O plano-sequência (uma cena longa sem cortes, com o uso de uma única câmera) de Gravidade que o diretor Alfonso Cuarón mostrou na San Diego Comic-Con 2013 já pode ser visto na internet. Trata-se de uma das cenas que já foi mostrada no trailer, mas brevemente. O vídeo abaixo mostra apenas o final do plano-sequência, e parece que Cuarón (que também dirigiu Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Filhos da Esperança) vai levar às últimas consequências seu estilo de filmar com a câmera na mão, mesmo que o filme se passe no espaço. 
Observe que não há som de explosões ou colisões no vácuo espacial, somente o rádio e a voz dos astronautas. A cena mostra o acidente que dá início à trama do filme.

Assista:



Gravidade mostra George Clooney (Onze Homens e um Segredo) como um astronauta em fim de carreira e Sandra Bullock (Um Sonho Possível) como uma astronauta iniciante. Ed Harris (O Show de Truman) é o dono da voz do contato com os dois astronautas, na base em Houston, no Texas.

O filme abrirá o 70º Festival de Veneza, em agosto deste ano. A estreia no Brasil acontece em 11 de outubro.

[ATUALIZADO às 17:02 de 24/07] A Warner divulgou um novo vídeo do filme, agora legendado. Confira:


Viva a Comic-Con 2013! São novos trailers todos os dias, com muitas novidades toda hora! Agora é a vez de Jogos Vorazes - Em Chamas ganhar seu segundo trailer. A prévia mostra uma rebelião sendo iniciada contra o governo da Capital, enquanto Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) são obrigados a participar de uma edição especial dos Jogos Vorazes, o Massacre Quaternário, que acontece a cada 25 anos.


Desta vez dirigido por Francis Lawrence (Água para Elefantes), que também dirigirá A Esperança, capítulo final da franquia, Jogos Vorazes - Em Chamas estreia no Brasil em 15 de novembro.

Uns caras lá na França imaginaram como seria o filme Se Beber, Não Case (The Hangover) com super-heróis. O resultado é um vídeo no limite da criatividade! Espetacular!


Os zumbis de The Walking Dead voltam em outubro! Depois de uma temporada com um final decepcionante para a maioria dos fãs, a expectativa é alta em torno da 4ª temporada, que promete ser mais fiel em relação aos quadrinhos, conforme declaração dos produtores da série.
Veja o trailer:


A estreia acontece nos EUA em 13 de outubro, e no Brasil, apenas dois dias depois, no Canal Fox.

Protagonizada por Ashton Kutcher, Jobs retrata a ascensão do visionário fundador da Apple, desde seus dias de hippie até seu estabelecimento como ícone do século 21. Anna O'Reilly (Histórias Cruzadas) interpreta sua esposa e Josh Gad (do musical da Broadway The Book of Mormon) faz o papel de Steve Wozniak. Confira o trailer:


Jobs estreia no Brasil em agosto.

Novamente dirigido por Carlos Saldanha, Rio 2 mostra Jade e Blu se mudando para a Amazônia para ensinar seus filhotes a viverem livremente. Veja o teaser trailer:



