Compositor: John Williams


John Williams, conforme dizem, tinha duas ideias para um tema heróico para o especialista em chicotes e invasor de criptas Indiana Jones. Ele tocou ambas para Steven Spielberg, que exclamou: "Vamos usar as duas!" Assim nasceu "The Raiders March", uma peça musical tão vibrante e triunfante que faz com que qualquer pessoa que a ouça sinta que poderia consertar o que há de errado no mundo. Mesmo sem esse motivo central, a trilha sonora é um clássico indubitável, com os metais altos sempre que Indy enfrenta o Terceiro Reich e sons sublimes e exóticos para suas incursões a catacumbas ainda não exploradas. Desafiamos você a escutar "The Map Room" e não ter nenhuma reação emocional.

Chegou às minhas mãos o segundo volume da coleção Graphic MSP, que convida artistas variados para criarem histórias com os personagens criados por Maurício de Sousa, utilizando seus próprios traços. O primeiro volume, Astronauta - Magnetar, de Danilo Beyruth (Bando de Dois) já foi um primor. Arte e roteiro maravilhosos, em uma história de ficção científica que faria bonito no cinema fácil, fácil.
O volume dois, Turma da Mônica - Laços é... como eu diria... perfeito! E olha que não é nada fácil pegar personagens conhecidíssimos do público brasileiro, com uma carga emocional imensa, parte da memória afetiva de uma pá de gente (inclusive eu), e adaptar, dando um toque original e ao mesmo tempo respeitando todos os 50 anos de histórias dessas figuras maravilhosas.
Escrito e desenhado a quatro mãos pelos irmãos Cafaggi, Laços tem um ponto de partida muito simples: o sumiço do cachorro do Cebolinha, Floquinho, e a reunião da turma para ir atrás dele. Utilizando essa ideia singela, os autores mostram todas as razões porque Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali são tão unidos, porque têm uma amizade que resiste a tudo.
Estão no álbum todos os elementos que fizeram a fama da turminha: os planos infalíveis do Cebolinha (que infalivelmente dão sempre errado, por culpa do Cascão), Mônica, a "dona da lua", com seu coelhinho Sansão descendo o cacete nos meninos, Magali com sua comilança sem fim - e um suco de tamarindo para arrematar -, e Cascão usando muita criatividade (e correndo de banho a qualquer custo, é claro). Sem abrir mão desses elementos clássicos, Vitor e Lu Cafaggi enchem as páginas de um texto esperto e uma arte sublime, isso para dizer o mínimo. Vitor já havia feito uma das histórias do álbum MSP 50, com o Chico Bento, tendo conseguido me fazer chorar (sério!), logo, saber que ele faria esse álbum me encheu de expectativa, que foi superada.
Em vários momentos da leitura, a vontade é ficar parado ali, só desfrutando de tanta beleza artística em tão pouco espaço. E os detalhes são muitos: o cabelo do Cascão bebê, a fofura do Floquinho, a agilidade da Mônica em manusear seu temido coelho...
Além disso, há também espaço para homenagear outros personagens de Maurício de Sousa e ainda lembrar de momentos clássicos das histórias da turma, isso sem falar do clima de filmes famosos dos anos 80, como Os Goonies, E.T. - O Extraterrestre e até O Clube dos Cinco e Os Garotos Perdidos. Prato cheio para quem é fissurado por procurar referências.
Logo que terminei a leitura, tive que voltar tudo de novo e ler outra vez. A impressão que se tem quando se lê uma HQ tão boa quanto essa é que 80 páginas é muito pouco para tanta qualidade. Ainda bem que outros volumes da coleção, como uma história com o Chico Bento, estão por vir. Que venham logo!