Apesar de tanta riqueza de detalhes e de ser tão cativante, o filme ainda peca em uma cena que parece vir de uma comédia dos Irmãos Wayans (você sabe, As Branquelas e afins), que não preza pela verossimilhança: só em um mundo de fantasia alguém vai ter relações sexuais no banheiro de um estabelecimento público sem que isso desperte nada além de olhares espantados e cumplicidade dos clientes. Mas não há problema, afinal o filme se passa na "liberal" Paris! Outro problema do filme é se render ao velho clichê hollywoodiano, segundo o qual o casal sempre transa no primeiro encontro.
Mas estes poréns não maculam a rica experiência de assistir a O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Afinal de contas, é sempre bom ter um filme para nos lembrar de como é bom enfiar a mão em um saco cheio de grãos, ou olhar para trás no cinema e ver as reações das pessoas.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) on IMDb
Nosso 100º post no Pop Cine Mais não poderia ser melhor! Logo com um dos trailers mais aguardados por aqui! Novamente estrelado por Chris Hemworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins - e Tom Hiddleston novamente no papel de Loki - Thor 2 - O Mundo Sombrio acaba de ganhar seu primeiro trailer! Confira:


Parece que, desta vez, as cenas na Terra terão menos importância que no primeiro filme, o que é um alívio, pois o núcleo mais fraco era justamente o com os humanos. Isso também é um reflexo de como será a fase dois da Marvel no cinema, com histórias explorando o lado mais cósmico da editora.
Thor 2 - O Mundo Sombrio estreia em 8 de novembro no Brasil. E aí, já está subindo pelas paredes? Nós também!

Reino Escondido (Epic), novo filme de Chris Wedge (A Era do Gelo), é a nova empreitada da Blue Sky, o mesmo estúdio de Robôs, Horton e o Mundo dos Quem e, é claro, Rio.
Veja o trailer:


Reino Escondido estreia no Brasil em 17 de maio.
A força de Quentin Tarantino no cinema moderno não é pouca coisa. Se há cinco anos esta força era apenas relacionada à sua influência em toda uma geração de cineastas, depois de Bastardos Inglórios o poder do diretor passou a ser também nas bilheterias. O filme de guerra de 2009 arrecadou mais de 120 milhões de dólares só nos EUA, tornando-se a primeira vez que Tarantino chegava ao topo do ranking de venda de ingressos. Apesar de longo e extremamente violento, a reinvenção da Segunda Guerra Mundial do cineasta que começou a carreira como balconista de videolocadora tornou-se uma referência e um alento a quem considerava o tema ultrapassado e superestimado.
O passeio pelos gêneros - e sua consequente reinvenção embalada em forma de homenagem - continua em Django Livre (Django Unchained, EUA, 2012), no qual Tarantino - ele mesmo acabou virando sinônimo de gênero: quantas vezes já não lemos que tal filme é bem "tarantinesco"? - restabelece toda uma mitologia do gênero americano definitivo: o western. Na verdade, ao contar a história do escravo liberto transformado em pistoleiro quase imbatível em busca de vingança e redenção, o diretor faz com que o faroeste torne-se relevante para o século XXI, quase o que Clint Eastwood fizera na década de 90 com Os Imperdoáveis.
Além disso, Django Livre pode ser tido como a parte do meio de uma trilogia, aliás, como o próprio Tarantino já afirmou, na qual a história segue sendo mostrada na visão do diretor. Se em Bastardos Inglórios Brad Pitt era o líder de um batalhão de judeus caçadores de nazistas, em Django Livre Christoph Waltz é King Schultz (papel que lhe rendeu seu segundo Oscar de Ator Coadjuvante - o primeiro fora justamente por seu papel em Bastardos), um caçador de recompensas alemão, assassino frio de gente da pior espécie, que sai em busca de irmãos criminosos procurados e precisa da ajuda de Django (Jamie Foxx), um escravo que conhece os tais bandidos. 
Aos poucos vamos conhecendo a história de Django: separado de sua esposa (Kerry Washington), que foi vendida para um sádico escravista Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), fazendeiro milionário que se diverte vendo negros lutarem até a morte, e aprecia assistir cães dilacerarem escravos fugitivos. Ao saber do passado triste de seu novo amigo, Schultz resolve ajudá-lo a resgatar sua amada das mãos do vilão. A jornada será, com toda certeza, violenta e com sangue espirrando por todos os lados (e Samuel L. Jackson!).
Iconoclasta como é, Tarantino cria sua própria imagem da escravidão, e tenho que dizer, não é nada bonita. Ainda assim, o filme alterna cenas genuinamente engraçadas - a cena com Jonah Hill (Superbad - É Hoje) e Don Johnson (da série Miami Vice) e sua tropa de protomembros da Ku Klux Klan lutando para enxergar alguma coisa em suas máscaras brancas é hilária - com momentos de dramaticidade e uma violência estetizada, exageradamente criticada, pois os caçadores de nazistas do filme anterior são muito mais violentos e sanguinários. Neste sentido, Django está mais para Kill Bill do que para Bastardos.
Django Livre é um western excelente. Presta homenagem descarada aos filmes do gênero produzidos na Itália nos anos 60, chamados de western spaghetti, estrelados por Franco Nero, Clint Eastwood, Charles Bronson, Claudia Cardinalli e outros grandes astros do cinema. É divertido, sem deixar de levantar uma ótima oportunidade para reflexão sobre os terríveis erros que a humanidade já cometeu. E é Tarantino, em sua plena (e melhor) forma.

