Contando o dia a dia de dois policiais trabalhando na periferia de Los Angeles, Marcados Para Morrer (End of Watch, EUA, 2012) é um drama de ação policial diferente de tantos outros filmes do gênero lançados todos os anos. Na verdade, ao optar por uma estética semelhante a documentários e programas do tipo Cops, o diretor David Ayer (Os Reis da Rua, Tempos de Violência) acaba se aproximando muito mais de séries policiais como Southland, o que confere uma abordagem mais realista e sincera sobre a rotina de dois caras corajosos combatendo o crime pelas ruas, fazendo o trabalho pesado.
Estrelado por Jake Gyllenhaal (Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo) e Michael Peña (Crash - No Limite e As Torres Gêmeas) - além da presença marcante e natural de Anna Kendrick, que mostra sem parar quão talentosa é -, Marcados Para Morrer vai fundo nas vidas dos dois protagonistas, alternando momentos em que a ação e o suspense se sobrepõem constantemente, com cenas simples de seus relacionamentos familiares e amorosos. Com o uso de câmeras tremidas e próximas dos atores, a impressão que se tem é que estamos ali, ao lado deles, tanto que quando eles invadem uma casa que servia de depósito para corpos em decomposição, quase é possível sentir o fedor da carne pútrida.
O uso deste recurso termina por aproximar o espectador também da vida dos protagonistas, fazendo com que cada respiração e cada palavra dita por eles realmente importem. Assim, fica impossível não se emocionar no clímax do filme.
Sem querer entregar muita coisa, basta dizer que Marcados Para Morrer é impactante e pode, sim, te fazer chorar.
Sucesso-surpresa do verão americano, Truque de Mestre (Now You See Me, EUA, 2013) chamou a atenção do público no trailer, que mostrava um quarteto de mágicos em Las Vegas conduzindo um ousado (e intrigante) assalto a um banco em Paris. A mistura de Onze Homens e um Segredo com filmes de mágica parecia promissora, e a semelhança, definitivamente, não é mera coincidência: basta ver o pôster, chupado do filme de Steven Soderbergh.
Em Truque de Mestre o diretor não é de grife. Trata-se de Louis Leterrier, cuja obra é marcada por filmes de ação de alto apelo comercial (O Incrível Hulk, Fúria de Titãs, e Cão de Briga) que não exigem nenhum trabalho cerebral. Exatamente por isso é que o filme de mágicos peca por tentar emular produções inteligentes do gênero, como O Grande Truque e O Ilusionista; o tiro, entretanto, sai pela culatra. As reviravoltas em profusão do filme acabam trabalhando contra. Não passam de rombos de roteiro que não convencem ninguém. Simplesmente não dá para acreditar em nada ali.
Quando se retrata um universo em particular como é o dos mágicos e ilusionistas, é preciso incorrer em alguma verossimilhança para que a história seja comprada pelo público. Imaginemos, por exemplo, que em um filme do Superman ele faça algo completamente estranho ao seu universo e à essência do personagem, como, digamos, criar um mundo só dele. É claro que ninguém vai acreditar nisso, e o filme será um fracasso. Assim acontece em Truque de Mestre. Os truques apresentados pelos personagens são inacreditáveis, literalmente, porque não fazem parte de um universo crível, que é o mínimo para tornar um filme interessante.
Porém, se a trama é repleta de furos, o elenco ainda consegue segurar as pontas, se esforçando para tirar alguma coisa boa de um filme feito para confundir a audiência, que sai do cinema dizendo que o filme é muito bom, porque é "inteligente". Ainda assim, Michael Caine não sabe o que está fazendo ali, muito menos Morgan Freeman, que ultimamente anda topando qualquer parada, mesmo. Sabendo que sua produção não tem nada de inteligente, Leterrier abusa daquelas câmeras que dão voltas de 360º ao redor dos atores, dando a impressão de se estar vendo algo digno de nota.
Com um final completamente absurdo (fechando seu festival de atentados ao cérebro humano), Truque de Mestre conseguiu fazer muito dinheiro nas bilheterias e garantiu uma sequência, que deve contar a história da organização secreta de mágicos revelada durante o filme. Mais fumaça e espelhos, e só.
Plínio Barboza (@Plinio_Barboza), do Rio de Janeiro



Fotos: Plínio Barboza/Instagram (@Plinio_Barboza)

E mais uma vez voltamos à Cidade Do Rock, desta vez num novo contexto para esse ser que vos escreve, mas que será explicado em outra oportunidade.
Para mim o Rock In Rio começou no dia 14, segundo dia do festival que teve no seu lineup no Palco Sunset: BNegão e Autoramas, Marky Ramones e Michale Graves, Tributo a Raul Seixas conduzido pelo Detonautas, The Offspring e Saints Of Valory; já no Palco Mundo o lineup foi: Capital Inicial, 30 Seconds To Mars, Florence and the Machine e Muse.
Antes de contar minhas impressões dos shows, gostaria de dizer que assistir os shows do Palco Sunset realmente é lindo, o visual do por do sol a paisagem que cerca a cidade do rock; nao é só mais um show, é uma experiência inesquecível, no quesito organização a entrada foi meio tumultuada, mas de resto foi tudo muito bem organizado, como tem que ser.
Vamos aos shows do Palco Sunset:
BNegão e Autoramas - abriram os trabalhos na cidade do rock e infelizmente não pude ver o show porque estava na fila para entrar, mas ouvi tudo! BNegão tocando seus hits da carreira solo como Funk Até o Caroço, Dança do Patinho e também aproveitando a volta do Planet Hemp tocando algumas músicas da banda. O Autoramas tocou seu rock para dançar com a pegada rockabilly de sempre, sem esquecer de tocar I Saw You Say (sim, aquela que todo mundo pensa ser dos Raimundos.), mais não posso falar, por estar na fila de entrada.
Marky Ramone e Michale Graves - esse era o segundo show que mais queria ver no Sunset, infelizmente mais um show que ouvi da fila, o setlist se resumiu aos hits do Ramones "Pet Semetery", "I wanna be sedated", "Rockway Beach" e por aí vai, pelo fato de Michale Graves ser ex-vocalista do Misfits achei que poderia rolar umas da banda, mas ficou só no Ramones mesmo (o que é muito bom).
Viva Raul Seixas - tributo conduzido por Tico Santa Cruz e seu Detonautas que contou com a participação de Zélia Duncan, Zeca Baleiro e Arnaldo Brandão. Eu não gosto de Tico e nem do Detonautas mas tenho que dar o braço a torcer, o show foi muito bom. Apesar de Tico e seu messianismo político atrapalharem, o show contou com as músicas mais conhecidas do Maluco Beleza mesclado com outras menos conhecidas. Não vi o show todo porque Tico atrapalhou, e muito, a experiência. Aproveitei para ir na Rock Street onde tocava a Rock Street Big Band com músicas celtas, um belo show.
The Offspring - amigos! Esse foi O SHOW do Palco Sunset, minha adolescência tava ali com "Why Get a Job", "Kids aren't right", "Pretty Fly" enfim, nostalgia pura! O que prejudicou o show foi o som, que estava muito ruim, mas a vibe da galera compensou tudo.
Saints Of Valory - banda indie nova, com vocalista brasileiro.  Quando vi o anúncio dessa banda de última hora, fiquei curioso de ver o som deles ao vivo, e confesso que me surpreendeu... sonzeira com uma pegada meio Kings of Leon, tem vídeos bem feitos no YouTube, vale a pesquisa.

No Palco Mundo aconteceu o seguinte:
Capital Inicial - bem, é isso, Dinho e seus discursos políticos sem conhecimento de causa (ele deveria pegar umas aulas com Tico Santa Cruz), o setlist da banda com aquelas músicas de sempre, já que eles não lançam nada que preste faz tempo, aproveitei  pra dar um rolê na Rock Street e ver os vínis que estão vendendo nos estandes.
30 Seconds To Mars - com certeza absoluta de esse show ter sido a melhor presença de palco de todo o festival, Jared Leto (como bom ator que é) soube manter todas as atenções voltadas para ele, com direito a bandeira do Brasil, açaí e descer na tirolesa no meio do show (chupa Janelle Monae), não vi todo o show, porque chocou com o do Saints Of Valory no Sunset. Fiquei meio decepcionado pelo fato de que a banda ao vivo nao tem o mesmo peso dos CDs, além de não terem tocado Kings And Queens, mas nem tudo são flores. Bom show, recomendo.
Florence and the Machine - antes de mais nada, deixo claro aqui que, para mim, Deus é mulher, ruiva, linda e encarnada em Florence Welch.  O que falar do show de Florence and the Machine? Perfeito? Lindo? Sim, meus amigos, foi isso tudo e muito mais. Assim como Jared Leto, Florence Welch soube hipnotizar a plateia. Entrou descalça, com um visual que lembrava uma fada tocando o repertório de Lungs e Ceremonials e, como era de se esperar, encerrou com Dog Days Are Over. Um detalhe interessante, os fã clubes de Florence and the Machine são as mais lindas ruivas e com flores na cabeça. S2
Muse - o editor do blog que me perdoe, mas...foi o show mais FODA da noite do dia 14! Que show, amigos! Telões, luzes, peso, barulho! Muse arrebentou, apesar da frieza no "relacionamento" com o público, os caras tocam muito! Me arrisco a dizer que no quesito banda de arena, eles tem potencial para serem o próximo U2. Precisam ser mais megalomaníacos como o Coldplay. Fiquei com vontade de ver um show solo deles sem essa questão de estarem presos a um festival. Confesso que fui às lágrimas ao ouvir Knights Of Cydonia ao vivo, que coisa linda.
Bem, esse foi um resumo do dia 14 - não muito bem escrito e nada imparcial. Foram minhas impressões. Dias 19, 20 e 21 estarei de volta à Cidade do Rock.

P.S.: esqueça esse mimimi de que o Rock In Rio não tem rock, TEM SIM! Além do que é só um nome de um festival de música, a experiência de estar lá é coisa de outro mundo. Recomendo que você vá a pelo menos um dia.
Um fenômeno cinematográfico desses que marcam a história cultural de um estado (no caso, o Ceará), Cine Holliúdy (Brasil, 2012) é um exemplo de como é possível fazer cinema popular sem descuidar de um detalhezinho chamado "qualidade". O filme de Halder Gomes, cearense que já havia feito o filme americano Cadáveres 2 e a produção espírita As Mães de Chico Xavier, se lança em uma homenagem bem-humorada - hilária, na verdade - a um tempo em que as cidades do interior tinham salas de cinema disputadas, que exibiam a nata do cinema de artes marciais e todas as chanchadas estreladas pelos atores da Atlântida e por Mazzaropi. Só esse plot já tornaria o filme interessante, mas ainda tem mais: a produção é falada em "cearenses" e com legendas!
Mas eu disse, lá em cima, que Cine Holliúdy é um fenômeno, e não foi por menos: lançado sem muito alarde somente no Ceará, em 9 salas, o filme quebrou o recorde de bilheteria no estado, que pertencia ao também brasileiro Tropa de Elite 2, levando uma média de 2800 espectadores por sala, e chegando aos 100 mil espectadores em apenas duas semanas em cartaz. Com o circuito exibidor se estendendo a cada semana, em adição à propaganda boca a boca de quem vê (e passa mal de tanto rir) e quer ver de novo junto com outros amigos, a expectativa é alta para o resto do país. A estratégia de lançamento da Downtown Filmes mostrou-se acertada, ao colocar o trailer do filme antes de outro mega-sucesso nacional, a comédia Minha Mãe é Uma Peça; as pessoas perdiam o fôlego com a profusão de piadas da prévia, e eram quase obrigadas a voltar para a estreia da produção.
Aqui em Aracaju, onde assisti ao filme, um espectador ao lado de mim e de minha esposa quase morre, ficava tossindo e parando para respirar entre uma gargalhada e outra. O mesmo se deu comigo, que com meu hábito de rir alto acabava até abafando uma ou outra fala do filme, mas nada que não se resolvesse com as legendas!
Cine Holliúdy conta a história de Francisglêydisson, um cearense apaixonado por cinema, que chega a uma cidadezinha do interior com o sonho de abrir seu cinema, o "Cine Holliúdy" do título. A trama não tem grandes arroubos de roteiro nem nada disso, apenas desfila os personagens, moradores da cidade que interagem com o recém-chegado sonhador. Alguns deles são comediantes cearenses conhecidos nacionalmente, como o cantor Falcão, que faz o papel de um cego hilário. As piadas são desferidas como uma metralhadora verbal, sem dar tempo para que a gente se recupere direito, e isso só já vale o ingresso. Em suma, estou falando de um filme simplesmente IMPERDÍVEL e que merece todo o hype que vem recebendo. Vale mesmo a pena conhecer Francisglêydisson e sua família, seu sonho e seu cinema. Um filme "invocado", para usar um termo cearense.

 


Escape from Tomorrow é uma dessas coisas que, de tão bizarras, são irresistíveis. Trata-se de um filme feito completamente dentro dos parques da Disney, sem que a empresa tivesse qualquer conhecimento a respeito. Com o uso de câmeras escondidas e amadoras, o filme de Randy Moore mostra um passeio à Disney, no qual Jim (Roy Abramsohnum) é atormentado pelo mundo fantasioso, colorido e alegre do parque e acaba sendo jogado em um verdadeiro pesadelo surreal enquanto persegue duas adolescentes francesas.
Exibido no festival de Sundance, Escape from Tomorrow gerou uma repercussão tão grande entre os independentes que acabou sendo adquirido para exibição nos cinemas americanos - e causou arrepios entre os executivos da Disney.
Veja o trailer do filme, que começa com o alerta: "O filme a seguir NÃO foi aprovado para todos os públicos pela Walt Disney Company."


Escape from Tomorrow não tem previsão de lançamento no Brasil. Prepare-se para mais um sucesso do torrent!


Está no ar o 1º trailer do remake de Robocop, que marca a estreia de José Padilha na direção de um filme hollywoodiano. Confira:



Estrelado por Joel Kinnaman (da série The Killing), o filme ainda traz Michael Keaton, Abbie Cornish, Samuel L. Jackson e Gary Oldman no elenco.

Robocop estreia nos EUA em 7 de fevereiro de 2014.