Rio 2 estreia em março de 2014.
Dez anos antes de encantar o mundo com sua série Downton Abbey, Julian Fellowes conquistou nada menos que um Oscar de Melhor Roteiro Original em 2001, ao escrever sobre o mesmo tema em Assassinato em Gosford Park (Gosford Park, EUA/Inglaterra/Itália, 2001), drama de costumes dirigido por Robert Altman. Mestre das narrativas recheadas por dezenas de personagens - basta lembrar de M-A-S-H e Short Cuts - Cenas da Vida - Altman realiza mais uma vez um grande trabalho neste filme, que retrata as vidas dos convidados do andar de cima e dos criados do andar de baixo, durante uma festa de caça em uma rica propriedade campestre inglesa, ocorrida em 1932.
Para os mais ávidos por filmes de mistério, o título em português pode trazer algumas decepções, uma vez que o assassinato a que se refere não é o cerne da trama, que se concentra muito mais nos relacionamentos entre aristocracia e criadagem, além de também mostrar pessoas do século 19 lutando para não entrar ainda no século 20.
Com um elenco esplêndido - Maggie Smith (Downton Abbey), Kristin Scott Thomas (O Paciente Inglês), Michael Gambon (o Dumbledore de Harry Potter), Jeremy Northam (da série The Tudors) Bob Balaban (Moonrise Kingdom), Kelly MacDonald (Boardwalk Empire), Clive Owen (Filhos da Esperança), Emily Watson (Cavalo de Guerra), Helen Mirren (A Rainha), Ryan Phillipe (Repórteres de Guerra), Stephen Fry (V de Vingança) e Derek Jacobi (O Discurso do Rei) -, o roteiro consegue equilibrar as várias histórias sem que o espectador se perca, criando um retrato de uma sociedade cheia de costumes centenários, resistindo às mudanças trazidas pelo novo século. 
Maggie Smith, por exemplo, é Constance Trentham, uma condessa viúva, cujo falecido marido não lhe deixou nenhum dinheiro, afundada em dívidas e dependente de uma pensão paga por seu sobrinho, Sir William McCordle (Michael Gambon). Sua criada, Mary (Kelly MacDonald), admira sua patroa e ainda está aprendendo o ofício, não sem ter de aturar a fina ironia da condessa. Assim Gosford Park segue, retratando uma época sem romantizá-la. Neste ponto, o filme é muito diferente de Downton Abbey: os criados não são tão recatados como na série, e os casos de patrões com empregadas são coisa comum, bem como os palavrões, pronunciados sem recato algum por quase todo mundo. Para marcar o tema do filme, Altman não fez uma única cena sem que um criado estivesse ausente. Eles sempre estão por ali, testemunhando a vida fútil e confortável de seus senhores, sem poder desfrutar de algo parecido.
Simbólico também é o fato de que, quando acontece o assassinato, parece que ninguém dá a mínima para o ocorrido, simplesmente continuando com suas vidas como se nada houvesse acontecido. Os jantares e festas continuam, mostrando uma sociedade extremamente individualista e hipócrita.
Diretor de atores como poucos, Altman estimulou o improviso durante as filmagens, deixando as câmeras mais escondidas nas cenas de jantares e conversas coletivas, tudo para tornar mais naturais as reações do elenco, conferindo um tom realista ao filme.
Sem descuidar da verossimilhança, o roteiro de Julian Fellowes dá um desfecho surpreendente à trama, coroando com precisão um tesouro do cinema moderno, algo que somente duas mentes geniais reunidas poderiam realizar. Trata-se de grande, excelente, puro cinema.

Assassinato em Gosford Park (2001) on IMDb
É difícil agrupar a obra do cineasta Danny Boyle em um único gênero. Diretor que já fez drama (Quem Quer Ser Um Milionário), filme infantil (Caiu do Céu), ficção científica (Sunshine - Alerta Solar),  comédia de humor negro (Cova Rasa) e história real de sobrevivência (127 Horas), o inglês incansável prossegue em sua carreira multifacetada e de enorme alcance com Em Transe (Trance, Inglaterra, 2013).
Tendo James McAvoy como seu protagonista, Em Transe conta a história de Simon, agente de uma casa de leilões que participa secretamente do roubo de um quadro de alto valor. Ele se junta a uma quadrilha liderada por Franck (Vincent Cassel), mas durante a ação, acaba tendo um grave ferimento na cabeça e esquece onde guardou a obra. Sem ter um prazo médico para a recuperação da memória de Simon, o grupo procura uma hipnoterapeuta, Elizabeth (Rosario Dawson), na esperança de colocar as mãos no quadro. A partir daí, a trama se desenrola por caminhos inesperados, com o envolvimento de Elizabeth no roubo e outras surpresas que só vendo mesmo para descobrir.
O que importa é a maneira como Boyle conta a história. Contando com um roteiro inteligente e memorável, escrito por Joe Ahearne e John Hodge (que já colaboraram em outros filmes do diretor, como Cova Rasa e A Praia), o diretor usa a câmera para retratar toda a confusão existente na mente de Simon, mas sem transformar o filme em uma pura alucinação. As idas e vindas na história vão montando o quebra-cabeça e abrindo espaço para o momento em que se questiona se o que está acontecendo em cena é real ou pura sugestão hipnótica.
As reviravoltas da trama servem, entre outras coisas, para fortalecer a sensação de impotência dos dois homens, Simon e Franck, perante o controle de Elizabeth. Apesar de não ser a protagonista, é ela quem centraliza todo o filme, isso porque possui o poder de vendar os olhos de todos - inclusive do espectador - para o que é verdade ou não.
Por explorar o mundo inexplorado da mente humana, Em Transe pode ser classificado como um thriller aos moldes de A Origem, só que numa abordagem mais realista e, é claro, sem o uso de quaisquer efeitos especiais a fim de atingir o objetivo principal: fazer um filme do tipo "piscou-perdeu". A depender deste blogueiro, objetivo alcançado com louvor.