Django Livre (2012) on IMDb
A Marvel liberou o 1º cartaz de Thor 2 - O Mundo Sombrio, cujo primeiro trailer será lançado semana que vem. Veja abaixo:


Escrito por Robert Rodat (roteirista de O Resgate do Soldado Ryan) e dirigido por Alan Taylor, diretor de vários episódios de Game of Thrones, e estrelado pelo mesmo elenco do filme original, Thor 2 - O Mundo Sombrio tem estreia marcada para 8 de novembro. O primeiro trailer deve sair no dia 26 de abril, junto com a estreia de Homem de Ferro 3.

Em uma pequena cena de Terra Prometida (Promised Land, EUA/Emirados Árabes, 2012), Steve, o personagem de Matt Damon, compra uma limonada de uma menininha que promete ser seu produto de excelente qualidade. Steve prova o suco e concorda totalmente com a vendedora. Ao pagar com uma moeda de 50 centavos e se afastar para seguir seu caminho, ele ouve a pequena negociante chamá-lo, afim de devolver o troco, 25 centavos. A princípio, Steve recusa, dizendo-lhe que fique com o troco, mas ela não aceita, alegando: "A placa diz que custa 25 centavos. Então, são 25 centavos." É como se ela dissesse: "Seja justo comigo, pague somente aquilo que você comprou. É assim que você valoriza meu trabalho". O que essa cena e, aparentemente insignificante cena está dizendo é que o valor das coisas é muito importante, mas a dignidade das pessoas é ainda mais valiosa.
Comecei este texto sobre Terra Prometida com a descrição desta cena em particular (não é spoiler, não se preocupe) porque ela representa o que mais me chamou a atenção neste filme: a dignidade não tem preço.
O filme conta a história de Steve Butler (Damon, voltando a trabalhar com Gus Van Sant desde Gênio Indomável), um executivo de uma megacorporação de gás natural, recrutado para ir até uma pequena cidade interiorana convencer os moradores, microfazendeiros em sua maioria, a assinar concessões de perfuração em suas propriedade, com o fim de extrair o valioso gás natural do xisto localizado no subsolo de toda aquela região. A promessa feita aos moradores: milhares de dólares como pagamento pela concessão, sem que eles precisem mover uma palha. Sue Thomason (Frances McDormand, vencedora do Oscar por Fargo), outra executiva, o acompanha na empreitada, que deveria durar apenas alguns dias, mas sofre um sério contratempo quando a população decide estabelecer um dia para que todos votem sobre a aprovação ou não da permanência da empresa na cidade. Os dois colegas enfrentam oposições: primeiro, a de Frank Yates (Hal Holbrook, de Na Natureza Selvagem), um acadêmico aposentado que alega sérias contrariedades ambientais na proposta da empresa e convence o resto dos moradores a aceitar a votação; depois, e mais grave, a de Dustin Noble (John Krasinski, famoso pela série The Office), um ambientalista ferrenho cujo objetivo principal é o de desacreditar cada palavra que Steve e Sue propagam pela cidade, com relatos de cidades inteiras contaminadas depois de meses de perfuração. Estou falando de animais mortos, solo esterilizado e famílias empobrecidas.
