Porque Game of Thrones é a melhor série da atualidade

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Estamos em pleno andamento da terceira temporada de Game of Thrones, a série da HBO que adapta os livros de George R. R. Martin, "As Crônicas de Gelo e Fogo", e é impressionante como o programa fica cada vez melhor, a cada novo episódio, com novas reviravoltas e sua dose generosa de cenas espetaculares. Dada a qualidade da série até aqui (o episódio 5, Kissed by fire, foi ao ar ontem), as projeções para o futuro são boas. Excelentes, na verdade. Sem dúvida nenhuma, afirmo com toda a segurança: Game of Thrones é a melhor série da atualidade.
Digo isso porque se trata de um programa cuja trama não é centralizada em um único núcleo de personagens, e mesmo assim consegue não se perder, nem deixar o espectador perdido em meio a tantos nomes, títulos de nobreza e elementos próprios da mitologia criada por Martin. E olha que estou falando de mais de mil personagens cujos nomes são conhecidos pelos leitores das obras originais, além de toda uma geografia, história, cultura e religiosidade que o autor desenvolveu para tornar sua obra algo ainda mais rico e denso.
Se os livros têm toda esta profundidade - e tamanho! - a série não perde neste quesito. Depois de uma segunda temporada avassaladora, com dezenas de cenas memoráveis e diálogos que parecem ter sido esculpidos em rocha de tão cuidadosos e espetaculares, as expectativas para a terceira temporada não poderiam ser mais altas. E, ao menos para mim, têm sido, até o momento, preenchidas em toda sua grandeza.
Para aqueles que ainda não viram e não tiveram contato com o mundo sombrio, cruel e magnífico de Westeros, só posso dizer uma coisa: procurem assistir e confirmem minhas palavras. É bem possível que você fique sem palavras, na verdade.
O que dizer dos personagens ambíguos da série? A cada momento eles parecem se modificar conforme as circunstâncias, tornando-se detestáveis ou adoráveis, confiantes ou covardes, vivos e logo depois, mortos. Não há nenhum personagem que tenha certeza de que permanecerá vivo até o fim de cada episódio, o que recai sobre heróis e vilões. Aliás, esse maniqueísmo é algo que, em Game of Thrones, parece existir firmado tão-somente sobre uma linha tênue, um limite quase invisível, que pode ser rompido a qualquer momento, fazendo com que odiemos um personagem que aprendemos a amar em episódios anteriores e, ao contrário, amemos alguém que odiávamos com todas as nossas forças de uma hora para a outra.
A força de Game of Thrones reside exatamente em seus personagens, e já seria o suficiente, caso a HBO fosse, digamos, uma RedeTV e não tivesse grana para efeitos especiais. Mas este não é o caso. E isso significa que as cenas de ação, luta e batalha são um espetáculo à parte, ainda que em escala reduzida - a HBO tem mais grana que a RedeTV, é claro, mas não é nenhuma Warner da vida. Os últimos três episódios  da terceira temporada mostraram isso: lutas com espadas flamejantes, dragões cuspindo fogo, exércitos de escravos em combate mortal, mãos decepadas e cabeças cortadas não permitem que se desvie a atenção nem por um segundo, muito menos que se troque de canal.
Se há um porém em Game of Thrones, um calcanhar de Aquiles, este é representado pelas cenas de sexo, que sempre pareceram muito forçadas e desnecessárias. Mas até nisso a terceira temporada mostra uma evolução muito bem-vinda: houve pouquíssimas cenas assim.
Como leitor assíduo da série literária e espectador apaixonado pela série televisiva, posso afirmar com toda certeza que qualquer um que decidir se aventurar pelas tramas passadas em Westeros, repletas de traições, paixões, guerra, gigantes, dragões, morto-vivos, fogovivo, feiticeiros, heróis, cavaleiros, escudeiros e um anão, irá se tornar um apaixonado, exatamente como eu.