Em Transe (2013) on IMDb
Quando o professor da escola primária da aldeia de Shuiquan precisa se ausentar durante um mês a fim de visitar a mãe doente, o prefeito da vila só consegue encontrar Wei Minzhi, uma adolescente de 13 anos que ainda não concluiu o ginásio e não tem qualquer experiência de ensino. A promessa feita à menina é de que ela receberá 50 yuan depois do prazo contratado, mas o professor Gao diz a ela que ele mesmo lhe pagará 10 yuan extra se nenhum aluno desistir dos estudos durante o período em que ele estiver fora. "Nenhum a menos", ele lhe diz. Depois de alguns dias cuidando dos alunos e se adaptando à dura rotina da escassez de recursos destinados à educação na área rural chinesa, um dos jovens estudantes mais pobres, Sun Zhimei, resolve ir à cidade em busca de trabalho. Determinada a cumprir a ordem do professor, Wei busca todos os meios para ir até a metrópole, cujo nome nunca é mencionado - mas pode ser qualquer grande cidade da China moderna -, procurar o menino e trazê-lo de volta à escola e à aldeia, nem que isso lhe custe a própria vida.
O diretor Zhang Yimou - que realizou alguns dos maiores filmes chineses dos últimos 20 anos, como Lanternas Vermelhas, Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Flores do Oriente - faz em Nenhum a Menos (Yi ge dou bu neng shao/Not One Less, China, 1999) um exercício cinematográfico inspirado no neo-realismo italiano, ao usar somente atores amadores no elenco. Todos os personagens são nomeados a partir dos próprios nomes dos atores e a maioria deles tem a mesma ocupação que exercem no filme. Os alunos de Wei Minzhi são estudantes do próprio vilarejo, a dona do restaurante, a balconista da papelaria e até a apresentadora de TV apenas fizeram o que fazem normalmente. Tudo isso acrescenta um tom realmente realista à obra, que ao homenagear a educação e o ofício do professor, faz também uma crítica sutil ao governo chinês, que se importa apenas com o desenvolvimento das cidades enquanto esquece dos pequenos vilarejos, entregues à própria sorte.
Simples e emocionante, Nenhum a Menos é um drama singelo, que apela aos sentimentos mais profundos do espectador. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1999, arrebatou mais de 15 prêmios internacionais, e levou junto o coração de milhões de pessoas em todo o mundo. Imperdível.