Com todos os obstáculos postos diante de si, o próprio Steve começa a questionar a legitimidade de suas ações, ao mesmo tempo em que segue sua rotina, indo de porta em porta, encontrando argumentos para que mais e mais pessoas assinem os contratos de concessão.
Matt Damon em 'Terra Prometida'
A câmera de Van Sant enaltece as belas paisagens mostradas, mas não se trata de um mero cartão postal. Além disso, o cineasta quer mostrar aquilo que pode ser perdido se a ganância das corporações continuar sendo mais forte que o valor que cada indivíduo possui em si. O roteiro, escrito por Matt Damon e John Krasinski (que também produzem o filme), passa uma mensagem, mas está longe de ser uma peça publicitária ambientalista, a ponto de desenvolver os personagens de maneira a fazer com que nos importemos com eles, principalmente a ponto de fazer com que acreditemos nas mudanças de mente experimentadas pelo protagonista.
Uma curiosidade: Terra Prometida deveria ser a estreia de Matt Damon como diretor, mas problemas de agenda o impediram. Isso explica a entrega e confiança que o astro exibe em cada fotograma. Seu Steve Butler não é um louco ambicioso, com a visão do sucesso a qualquer preço - como, aliás, seria o estereótipo desse tipo de personagem. Sua atuação é serena, e enigmática. Isso porque até o momento do clímax, quando há uma pequena, porém decisiva surpresa, a gente ainda desconfia se a mudança no personagem realmente aconteceu ou estamos apenas sendo iludidos.
Mesmo sem ser um panfleto, Terra Prometida suscita a reflexão séria e racional sobre o futuro. Não o futuro do planeta, pois pensar assim parece grande demais para nós, as pessoas comuns. O futuro das cidades, das paisagens. O futuro do ser humano.

Promised Land (2012) on IMDb

Se você, como eu, se surpreendeu com Jogos Vorazes, vai querer assistir a sequência do sucesso-surpresa de 2012, Em Chamas, que dá continuidade à saga de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) depois de ter conquistado a vitória nos jogos do filme anterior. Uma rebelião contra a Capital tem início e Katniss e Peeta (Josh Hutcherson) são forçados a participar do Massacre Quaternário, uma edição especial dos Jogos Vorazes, que acontece a cada 25 anos. Para um filme que, supostamente, é o substituto de Crepúsculo, ter no elenco Phillip-Seymour Hoffman (O Mestre), Stanley Tucci (O Diabo Veste Prada), Donald Sutherland (Cowboys do Espaço) e Woody Harrelson (Zumbilândia) não é pouca coisa não. E o trailer é promissor. Confira:


Dirigido por Ron Howard (Uma Mente Brilhante, Frost/Nixon, O Código Da Vinci), Rush - No Limite da Emoção conta a história da rivalidade entre o piloto britânico James Hunt (Chris Hemsworth, o Thor em pessoa) e o piloto austríaco Nikki Lauda (Daniel Brühl, de Adeus, Lênin), na década de 70. No elenco ainda está Olivia Wilde (Tron - O Legado). O roteiro é escrito por Peter Morgan, responsável pelo texto de A Rainha e Frost/Nixon. O trailer (aqui legendado em português) parece promissor. Confira:


Rush - No Limite da Emoção estreia no Brasil em 13 de setembro.

James Hunt (Chris Hemsworth) curtindo a fama


Finalmente saiu o 1º trailer de Elysium, do diretor Neill Blomkamp (Distrito 9), que também escreveu o roteiro. O filme se passa em 2154, quando a população pobre vive na terra desolada e sem recursos básicos, enquanto os privilegiados vivem em uma estação espacial na órbita da terra, chamada de Elysium. Max (Matt Damon) trabalha em uma fábrica de policiais androides, até que sofre um acidente químico e descobre que somente em Elysium encontrará a cura. O problema é que ele não tem autorização para transitar entre a terra e a estação espacial.
Veja o trailer:

No elenco estão Jodie Foster, Alice Braga, Wagner Moura, Shalto Copley (Distrito 9) e Diego Luna. A Sony Pictures lança Elysium em 20 de setembro.

Finalmente Faroeste Caboclo ganhou seu trailer! E ainda foi divulgado o pôster da produção, que é estrelada por Ísis Valverde (que filmou quando ainda não era famosa) e Fabrício Oliveira. Os dois fazem o casal de protagonistas, Maria Lúcia e João de Santo Cristo, este último chegando em Brasília, vindo da Bahia. Ele começa a traficar drogas, mas logo se apaixona por Maria Lúcia e acaba se envolvendo em uma disputa com Jeremias (Felipe Abib), traficante rival. Mas tudo isso você já sabia, é claro. Veja o trailer:


Faroeste Caboclo é dirigido por René Sampaio, estreante em longas, e estreia em 30 de maio. E aí, ficou interessado?
Lucas (Mads Mikkelsen, da nova série Hannibal e o vilão de 007 - Cassino Royale) é um homem divorciado, boa-pinta e gente boa, apaixonado por caça - que parece ser parte da cultura dinarmaquesa - que trabalha em um jardim de infância como professor e faz-tudo, cuidando das crianças, levando os menorezinhos ao banheiro (até limpando o bumbum de alguns deles) e possuindo a completa admiração dos pequenos, bem como de seus colegas de trabalho e dos companheiros de caçadas. Sua vida começa a seguir rumos positivos, com o aparecimento de um novo amor e a boa notícia de que seu filho Marcus (Lasse Fogelstron) virá morar com ele antes do natal.
Tudo vai bem, até o momento em que Klara (Annika Wedderkopp, em uma atuação espetacular, com fragilidade e sensibilidade), filha de seu melhor amigo e sua aluna no jardim de infância, com quem tem uma aproximação maior, o acusa de ter lhe mostrado suas partes íntimas, contando a "inocente" mentira para Grethe (Susse Wold), a diretora da escola.
A partir daí, a vida de Lucas nunca mais será a mesma. A notícia se espalha e, de repente, toda a pequena cidade fica sabendo da acusação, o que acaba isolando-o do resto do mundo. Tudo está perdido.
A Caça (Jagten, Dinamarca, 2012) é um drama que não mede esforços em levar o espectador junto com Lucas em sua jornada ladeira abaixo, de uma forma frenética e ao mesmo tempo fria, quase gelada. Trata-se de uma reflexão séria sobre a maneira como vemos nossas crianças, que conforme a opinião de muitos pais, jamais seriam capazes de contar mentiras. O diretor Thomas Vinterberg (de Festa de Família, filme fundamental do movimento Dogma 95 e Dogma do Amor) não se submete a soluções simples, reviravoltas mirabolantes e outros truques de roteiro, comuns em Hollywood, por exemplo, e se mantém firme ao retratar também a frieza com que a humanidade está sempre em busca de bodes expiatórios, e como isso pode destruir muitas vidas. 
Como professor que sou há 15 anos, a experiência de ver A Caça acabou se tornando algo pessoal e particular. Isso porque acabei me colocando no lugar do protagonista, imaginando como seria se eu estivesse na mesma situação, enfrentando o mundo todo na tentativa de provar minha inocência. Tarefa difícil, pois seria a minha palavra - um adulto, cheio de pecados e falhas - contra a de uma criança, supostamente incapaz de mentir sobre algo tão sério.
A Caça questiona também a respeito dos métodos consagrados usados por psicólogos e educadores para descobrir "verdades" da vida de uma criança. Estamos falando de um filme urgente, sério e que não permite que ninguém permaneça indiferente a ele. Como o título mostra, fazendo uma alusão à cultura de caça existente naquela região da Dinamarca, é tênue a linha que separa caçadores de presas. Tênue, eu diria, e praticamente invisível.

A Caça (2012) on IMDb