Nenhum a Menos (1999) on IMDb
Não gosto muito de me aventurar em resenhas literárias. Isso porque sempre acho que algum detalhe muito importante da minha impressão do livro durante a leitura ficou de fora. Talvez porque seja assim mesmo, nunca se consegue falar tudo sobre um livro, ainda mais em uma única resenha, em uma mera postagem de um blog. Acho que por isso não escrevo sobre todos os livros que leio, que são muitos. Mas resolvi voltar a fazê-lo depois de ler Elogio da mentira (Ed. Rocco, R$29,90, 187 págs.), terceiro livro de Patrícia Melo, que escreveu obras famosas como O matador (que virou o filme O homem do ano, com Murilo Benício) e Valsa negra. Antes de me deparar com este livro nas prateleiras da biblioteca da Universidade Federal de Sergipe, eu mesmo nunca ouvira falar a respeito dele, que foi publicado em sua 1ª edição pela editora Cia. das Letras. Boa surpresa, esta.
É possível ler Elogio da mentira de várias formas, mas acho que as duas formas mais interessantes são como um romance policial (ou a paródia de um) e como uma crítica ao mercado literário de auto-ajuda e livros exotéricos (ou ao mercado literário como um todo). O protagonista, José Guber, é um escritorzinho medíocre de romances vendidos em banca, desses que o autor inventa um pseudônimo americano e aproveita para copiar tramas de clássicos para leitores ávidos por histórias com muito sangue, sexo e clichês. Sem ideias boas para novos livros - depois de 14 obras já publicadas sob pseudônimos - José tem apenas quinze dias para entregar uma sinopse que seja aprovada por seu editor. Ele conhece Fúlvia, uma especialista em cobras, a quem consultou em busca de uma consultoria para um possível livro que escreveria, no qual o crime estaria relacionado com serpentes. Fúlvia logo o atrai, e os dois logo se apaixonam. O problema é que a mulher é casada, e vive a reclamar dos
Patrícia Melo
maus tratos sofridos nas mãos do marido. Os dois têm um relacionamento tórrido, e em meio ao convívio estão sempre conversando sobre os crimes dos livros de José, além de possíveis novos crimes. José também passa a admirar cobras e até começa a criar uma, sob influência de Fúlvia. Não demora muito até que a mulher o convença a matar o marido, o que será decisivo para a vida de José, de Fúlvia e de todos os que estão ao seu redor.
Em uma narrativa onde as falas se sucedem sem aspas ou travessões, e na qual a história de José (narrada em primeira pessoa) é interrompida regularmente com correspondências entre o protagonista e seu editor, entre ele e sua mãe e outros personagens importantes na trama. Além do conto de crime, a autora também encontra espaço para ironizar o mercado editorial, especialmente nos diálogos entre José e seu editor. Em um certo momento, debatendo uma sinopse do escritor que é rejeitada, Wilmer (o editor) fala:
"Quem quer saber de culpa e arrependimento? Queremos ação. Sangue Violência. Você já escreveu catorze livros e ainda não aprendeu? Não leu as regras do Van Dine? Estão pregadas no nosso mural, as regras do Van Dine. Um romance policial precisa de um cadáver, e quanto mais morto ele estiver, melhor. E não pode ser um cadáver qualquer. Como vamos despertar o sentimento de vingança nos leitores matando uma velha sarnenta e indesejável? Se uma velha dessas morre, o povo aplaude."
 Dividido em três partes, Elogio da mentira apresenta personagens envolvidos nas teias tecidas por eles mesmos: mentiras e artimanhas, engodos e falsidade, nas quais cada vez mais vão se afundando, até se verem sem saída. O livro fala de ciúmes e medo, morte e culpa, sem que seus personagens obtenham a redenção. É literatura moderna e sofisticada, e sendo apenas o terceiro livro de Patrícia Melo, mostrava em 1998 - ano da publicação da 1ª edição - uma autora capaz de uma carreira muito sólida e madura.

Está no ar o primeiro trailer de Oldboy, remake do filmaço de 2003 do sul-coreano Chan-Wook Park. O diretor da refilmagem hollywoodiana é Spike Lee, e Josh Brolin assume o papel de Joe Doucett, um homem que passou 20 anos sequestrado, sem jamais conhecer seus captores, e é libertado, tendo apenas 4 dias para encontrar a filha e se vingar. O resultado é uma explosão de violência e muitas revelações avassaladoras. Se Spike Lee conseguir reproduzir o clima angustiante do filme original - e, a ver pelo trailer, ele consegue nas cenas mostradas - parece que o resultado pode ser bem interessante.
Veja o trailer:


Lee declarou ter desenvolvido Oldboy a partir do filme original e também do mangá que inspirou-o, o que garante uma visão completamente nova da história. Isso sem falar que é Spike Lee, com Josh Brolin, Samuel L. Jackson e Sharlto Copley (Distrito 9) no elenco. Só isso já vale nosso crédito.

Oldboy estreia no Brasil em 22 de novembro.

Exibida nos Estados Unidos na emissora pública PBS nas noites de domingo, Downton Abbey experimentou ainda mais sucesso que na Inglaterra, sua terra natal. A produção de época foi a grande vencedora do Emmy de 2011, sendo premiada como Melhor Minissérie, Roteiro, Atriz Coadjuvante (Maggie Smith), Fotografia e Direção. Isso e ainda o Globo de Ouro, que premiou a série em 2012 e 2013, neste último ano dando o prêmio de Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme para Maggie Smith.
Não é para menos. Downton Abbey fascina por mostrar um mundo que, mesmo estando longe do nosso, é incrivelmente identificável e maravilhoso. Basta um episódio, e o drama que mostra a convivência entre patrões e criados em uma propriedade ancestral da nobreza britânica no começo do século 20 já nos vicia de uma forma inexplicável. É sério.
A primeira cena da produção é emblemática, pois mostra em detalhes como funciona uma mansão daquele porte, com os criados se preparando desde cedo para atender nos detalhes mais minuciosos seus patrões. Com a câmera passeando pelos andares de baixo e pelos salões principais da casa, vemos as cozinheiras aprontando o café da manhã, as empregadas limpando a lareira, um dos camareiros (ou lacaios) passando ferro no jornal para que a tinta fresca não manche as mãos do patrão, tudo sob os olhares atentos do mordomo, que coordena cada ação da criadagem. De imediato, todos já estão imersos naquele universo, com toda sua pompa e expressões educadas, seus códigos morais e seus hábitos que ainda ressoam o século 19. Toda essa rotina é quebrada de imediato com a notícia do naufrágio do Titanic, e a consequente morte do herdeiro imediato de Downton Abbey, a propriedade administrada por Lorde Grantham (Hugh Bonneville). Sem seu herdeiro imediato, tem início a procura pelo próximo na linha de sucessão, que conduz a um jovem advogado sem nenhum traço de nobreza, Matthew Crawley (Dan Stevens), homem de seu tempo, com um olhar avançado para o futuro. O perfeito contraponto com Lorde Grantham, que representa os ideais e os princípios de um tempo que está acabando. A série vai se desenrolando (a 4ª temporada estreia este ano) conforme o século 20 mostra suas garras, especialmente com a chegada da 1ª Guerra Mundial, evento que trará mudanças sérias na rotina da família Grantham.
O roteiro, escrito pelo criador da série Julian Fellowes (que escreveu o roteiro de Assassinato em Gosford Park), parece ter sido lapidado, escrito e reescrito até chegar a um nível que beira à perfeição. Toda a fina ironia inglesa está presente, especialmente nas falas de Violet, a Condessa-Viúva de Grantham (Maggie Smith): aliás, esta é, de longe, a personagem mais estranhamente maravilhosa que já se viu na TV pelo menos nos últimos 20 anos. Mas Violet não é a única personagem memorável do programa. Cada um dos personagens é desenvolvido de tal forma a envolver o espectador, fazendo com que nos importemos com seus destinos. 
Downton Abbey é um trabalho primoroso, desses que marcam a história da televisão mundial. É tevê da mais alta qualidade, drama refinado capaz de nos pegar pelo colarinho e nos manter no sofá até que o último episódio chegue ao fim.

Downton Abbey (2010– ) on IMDb
Se quando você ouve falar em clonagem humana a primeira coisa que lhe vem à mente é a novela de Glória Pérez, é urgente que você veja Orphan Black, série da BBC America cuja primeira temporada consegue dar aula de narrativa e de capacidade de prender a atenção do espectador. 
Na série, criada por John Fawcett e Graeme Manson, a atriz Tatiana Maslany é Sarah Manning, uma órfã criada por uma mãe adotiva, com quem deixou a filha há um ano, e vive de cometer pequenos delitos. Ela tem um relacionamento desastroso com um traficante peixe-pequeno e seu único amigo é seu irmão adotivo, Felix (Jordan Gavaris). Desejosa de reconstruir sua vida para poder ter algum futuro ao lado de sua filha, Sarah presencia o suicídio, em uma estação de trem, de Beth Childs, uma mulher que é estranhamente idêntica a ela. Logo depois do suicídio, sem pensar muito, Sarah rouba a bolsa da mulher e acaba assumindo sua identidade, sem saber que Beth era detetive da polícia. Com a nova identidade, Sarah/Beth passa por situações já esperadas em tramas de troca de identidade, como a adaptação à nova vida e os encontros e desencontros com as pessoas de convivência com a verdadeira Beth.
O que Sarah não esperava era descobrir que ela e sua gêmea desconhecida são apenas duas de muitas clones que foram produzidas por uma organização secreta e, para piorar tudo, alguém as está caçando, uma por uma. Durante a primeira temporada, cada um dos 10 episódios vai revelando novos segredos sobre os clones e seus fabricantes, à medida que aprofunda o desenvolvimento dos personagens principais. 
E neste ponto encontra-se o maior trunfo de Orphan Black: as clones vividas por Tatiana Maslany têm personalidades muito definidas, e a atuação da atriz é algo tão impressionante que somos capazes até de esquecer que estamos vendo a mesma atriz em diferentes papéis. Ajudam muito os efeitos especiais em cena, que duplicam e até triplicam a atriz na mesma cena, contando também com a ajuda de alguns truques de câmera, usados desde o tempo da novela global Mulheres de Areia, mas em uma escala incrivelmente maior e com resultados muito melhores.
Resta agora aos produtores o desafio de manter na 2ª temporada a qualidade que a temporada de estreia apresentou, sem perder o fio da meada do roteiro, que mostrou uma esperteza tremenda em deixar um cliffhanger e tanto para a próxima temporada.
Sem previsão de estreia no Brasil, Orphan Black só pode ser vista mesmo por aqui através dos downloads e torrents. A não ser que você se contente em relembrar daquela novela da Globo.

Orphan Black (2013– ) on IMDb
Um desses filmes pequenos em termos de orçamento, sem nenhuma Globo Filmes para distribuir e promover, mas com um ótimo roteiro e uma dupla de protagonistas afiada, Disparos (Brasil, 2012) merece ser descoberto e conhecido.
A reflexão sobre a violência e como cidadãos comuns lidam com ela é pintada com tintas fortes e emoldurada com uma tensão capaz de encher uma sala. Dirigido e escrito pela estreante Juliana Reis, Disparos conta a história de Henrique (Gustavo Macedo, que esteve na série da HBO fdp), um fotógrafo "importante", nas palavras do próprio, que sai de uma boate gay depois de uma sessão de fotos e, ao lado de seu assistente e já dentro do carro, é assaltado por dois bandidos em cima de uma moto, que roubam todo o seu equipamento. O assalto é interrompido bruscamente quando a dupla de criminosos é atropelada por uma caminhonete aparentemente desgovernada, que mata um dos assaltantes. Ainda chocado pelo que acabou de lhe acontecer, Henrique vai até o corpo do assaltante morto recuperar seu cartão de memória com todas as suas fotos e recebe voz de prisão, supostamente por ter omitido socorro à vítima de atropelamento. Chegando na delegacia, encontra o inspetor de polícia Freire (Caco Ciocler), com quem terá um embate fascinante que durará a noite inteira, na tentativa de provar sua inocência e sua condição de vítima.
Esse duelo reconta a história do assalto, ao mesmo tempo que revela o envolvimento de outros personagens na trama, como o assistente de Henrique, a pessoa responsável pelo atropelamento e um outro amigo do fotógrafo, gay, que volta à boate pouco antes do assalto. Duas dessas subtramas não acrescentam nada à história, e sua exclusão da versão final poderia deixar o filme um pouco mais enxuto, concentrando sua visão no que realmente interessa: as atuações espetaculares de Gustavo Macedo e Caco Ciocler, que mostram grande talento e capacidade de expressar toda a emoção (ou a ausência dela) que seus papéis exigem.
O roteiro também facilita muito as coisas, pois com exceção das subtramas desnecessárias ao andamento da história, reflete com muita sutileza sobre as consequências da violência na vida de cidadãos comuns, alheios a grande parte do que acontece à volta deles e à mercê de criminosos a todo instante. O diálogo final, entre um médico plantonista e Henrique, é emblemático ao questionar até que ponto as pessoas comuns devem se envolver na defesa das vítimas da violência.
Um detalhe deixa o filme ainda mais interessante: ele é baseado em histórias reais, acontecidas no Rio de Janeiro, o que mostra que, de fato, as explosões de fúria e ódio resultantes da violência não estão assim tão longe de nossa realidade.

Com um canal recentemente lançado no YouTube, a Turma da Mônica vem agradando com uma série de curtas bem curtinhos de, no máximo 36 segundos, com traços diferentes daqueles encontrados nos quadrinhos clássicos lidos por várias gerações há 50 anos, ininterruptamente. Estou falando de Mônica Toy,  série que mostra, sem palavras, pequenas situações que unem humor e muito cute-cute, como diria o Marcelo Tas. Veja e desfrute você também:













Em exibição atualmente em plena Times Square em Nova York, a exposição Art of the Brick mostra a arte deslumbrante de Nathan Sawaya, que cria esculturas extremamente originais utilizando tijolinhos de Lego, um dos brinquedos mais vendidos do mundo. A CNN considerou esta a exposição que todos devem ver este ano, e críticos especializados em todo o mundo têm aplaudido a obra esplendorosa de Sawaya. Veja e deixe o queixo cair à vontade:






Compositores: Vários artistas


O que tocava no estéreo da poderosa indústria cinematográfica dos anos 80 comandada por Jerry Bruckheimer e Don Simpson eram os sons sintetizados de um jovem bávaro talentoso chamado Harold Faltermeyer. "Simpson era um cara maluco, a cada segundo tinha uma ideia nova", ele conta ao site da revista inglesa Empire, falando sobre sua arrebatadora entrada no mainstream de Hollywood. "Depois havia Bruckheimer, o homem de negócios. Eles eram um tipo de yin e yang, sempre levando-nos ao limite". Faltermeyer, segundo ele, não tinha medo de ir ao limite também. Foi tanto ao limite, ou além dele, que seu tema de Axel Foley se transformou em uma espécie de sinfonia sintetizada da década de 80.

Ouça o tema clássico aqui: