David Fincher é um cineasta espetacular. Esta é a conclusão a que chegamos depois de assistir cada um de seus filmes, desde Seven - Os Sete Crimes Capitais, passando por Clube da Luta (fundamental!) até Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres.
Em Garota Exemplar (Gone Girl, EUA, 2014), o diretor não realiza nada menos do que o melhor suspense do ano, adaptação do romance homônimo de Gillian Flynn. O filme conta a história de Nick Dunne (Ben Affleck), um escritor fracassado que se mudou com sua esposa Amy (Rosamund Pike) de Nova York para sua cidade natal, um lugar pacato, localizado à beira do rio Mississipi, e vive uma crise em seu casamento. No dia em que completaria cinco anos de casado, sua esposa Amy desaparece, deixando em casa o que parecem vestígios de luta. A partir deste acontecimento, Nick se envolve em uma verdadeira montanha-russa emocional, ainda mais quando o sumiço da esposa se torna um espetáculo midiático no qual ele se torna o principal suspeito de ter assassinado Amy e dado um fim no corpo. Tal suspeita acaba se transferindo para o espectador, que começa a duvidar da inocência do marido, que também colabora para isso. O Nick interpretado por Ben Affleck é inepto e tem um comportamento estranho em relação aos acontecimentos, a ponto de sorrir para tirar uma selfie com uma das voluntárias na busca pela esposa. Mas uma reviravolta na trama nos faz mergulhar em uma mente doentia e perturbada, de alguém obcecado por controle, como em um looping de montanha-russa.
O elenco, quase inteiramente desconhecido - a exceção é Ben Affleck - realiza muito bem sua tarefa, especialmente Rosamund Pike. Sua Amy Dunne é enigmática e a atriz incorpora muito bem o papel de esposa sofredora, capaz de tudo para estar no comando de seu destino.
No domínio pleno da arte de contar histórias, David Fincher tem no roteiro - escrito pela autora do livro - seu maior trunfo. A narrativa que vai e vem no tempo não confunde, ao mesmo tempo em que não oferece soluções simplistas para os problemas que vão surgindo no caminho, de tal forma que a descoberta do caráter verdadeiro de alguns personagens modifica seriamente a perspectiva que temos deles. A cena que abre e encerra o filme é especialmente simbólica, pois nas duas vezes que a vemos, temos uma percepção completamente diferente; é a mesma cena, com o mesmo texto, mas os personagens estão inteiramente diferentes, pelo menos aos olhos do espectador, isso porque no final já conhecemos a dura verdade de cada um.

Garota Exemplar (2014) on IMDb

Pelo primeiro trailer já podemos ver que vem coisa magnífica por aí. Estamos falando de Le Petit Prince (O Pequeno Príncipe), a animação que adapta, mais uma vez, o extraordinário livro de Antoine de Saint-Exupéry.

Pela prévia é possível observar que várias técnicas de animação foram utilizadas. Veja:



O filme é dirigido por Mark Osborne (Kung Fu Panda), e tem entre seus dubladores Jeff Bridges, James Franco, Paul Giamatti, Rachel McAdams e Marion Cotillard, isso na versão em inglês.

Pelo que podemos ver do trailer, a animação falará da relação de uma garotinha com a obra, que já foi traduzida para dezenas de línguas e é adorada há várias gerações, tendo ganhado uma adaptação para o cinema em 1974, dirigida por Stanley Donen e estrelada por Gene Wilder.

A estreia de Le Petit Prince está marcada para outubro de 2015.
Em 1980, a onda otimista de Rocky, Um Lutador ainda não havia passado. Na verdade, o filme com Sylvester Stallone inaugurara uma série de filmes feitos para deixar pessoas alegres que dominaria a década de 80 quase que inteiramente. Mas eis que Martin Scorsese aparece com Touro Indomável (Raging Bull, EUA, 1980), um filme sobre um boxeador descontrolado, chauvinista, desprezível e digno de nada além do que pena. Alguns poderiam até achar que Scorsese exagerou em seu retrato de Jake LaMotta, mas de fato, o cineasta até pegou leve, segundo alguns que viveram com o lutador em seu tempo (anos 40 e 50), e o próprio LaMotta em pessoa.
Touro Indomável foi um fracasso em seu lançamento, mesmo sendo elogiado por quase todos os críticos. Não é um filme agradável, com certeza. O protagonista não ajuda. Mas a atuação de Robert De Niro como um dos personagens mais detestáveis da história do cinema é não menos que magistral. A maneira como o lendário ator incorpora a persona lamentável de Jake LaMotta chega a assustar. Saber que, durante as filmagens, De Niro precisou ganhar 20 quilos para viver o personagem em sua fase mais decadente, nos ajuda ainda mais a ficarmos impressionados. O boxeador em sua fase vigorosa, enfrentando seus oponentes nos ringues com uma altíssima velocidade nos golpes, é mais um detalhe que contribui para a construção de um dos papéis mais desafiadores que qualquer ator poderia ter no cinema.
As cenas de luta são violentas, com socos sendo desferidos sem misericórdia, sangue jorrando incessantemente, e closes nos rostos dos lutadores mostrando toda a gravidade dos ferimentos depois de cada round lutado. Ainda durante essas cenas, Scorsese mostra todo o desprezo que LaMotta tinha pelas mulheres, quando vemos bolos de sangue caírem em moças que assistiam às lutas e mulheres sendo atropeladas pela multidão durante uma confusão generalizada.
O filme é cruel para quem espera um final redentor, com LaMotta escapando da lama e se arrependendo de tudo o que fez. Não há arrependimento (ao menos não expressado verbalmente); o que se vê é, em um minuto o lutador campeão dos pesos-médios, e logo depois, na temporalidade veloz do cinema, o mesmo campeão tentando se livrar de uma acusação de aliciamento de menores em uma boate de sua propriedade.
Se Rocky é Hollywood dizendo que todos podem ser vitoriosos, Touro Indomável,  em um estupendo preto e branco filmado por Michael Chapman, é Scorsese afirmando que a vida é dura e que, às vezes, a gente pode fracassar. Um filme que não pode deixar de ser visto.

Touro Indomável (1980) on IMDb
Após o sucesso de “Uma noite de crime”, que arrecadou 34,1 milhões de dólares em um fim de semana nas bilheterias dos Estados Unidos em 2013, chega aos cinemas a sequência: “Uma noite de crime – Anarquia”, também escrito e dirigido por James DeMonaco. O longa estreia no Brasil no dia 4 de dezembro e traz a ideia principal do primeiro, quando o governo americano libera uma noite ao ano para os cidadãos cometerem os crimes que quiserem, sem que sejam punidos. Nesse segundo thriller, os Novos Fundadores da América se utilizam do expurgo anual para assegurar que a taxa de criminalidade permaneça abaixo de 1%, porém a classe menos favorecida, acuada pela menor chance de sobrevivência, busca vingança aos ricos através da anarquia. Leo (Frank Grillo de Capitão América 2: O Soldado Invernal A Hora Mais Escura) é um sargento que sofrerá com a perda do filho e resolverá se vingar nesta noite. A distribuição é da H2O Films.
No filme, a caminho de sua missão algo faz o sargento proteger Eva (Carmen Ejogo de Distante Nós Vamos e Selma, ainda a estrear) e Cali (Zoë Soul de Os Suspeitos e da série de TV Reed Between the Lines), mãe e filha, que não podem pagar pela segurança oferecida às pessoas da alta sociedade. Já o casal à beira da separação, Shane (Zach Gilford de O Herdeiro do Diabo e da série de TV Friday Night Lights) e Liz (Kiele Sanchez de A Trilha e da série de TV Destino Final: Palm Glade), têm seu carro sabotado por um bando de mascarados e acham refúgio no carro blindado de Leo, se juntando aos três outros estranhos na tentativa de se afastar daqueles que buscam exercer seu direito ao caos.
O grupo se une para proteger a si mesmos e uns aos outros durante as 12 horas de expurgo do ano, enquanto são caçados pela imensa cidade em uma série de cenas de sobrevivência, no estilo matar-ou-morrer, que ultrapassam a linha entre a vingança patrocinada e a justiça.

(Com informações da Agência Febre)

Assista o trailer:

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Depois de uma calorosa acolhida no Festival do Rio e na Mostra Internacional de São Paulo, Brincante, novo filme de Walter Carvalho, chega aos cinemas brasileiros em 4 de dezembro. Documentário com ares de ficção, narrativa sem narrador que reproduz a trajetória artística e pessoal de Antonio Nóbrega, Brincante sintetiza na tela a alegria que já se espalhou por palcos do Brasil e do mundo. O filme coloca em cena o trabalho de uma vida, que se caracteriza pela consistente leitura da cultura popular, valorizando seu imaginário e universo simbólico, e atualizando-a dentro de uma compreensão contemporânea.
Brincante é conduzido pelos personagens João Sidurino e Rosalina, das peças "Brincante" e “Segundas Histórias”, interpretados por Nóbrega e Rosane de Almeida. Distribuído pela Espaço Filmes, o longa é uma produção Gullane em coprodução com Brincante Produções Artísticas, Maria Farinha Filmes, Kinofilme e HBO Latin America Originals.

Sobre Antonio Nóbrega
Nascido no Recife em 1952, estudou música desde muito cedo, sob influência do pai, tornando-se violinista com passagem pelas Orquestras Sinfônica de Recife e de Câmara da Paraíba. O convite de Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial reorienta sua carreira artística, descortinando para Nóbrega a riqueza da arte popular. A partir de então começa a estudar com disciplina as diversas manifestações populares brasileiras, não apenas nos livros de teóricos que sobre ela se debruçaram, como Mário de Andrade, como também nos que a produziram, como o próprio Suassuna. Em andanças pelos sertões do Brasil, o multiartista travou conhecimento com muitos artistas, observando diretamente a criação e exibição do que viria a ser matéria-prima de seu trabalho. Em 1992 monta o espetáculo “Brincante”, sucesso em todas as praças por onde passou e começa a ser conhecido também nos grandes centros culturais. “Segundas Histórias” o sucede e dá continuidade a sua proposta. Depois disso, muitos espetáculos nascem e têm carreira bem-sucedida, ao mesmo tempo em que Antonio Nóbrega e sua esposa, a também artista Rosane Almeida, estabelecem em São Paulo o Espaço Brincante, que passa a oferecer formação para educadores e artistas interessados em “disciplinas” como a ciranda, o frevo, caboclinho, reisado, boi, cordel, maculelê e muitos outros. Nóbrega já levou sua arte a vários países, entre eles Portugal, Alemanha, EUA, Cuba, Rússia e França. Foi premiado inúmeras vezes por seu trabalho (Mambembe, APCA, Shell e Conrado Wessel, Comenda do Mérito Cultural) e, em 2014, foi homenageado pelo Carnaval de Recife. O lançamento de “Brincante” realiza um desejo antigo de transpor para as telas do cinema este espetáculo fundador de sua obra e trajetória.

Veja abaixo um featurette sobre Brincante, no qual Antônio Nóbrega, Walter Carvalho e Fabiano Gullane (produtor) falam sobre a mistura de ficção e documentário que caracteriza o filme.


Se você ainda não é um iniciado em Game of Thrones, pode imaginar que a série da HBO é somente um monte de dragões, seios e espadas gigantescas.
E, na maior parte, você pode estar certo - embora basta você perguntar a qualquer um dentre a legião de fãs da série o que os mantém vidrados no sucesso da HBO, e eles provavelmente lhe dirão que é a complexidade dos personagens e os relacionamentos daquelas figuras que iluminam aquele universo sangrento orquestrado por George R. R. Martin.
Uma prova da iconografia da série pode ser encontrada nesta Pixel Art de Czarek Łuczyński, mais conhecido como Charlie pl, que "digitalizou" algumas das pessoas mais importantes em Westeros e também os colocou em formato GIF.
Agora a gente vai ficar sonhando com um vídeo game em 16-bit de Game of Thrones!

Conheça mais trabalhos de Charlie pl AQUI.









Senhoras e senhores, eis o primeiro trailer de Jurassic World, o filme que vai reapresentar aquele universo fantástico criado por Michael Crichton e executado com maestria por Steven Spielberg em Jurassic Park. em 1993.
Neste 4º capítulo da franquia, temos outros personagens e uma aparência de tranquilidade reina ao vermos no começo do trailer o trágico e fracassado parque aberto e com novidades assustadoras. O Jurassic World do título parece um lugar muito mais seguro que aquele do primeiro filme, embora se passe na mesma Ilha Nublar, com os visitantes sentados em uma arquibancada para testemunhar um gigantesco dinossauro aquático devorar de uma só dentada um tubarão inteiro. Além disso, os bravos turistas podem passear entre os dinossauros dentro de um veículo transparente, que se assemelha a uma esfera.
O problema começa quando descobrimos que a administração do parque resolveu que todos aqueles dinossauros naturalmente perigosos e fantásticos não eram suficientes para atrair o público, e decide criar uma criatura híbrida e com uma inteligência fora do comum. É claro que o dino híbrido vai enlouquecer e o caos vai se instalar, afinal de contas, estamos falando de Jurassic World e não Caminhando com Dinossauros!
A expectativa é grande para este filme, ainda mais com Chris Pratt no elenco (o Senhor das Estrelas de Guardiões da Galáxia), o mais novo herói de ação do momento.

Veja o trailer:



Jurassic World estreia no Brasil em 26 de junho de 2015.
Katniss Everdeen tomou os cinemas de assalto mais uma vez. A personagem, que é a heroína de ação mais importante do cinema desde que uma certa Tenente Ripley voou pela nave Nostromo em Alien - O 8º Passageiro (1979), tem a missão de manter a qualidade dos dois primeiros filmes, que foram muito além do que se espera de uma produção feita para o público adolescente.
Quem vence o preconceito que filmes como Crepúsculo ajudaram a criar, encontra em Jogos Vorazes uma franquia sólida e interessante que trata de temas profundos e complexos, e ainda apresenta uma protagonista ambígua como poucas no cinema atual, que só se torna heroína porque quer, no final das contas, salvar a própria pele e a pele de quem ama. Ao menos foi assim que Katniss (Jennifer Lawrence) se tornou o símbolo de uma rebelião que almeja derrubar o poder da Capital. Quando se ofereceu no lugar da irmã para participar da competição sangrenta mostrada no primeiro filme da série, a personagem não pretendia se tornar heroína. Só queria sobreviver. Depois dos eventos marcantes de Em Chamas, entretanto, o caminho foi pavimentado para que a personagem se transformasse em muito mais do que apenas uma vítima de um sistema violento e cruel representado pelo Presidente Snow (Donald Sutherland).
No começo de A Esperança - Parte 1 (The Hunger Games: Mockinjay - Part 1, EUA, 2014), Katniss continua mostrando seu instinto de sobrevivência, mas acabou virando um ás na manga dos rebeldes sediados no Distrito 13, principalmente da Presidente Coin (Julianne Moore), que pretende usá-la para encorajar os outros distritos a ingressarem na luta contra a Capital. Para isso, Katniss é colocada no campo de batalha, seguida por câmeras o tempo todo, e suas incursões são transmitidas para todos os distritos. Não há mais jogos oficiais, mas a tevê continua sendo o principal instrumento de propaganda, embora de outra ideologia e outro sistema, um que deseja derrubar o Presidente Snow e tudo o que ele representa.
O fim de qualquer competição na série dá ao filme um tom mais sombrio e angustiante, mostrando os rebeldes do Distrito 13 escondidos em um mundo subterrâneo, sendo caçados constantemente e tentando angariar mais pessoas em sua luta. Além disso, o foco quase inteiramente na figura da protagonista contribui para forjar uma personagem muito mais madura e interessada na causa da liberdade. A cena em que Katniss visita um hospital improvisado lotado de feridos que dividem o espaço com centenas de cadáveres é simbólica: é quando ela finalmente desperta para a realidade cruel de um governo que despreza a humanidade.
A qualidade de A Esperança é enriquecida por seu elenco. Woody Harrelson, Elizabeth Banks e, principalmente, Philip Seymour Hoffman, são pequenos trunfos que o diretor Francis Lawrence tem nas mãos. Atores sensacionais, eles têm atuações dignas dos grandes filmes, e ainda são acompanhados de um elenco jovem competente. 
Mas quem brilha mesmo é Jennifer Lawrence. Vencedora de um Oscar, a atriz está cada vez mais à vontade com o peso de liderar um elenco tão talentoso, e mostra muita segurança nas cenas mais dramáticas da franquia até aqui.
Por se tratar de um filme incompleto, é preciso aguardar o lançamento da Parte 2 para analisar com mais precisão o final da série. Entretanto, pode-se adiantar sem medo de errar: quem se aventurar por esta história distópica e sombria, não irá se arrepender. 

Depois de tantos anos sem um novo filme nos cinemas, Snoopy, Charlie Brown e toda a turma voltarão às telas em 2015. Peanuts, o novo longa-metragem baseado nos personagens de Charles Schulz, é produzido pelo estúdio Blue Sky, que tem em seu currículo A Era do Gelo e Rio.

Veja o trailer:



Dirigido por Steve Martino (Horton e o Mundo dos Quem) e com roteiro de Craig e Bryan Schulz (filho e neto de Charlie Schulz), Peanuts estreia em novembro de 2015 nos EUA, em comemoração ao aniversário de 65 anos das tiras de Charlie Brown.

No Brasil, teremos que esperar um pouco mais: a estreia está marcada para janeiro de 2016.

Dirigida por Kenneth Branagh (Hamlet, Thor), a nova versão de Cinderela, produzida pela Disney, ganhou seu trailer completo.

Assista:



Lily James vive a nova Cinderela, enquanto Cate Blanchett será a madrasta. Richard Madden, o Robb Stark de Game of Thrones vive o príncipe. Helena Bonham Carter (Clube da Luta, Alice no País das Maravilhas) vive a Fada Madrinha.

O filme estreia em 13 de março de 2015.

Não é todo mundo que vai entender Interestelar (Interstellar, EUA, 2014). O filme de Christopher Nolan (Batman - O Cavaleiro das Trevas, A Origem) é ficção científica da pesada, carregada de referências que remetem à física quântica e nuclear, além de fazer uma homenagem a um dos maiores filmes do gênero: 2001 - Uma Odisseia no Espaço, que já não é um filme fácil.
Mas fique tranquilo. Interestelar não chega a ser tão difícil quanto o clássico de Stanley Kubrick, que era mais filosófico do que qualquer outra coisa. Nolan fez de sua ficção científica um produto palatável para quem torce o nariz para o gênero, ao mesmo tempo em que realizou um filme complexo e extremamente inteligente, visando os fãs de sci-fi mais radicais.
Logo no começo, conhecemos Cooper (Matthew McConaughey) um ex-piloto da NASA que virou fazendeiro depois que toda a iniciativa de exploração espacial deixou de ser parte do orçamento público para dar lugar à pesquisa voltada para o cultivo de alimentos para a população. Ele vive com seus dois filhos e seu sogro (Jon Voight), no que depois descobrimos ser uma terra assolada por pragas que aos poucos foram matando toda cultura agrícola, deixando somente o milho como opção de cultivo. Cooper tem em Murphy, sua filha, um alento. Ela é admiradora de todo o conhecimento acumulado pelo pai, e tem condições de ser uma grande cientista.
Sem poder entregar muitas das surpresas que o filme reserva, posso dizer somente que a trama acaba levando Cooper ao espaço, em uma viagem que pode não ter volta, atravessando um atalho entre galáxias conhecido como "buraco de minhoca" em direção a planetas que possivelmente tenham condições de gerar vida. A jornada de Cooper e seus companheiros cientistas - entre eles Anne Hathaway -, entretanto, não será sem contratempos, mortes e perdas. Atravessará gerações e terá consequências dramáticas para a vida na Terra.
O filme pega teorias mais conhecidas, como a relatividade de Einstein, e mistura com coisas menos famosas e estudadas somente por físicos mais, digamos, "punks", como os buracos de minhoca e as dobras de tempo e espaço no interior de buracos negros.
Christopher Nolan constrói em Interestelar uma obra densa e impactante, um espetáculo inesquecível que tem o poder de deixar o espectador não somente de queixo caído. É capaz de fazer com que o público reflita sobre os rumos percorridos pela humanidade na destruição de seu próprio planeta.

Interestelar (2014) on IMDb

A contagem regressiva está chegando ao fim, bem como a saga que antecede O Senhor dos Anéis. Foi divulgado o último trailer de O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos, terceira parte da trilogia que adapta a obra de J.R.R. Tolkien, novamente dirigida por Peter Jackson.
Assista:



E aí, também está de queixo caído? Então, não se desespere: O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos estreia em 11 de dezembro.
Não é de hoje que o cinema americano e os grandes estúdios descobriram o público cristão como fomentador de sucessos-surpresa e divulgador de filmes com temas religiosos e/ou relacionados à vida cristã. Grandes sucessos têm sido resultado desta "descoberta" que Hollywood fez do público cristão. Entre eles, estão Desafiando Gigantes e Prova de Fogo, ambos dramas produzidos por uma igreja em particular, a Sherwood Church, e distribuídos pela Sony.
Recentemente, minha lista de filmes cristãos assistidos aumentou, ganhando o acréscimo de 3 produções, sendo duas realizadas em 2014 e uma de 2011.

Para descobrir:

Corajosos (Courageous, EUA, 2011) - Dirigido por Alex Kendrick, que também dirigiu os dois filmes mencionados acima, este drama sobre a paternidade é o mais contundente e impactante das obras da igreja Sherwood. O filme mostra quatro amigos, pais e policiais, que têm em comum a lealdade entre si e a fé cristã. Depois que uma perda terrível abate a vida de um deles, eles começam a repensar a responsabilidade que há em ser pai, em ter sob seus cuidados as vidas de outros seres. A partir destas reflexões, Corajosos apresenta episódios marcantes, sempre relacionados com as atitudes que homens de verdade devem tomar perante as adversidades, sem abrir mão da confiança em Deus acima de todas as coisas. Em um dos episódios mais tocantes do filme, o dono de uma fábrica oferece uma promoção a um desses pais, que estava desempregado até pouco tempo atrás; entretanto, para ter a promoção e manter o emprego, ele deve mentir em um relatório da empresa. A atitude deste homem diante de tal pressão é exemplo para todos nós. Corajosos é ousado, ao tomar um outro rumo na discussão de valores, um que não estimula o sucesso a qualquer preço, mas que invoca a responsabilidade que cada um de nós tem na transmissão de princípios eternos, capazes de mudar nossas vidas e plantar boas sementes. Imperdível.

O Céu é de Verdade (Heaven is for Real, EUA, 2014) - Diferente de Corajosos, este não é um filme produzido por uma igreja, mas por Joe Roth, produtor conhecido por seus filmes da Disney, entre outros grandes estúdios. A direção ficou por conta de Randall Wallace, roteirista de Coração Valente. No elenco, nomes conhecidos como Greg Kinnear (Pequena Miss Sunshine), Kelly Reilly (O Voo) e Thomas Haden Church (Sideways - Entre Umas e Outras e Homem-Aranha 3). O filme conta a história de Colton Burpo, um garotinho de 4 anos que, durante uma cirurgia em que esteve à beira da morte, tem uma experiência de visitar o céu e conhecer o próprio Cristo. Ao retornar, ele conta sua história ao seu pai, Todd (Kinnear), um pastor metodista que passa a questionar sua própria fé e o quanto do que sempre pregou é real. Diante do relato do filho, que conta episódios que testemunhou durante sua cirurgia e fala do encontro com pessoas de sua família que já se foram, Todd e sua esposa não sabem como agir, temendo que seu filho seja ridicularizado. Se em alguns momentos o filme carece de ritmo - às vezes parece não saber que história contar ou quando deve haver a mudança de ato no roteiro - a simplicidade com que a história é narrada e a naturalidade com que Colton (Connor Corum) encara sua experiência são tocantes.

Para ignorar:

Deus Não Está Morto (God's Not Dead, EUA, 2014) - Lançado com certo estardalhaço nos cinemas brasileiros, este filme deixou muita gente decepcionada. Estamos falando de uma produção descuidada, preguiçosa e entediante, que em nenhum momento empolga ou faz com que nos importemos de verdade com o que está acontecendo em cena. O filme conta a história de um professor de filosofia, o Sr. Radisson (Kevin Sorbo), que é desafiado em seu primeiro dia de aula por um aluno cristão, que se recusa a assinar um papel em que admite que "Deus está morto". Depois de observar a recusa de Josh (Shane Harper), Radisson resolve permitir que seu aluno defenda seu ponto de vista e tente convencer todos os seus colegas da existência de Deus. O filme parte de uma premissa difícil de acreditar: o fato de que algum professor tente obrigar seus alunos a crer ou deixar de crer no que quer que seja, mesmo que seja em uma classe de filosofia. Além disso, o elenco não nos deixa acreditar em nenhuma palavra que está sendo dita. Como exemplo, basta observar os colegas de classe de Josh. Pouquíssimos deles parecem ter sequer a idade para frequentar a universidade. Esta falta de preocupação com a verossimilhança é vergonhosa, o que faz de Deus Não Está Morto uma espécie de panfleto que tem o efeito contrário do que pretende. Se você quer convencer alguém da existência de Deus, dê de presente qualquer livro de C.S. Lewis, mas nunca, NUNCA, recomende este filme.

Já está no ar o segundo trailer de Êxodo: Deuses e Reis, a visão de Ridley Scott da história bíblica de Moisés, que conduziu o povo hebreu à libertação da escravidão no Egito, nas mãos do Faraó Ramsés.

No elenco, Christian Bale vive o líder que liberta seu povo, enquanto Joel Edgerton é o Faraó. O elenco ainda tem Aaron Paul como Josué, e Ben Kingsley no papel de Nun.

Veja o trailer:


Êxodo: Deuses e Reis estreia no Brasil em 25 de dezembro de 2014.
Depois de emplacar sucessos de bilheteria e crítica com personagens conhecidos e amados por fãs no mundo todo, como Homem de Ferro, Thor, Capitão América e Os Vingadores, eis que a Marvel decide investir em super-heróis quase inteiramente desconhecidos, sendo familiares só para leitores fanáticos dos quadrinhos da editora. São os Guardiões da Galáxia, a equipe de super-heróis cósmicos, responsável por evitar que ameaças contra o universo se concretizem.
Na verdade, Guardiões da Galáxia era uma aposta altamente arriscada da Marvel. Tratava-se de uma reafirmação da força que a marca tem junto ao público. No fim das contas, a aposta deu (muito) certo, já que o filme, dirigido por James Gunn (Seres Rastejantes) é o maior sucesso do ano, habilitando-o a se tornar mais uma franquia do estúdio, tendo já sua sequência agendada para 2017.
Tamanho sucesso é justificado, já que realmente Guardiões da Galáxia traz altas doses de diversão, sendo uma aventura à moda antiga, com muita descontração e uma sensação de déjà vu que aproxima o público do filme. Afinal de contas, não há como não relacioná-lo com Star Wars, em quase todos os elementos: um caçador de recompensas engraçadinho (Peter Quill/Han Solo), um alienígena carismático de linguagem quase incompreensível (Groot/Chewbacca), isso sem falar nos combates espaciais, todas aquelas naves lançando lasers freneticamente, sempre mostrando pilotos heroicos que logo serão mortos de alguma forma.
Mas o ponto forte do filme é, de fato, a diversão proporcionada pela química que há entre os personagens principais. Peter Quill, o Senhor das Estrelas (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Groot (Vin Diesel), Rocket (Bradley Cooper) e Drax, o Destruidor (Dave Bautista) estão em perfeita sintonia e tornam toda a interação entre os heróis muito crível e agradável.
Centrado no personagem de Peter Quill, terráqueo que foi abduzido quando criança em 1988 e vive agora no espaço como um caçador de recompensas, o filme consegue ser coerente ao criar o ambiente para que os personagens se unam e se tornem uma equipe coesa, mesmo começando aos trancos e barrancos - como normalmente começa toda super-equipe dos quadrinhos.
Com Guardiões da Galáxia, a Marvel prova que tem um arsenal de figuras carismáticas e interessantes, e que as usará sempre que precisar reafirmar o poder que sua logomarca tem quando colocada sobre qualquer nome de qualquer filme que for lançar. O estúdio/editora continuará usando e provando sua força nos próximos anos, já que lançará ainda o Homem-Formiga e Doutor Estranho, ambos super-heróis desconhecidos fora dos círculos nerd. Se os filmes continuarem divertidos e com roteiros espertos, o caminho da Marvel é longo - e com quase nenhum percalço.
A primeira impressão é a que conta. No caso dos filmes, essa frase se aplica muito bem. Antes do longa ir para as telas de cinema, ele chega em forma de trailer para os espectadores. Ainda antes disso, em cartaz. Só pela arte podemos conhecer os personagens e cenários principais da trama. Mas antes de se chegar na arte final, o desenho passa por várias mudanças.
O pessoal do Shortlist bolou uma lista com os 10 rascunhos de cartazes mais legais da história.
Confira:
>>> Provavelmente eles não tinham ideia de quão grande Star Wars seria, por isso começaram com um cartaz em preto e branco, bem minimalista. Mas, felizmente, resolveram mudar e colocar muita cor, sabres de luz, Darth Vader e amigos — ou inimigos — no pôster que, com certeza, ficou eternizado na memória de muitos fãs.
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>>> Ok, dá para perceber que são os olhos de Uma Thurman por trás do livro, mas vamos combinar: o sex appeal, a arma e o cigarro combinam bem mais com um filme do Tarantino — neste caso, Pulp Fiction.
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>>> Que tal um boneco pelado preso em um painel em forma de cruz e com uma televisão no lugar da cabeça? Será que alguém assistiria ao filme Laranja Mecânica. Agradecemos que Kubrick mudou de ideia e aceitou a arte final.
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>>> O pôster inicial feito por Saul Bass não foi aprovado pelo diretor Stanley Kubrick. E mais: Kubrick ainda escreveu um comentário chamando o desenho de “irrelevante” e que o título estava muito pequeno.
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>>> Podemos dizer que 99% do cartaz inicial foi modificado. O 1% que sobrou está na conta da linha fina, que permaneceu com a mesma fonte. O bar, a ponte, a luz verde e as outras pontes no meio do rio sumiram.
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>>> O nome do filme é Lunar e, por isso, quiseram colocar o cara dentro da lua no cartaz. Provavelmente acharam too much e optaram pelo minimalismo do preto e branco com linhas.
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>>> Um desenho pincelado com as cores da bandeira britânica não se encaixou muito bem no filme A Dama De Ferro. Então, acharam melhor uma foto da atriz principal, Meryl Streep, com a silhueta de Westminster crescendo da cabeça dela.
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>>> O designer John Alvin criou mais de cem pôsteres até 2007, ano anterior a sua morte. Ele foi responsável pelo cartaz de Jurassic Park.A ideia inicial era ter todos os pernsonagens principais entre duas pilastras, com o T-Rex no meio deles em forma de trovão. Genial! Pena que Steven Spielberg não gostou e pediu pra trocar por algo mais simples.
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>>> Ver esse primeiro esboço do cartaz de Batman dá até vontade de rir. O um cara mascarado voando passou para o símbolo pelo qual o super herói é conhecido.
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>>> O pôster de A Origem passou da cidade como personagem principal para “pessoas são os personagens principais”. Mas a ideia da cidade invertida/de lado/ de cabeça pra baixo continuou desde o começo e Leo Dicaprio ganhou um foco maior.
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Dois dançarinos brasileiros discutem a relação momentos antes de entrar no palco do Theatro Municipal. Essa foi a história escolhida por Carlos Saldanha para seu primeiro filme com atores, que faz parte do longa Rio, Eu Te Amo. Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer dão vida aos personagens que entram em conflito após o dançarino receber um convite para fazer parte de uma companhia de dança fora do Brasil. Em nova pílula, disponível no vídeo abaixo, o diretor explica um pouco mais sobre a história intitulada “Pas de Deux”. “Eu queria uma coisa bem brasileira, mas uma coisa mais erudita, uma coisa diferente que funcionasse para o Theatro Municipal”. Saldanha optou por utilizar um jogo de luzes para brincar com as imagens dos dançarinos.

Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer contam ainda como foi elaborada a coreografia, filmada no próprio Theatro Municipal. “A gente filmou em cima do palco, que é o lugar mais sagrado”, afirma Bruna. “(A coreografia) tem um paralelo muito interessante com a dança e o que os personagens sentem”, completa Santoro. O vídeo também mostra o depoimento da bailarina Cassi Abranches, que desenvolveu os passos executados por Bruna e Rodrigo. “A sutileza da música me fez pensar em uma bailarina que quase voasse”, finaliza ela.

Com estreia marcada para 11 de setembro, Rio, Eu Te Amo conta histórias de amores passageiros, eternos, em crise, amargos ou repletos de ternura. Para celebrar o amor no Rio, o longa reúne 26 estrelas nacionais e internacionais, entre elas, Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Vincent Cassel, Jason Isaacs, Cláudia Abreu, John Turturro, Emily Mortimer, Marcelo Serrado, Harvey Keitel e Vanessa Paradis, entre muitos outros. Produzido pela Conspiração Filmes, Empyrean Pictures e BossaNovaFilms, Rio, Eu Te Amo é o filme brasileiro da franquia "Cites of Love", que já retratou Paris e Nova York. Além do longa-metragem, foi criado um movimento de amor ao Rio chamado #RIOEUTEAMO que incentivou os amantes da cidade a se mobilizarem em intervenções e eventos.


Sempre que um romance é incensado pela crítica e se torna sucesso de vendas, o olhar de quem é leitor inveterado se volta para este livro. Foi o que aconteceu comigo, em relação a A verdade sobre o caso Harry Quebert, do autor suíço Joël Dicker, que é um dos romances franceses mais vendidos da década, tendo sido premiado por toda a Europa. Lançado recentemente no Brasil pela editora Intrínseca, o livro é uma trama policial, mas também pretende ser uma história de amor e uma sátira ao universo editorial.
A história é narrada, em sua maior parte, por Marcus Goldman, um escritor que obteve sucesso logo em seu romance de estreia, fazendo com que assinasse um contrato de mais cinco livros com uma grande editora novaiorquina. O problema é que Goldman está acometido pelo mal dos escritores: o bloqueio criativo. Nada do que ele escreve vale qualquer nota, o que o faz duvidar de seu próprio talento para as letras. Na tentativa de renovar as forças e recuperar o dom de escrever, ele decide procurar seu antigo mentor, um escritor renomado há 30 anos e que foi seu professor na universidade. Seu nome é Harry Quebert. O mentor vive em Aurora, uma pequena cidade praiana em New Hampshire, e é lá que Marcus tentará resgatar o que perdeu. Mas o jovem é surpreendido quando fica sabendo que o corpo de uma adolescente é encontrado enterrado no jardim de Quebert. E mais: a adolescente, Nola Kellergan, fora dada como desaparecida há mais de 30 anos, e havia tido um caso de amor com o próprio Harry, quando este tinha cerca de 30 anos, e ela somente 15. Não é surpresa nenhuma quando Quebert é acusado de ter assassinado a garota e enterrrado-a em seu próprio jardim.
Colocado em pleno olho do furacão, Marcus resolve investigar por conta própria o caso, principalmente depois que seu amigo se declara inocente, afirmando ter amado aquela jovem.
A partir daí, Joël Dicker traça uma trama que ganha força especialmente quando narra a investigação empreendida por Goldman, nos momentos em que interroga todas as pessoas a fim de reconstituir todos os fatos que levaram à morte de Nola Kellergan, em 30 de agosto de 1975. Cada nova peça do quebra-cabeça é muito bem apresentada, sempre levando a novas pistas que, muitas vezes, acabam enganando o leitor.
Quando, todavia, Dicker investe em tentar criar uma história de amor dessas arrebatadoras, se perde terrivelmente, criando diálogos pouco críveis, repletos de exclamações seguidos de interrogações, frases que parecem ter sido retiradas de romances baratos estilo Harlequin, e uma pretensão tremendamente cansativa. O tal "livro-dentro-do-livro" na obra é tão denso quanto um tuíte da Dilma Bolada, fazendo com que seja impossível acreditar que o romance que Quebert escreveu sobre seu relacionamento com Nola pudesse ser realmente um sucesso incomparável, estudado nas universidades e adotado por todas as bibliotecas americanas.
Ainda assim, eu não abandonei a leitura. Segui em frente, e fui agraciado com reviravoltas impressionantes e inteligentes, frutos da habilidade que Dicker tem em criar tramas policiais que não devem em nada aos grandes clássicos do gênero. É aí que o autor tem seu ponto forte. Da mesma forma, ao retratar o mundo de pressões do mercado editorial - Goldman tem seu editor em sua cola, ameaçando processá-lo caso não entregue um novo livro dentro do prazo previsto - o autor consegue emplacar ótimos diálogos e ideias interessantes, enriquecendo a experiência de chegar ao fim de A verdade sobre o caso Harry Quebert.
No fim, o que fica é um bom romance policial, uma história de amor sem graça e alguns ótimos momentos dignos de uma boa tarde no sofá.
Todo ano é a mesma coisa. As redes de televisão lançam séries novas, sendo que uma boa parte delas não vingará, enquanto outras serão meras coadjuvantes na guerra pela audiência. Mas há aquelas que ganharão espaço a cada episódio, sendo renovadas a cada nova temporada, até enfim arrebatar o público.
O PopCineMais selecionou algumas dessas séries, para você descobrir e aproveitar. Vamos a elas:

The Knick 

ONDE ASSISTIR: Canal Max, Todas as sextas-feiras, às 21h.

O QUE É: O cotidiano de um hospital nova-iorquino em pleno ano de 1900, sob o ponto de vista de seu médico-chefe, John Thackeray (Clive Owen), um homem obstinado e apaixonado pela medicina, que faz do hospital Knickerbocker (ou somente "The Knick") seu local de experiências para o aperfeiçoamento de seu ofício, em um tempo em que ainda não existiam remédios como antibióticos e outros avanços da ciência.

POR QUE ASSISTIR: The Knick é uma produção de Steven Soderbergh (Traffic, Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento), que também dirigiu o episódio-piloto, e conta com um belíssimo trabalho da direção de arte na reconstituição da estranha Nova York da aurora do século 20. A série também conquista a atenção ao mostrar, sem censura, toda a sanguinolência das cirurgias feitas na época. Não há filtros, parece, e o realismo dos procedimentos pode fazer com que pessoas de estômago mais fraco, às vezes, desviem o olhar. Clive Owen, no papel do brilhante médico-chefe viciado em cocaína, está visceral e contundente, mas o restante do elenco também aparece muito bem, com destaque para André Holland, como o Dr. Algernon Edwards, o primeiro cirurgião negro do hospital, que luta para ser aceito em meio a uma América que ainda não teve as feridas da escravidão e do racismo cicatrizadas. A trilha sonora, composta por Cliff Martinez, é um show à parte, usando sintetizadores para criar uma atmosfera hipnotizante, contribuindo para que a série seja ainda melhor.

The Strain

ONDE ASSISTIR: Ainda não há previsão de estreia no Brasil.

O QUE É: Um avião aterrissa em Nova York, aparentemente com todos os seus passageiros e tripulantes mortos. O investigador do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Ephraim Goodweather (Corey Stoll, de House of Cards), é chamado para averiguar a possibilidade de uma contaminação na aeronave, e constata que uma doença misteriosa foi a responsável pelo evento, que deixou quatro sobreviventes. No entanto, este é somente o começo do episódio-piloto. A trama segue mostrando uma terrível conspiração para transformar todos os Estados Unidos em uma grande nação de sugadores de sangue. No final das contas, The Strain é uma série de vampiros, baseada nos livros escritos por Guillermo Del Toro e Chuck Hogan. O programa é uma homenagem a Drácula, o romance clássico de Bram Stoker, com os dois pés na modernidade e uma boa dose gore, produzida por um Guillermo Del Toro em pleno auge de seu talento. 

POR QUE ASSISTIR: Alguns dos motivos já estão aí em cima, mas também você deve querer ver se gosta de histórias de vampiros, em um misto de terror gore, suspense e drama familiar. Isso sem falar que é uma série do Guillermo Del Toro, o gênio da cultura pop por trás de obras-primas como O Labirinto do Fauno e Círculo de Fogo!

The Last Ship

ONDE ASSISTIR: Canal TNT, todas as segundas-feiras, às 23:20.

O QUE É: Uma terrível pandemia mata a maior parte da humanidade impiedosamente. A esperança está a bordo de um navio de guerra da marinha americana: uma cientista epidemiologista, a dra. Rachel Scott (Rhona Mitra), a única pessoa capaz de buscar uma vacina para o vírus. O navio em que ela se encontra é comandado por Tom Chandler (Eric Dane), um militar linha-dura, excelente estrategista, que vê seu navio como um dos últimos refúgios do mundo livre do vírus, isso porque estava em uma missão no ártico quando a doença eclodiu e se espalhou. Mas o vírus não é o único inimigo que terá de enfrentar. Há adversários espalhados pelos oceanos do mundo, terroristas que se veem sem prisões, militares megalomaníacos sem governo, e sabe-se lá o que mais que pode aparecer.

POR QUE ASSISTIR: The Last Ship não é um primor de narrativa, tampouco tem algum resquício de genialidade ou originalidade. Mas, como produto de entretenimento, faz sua parte brilhantemente. Produzida por Michael Bay (Transformers, Armageddon), as explosões, cenas de ação de tirar o fôlego e muita testosterona estão garantidas. Cada episódio parece bem delineado, com começo, meio e fim, sempre surgindo algum obstáculo novo para a tripulação do navio, algo que ameaça não somente a sobrevivência dos marinheiros a bordo, mas também a última esperança que a humanidade possui de se ver livre da pandemia. Mesmo com episódios aparentemente fechados, sempre há algum elemento que aprofunda a história da origem da doença e dos interesses envolvidos em vê-la se espalhar pelo planeta. Uma boa pedida para uma despretensiosa noite de segunda-feira. Afinal de contas, um pouco de diversão não faz mal a ninguém.
De vez em quando isso acontece: um livro se torna uma febre, arrebata multidões de leitores e vai parar em Hollywood, normalmente em um filme inferior que se aproveita dos fãs para fazer sucesso nas bilheterias. Com A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars, EUA, 2014), somente o começo dessa história é assim. Digo isso porque o filme de Josh Boone é uma obra séria e emocionante, que faz jus a todo o barulho feito pelos fãs do romance de John Green.
O filme conta a história do amor vivido por Hazel Grace (Shailene Woodley, nova estrela do cinema) e Augustus (Ansel Elgort), dois jovens que se conhecem por terem em comum a convivência com algum tipo de câncer - eles frequentam o mesmo grupo de apoio a portadores da doença. Apesar da fragilidade na saúde, os dois têm um bom humor e uma forma de ver a vida como só quem está à beira da morte o faz.
A química entre os atores é o ponto forte do filme; Shailene Woodley parece nascida para o papel, e sua naturalidade impressiona mesmo quem já a conhecia por seu papel de filha de George Clooney em Os Descendentes, pelo qual foi até indicada ao Oscar. Ansel Elgort tem todas as qualidades que podem fazer dele um astro, e as utiliza sem nenhum receio. O casal de protagonistas assume com maestria o peso de estampar cada cartaz e peça publicitária da produção, bem como quase todas as cenas do filme. Parecem flutuar em frente às câmeras, mesmo nas sequências mais tristes e lacrimosas.
O elenco de apoio, entretanto, parece meio solto e descuidado, especialmente os atores mais experientes, que são Willem Dafoe (o Duende Verde de Homem-Aranha) e Laura Dern (Jurassic Park). Esta última, especialmente parece reprisar sua personagem da série Enlightened, só que mais amorosa; Dafoe aparece pouco como o irritante autor-ídolo do casal, mas tem uma participação fundamental, principalmente no estabelecimento do principal lema do filme: "Alguns infinitos são maiores que outros".
Quando sobem os créditos, A Culpa é das Estrelas deixa na gente uma sensação de urgência em relação a quem se ama, como se cada minuto fosse precioso e devesse ser aproveitado ao máximo, ao lado da pessoa amada. Além disso, a adaptação, como o livro original, levanta questões interessantes sobre a constante presença da morte em nossas vidas, com doenças ou não.
Enfim, um filme que pode ser desfrutado e apreciado, mesmo que no final você venha a chorar um bom bocado de lágrimas.

A Culpa é das Estrelas (2014) on IMDb
Trash: A Esperança Vem do Lixo é o novo filme do diretor Stephen Daldry (Billy Elliot, O Leitor), com o roteiro escrito por Richard Curtis (Simplesmente Amor, Questão de Tempo), baseado no livro homônimo de Andy Mulligan. Na trama, três crianças de rua do Rio de Janeiro encontram em um lixão uma sacola de couro com dinheiro, um mapa e uma chave. Na tentativa de fazer a coisa certa, acabam virando alvo de uma perseguição que pode envolver a polícia, políticos e outras pessoas poderosas.
O filme foi inteiramente rodado no Rio de Janeiro e é uma produção da Working Title, empresa britânica que já lançou filmes de sucesso, como Simplesmente Amor, Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, só para citar alguns.
No elenco estão Martin Sheen (o tio Ben de O Espetacular Homem-Aranha) e Rooney Mara (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres), encabeçando o cartaz internacional do filme, além dos atores brasileiros Wagner Moura, Selton Mello e André Ramiro, em papéis de importância na história.

Confira o trailer:



Trash: A Esperança Vem do Lixo ainda não tem previsão de estreia, mas já desperta algum interesse, especialmente pelo fator inusitado da trama, que parece ser uma história do estilo caça ao tesouro, passada em pleno cenário carioca.

[Atualização em 21/08/2014] A estreia nacional do filme será em 09 de outubro.
Não é de hoje que Kate Winslet nos concede atuações marcantes e impressionantes, humanas e vibrantes, tocantes e intensas. São tantos os adjetivos, você pode pensar, mas são o bastante para qualificar o quanto a atriz inglesa preenche cada fotograma em que está presente com seu talento que parece não cessar. Já em Titanic (1997), nenhuma crítica negativa mencionava algo que riscasse o trabalho de Winslet no papel da protagonista do romance trágico.
Em Refém da Paixão (Labor Day, EUA, 2013), Kate volta a fazer o papel de uma mulher abalada pelas circunstâncias em que se encontra. Adele, sua personagem, é uma mãe depressiva, que depois de ser abandonada pelo marido (Clark Gregg), só não mergulha definitivamente na tristeza plena por causa do filho, Henry (Gattlin Griffith, o filho perdido de Angelina Jolie em A Troca). É o filho quem a mantém ligada ao mundo real, ao cuidar da casa assumindo o papel que seria de um esposo. No entanto, ele sabe que há coisas que um filho não pode fazer no lugar de um marido.
No final de semana de feriado prolongado do Labor Day, o Dia do Trabalho americano, mãe e filho vão às compras mensais - único momento em que os dois saem de casa juntos. Inadvertidamente, são abordados por um homem estranho, Frank (Josh Brolin), que intimida Adele a lhe dar uma carona e levá-lo para a casa deles. O que irão descobrir logo depois, é que Frank é um fugitivo da prisão, condenado a 18 anos por assassinato. O homem age de maneira gentil e tranquila, determinado a permanecer fora da prisão, e trata seus reféns naturalmente, sem agredi-los ou ameaçá-los. Ele decide passar a noite na casa da família, e a noite acaba se estendendo por todo o final de semana. Nesses três dias, a vida de Adele e Henry irá mudar radicalmente.
Sem um homem adulto para fazer o papel de pai, Henry logo vê em Frank alguém a quem admirar, ainda mais depois de observar como Frank ajuda a cuidar das coisas em casa, consertando tábuas soltas, trocando o óleo do carro da mãe e, principalmente, cozinhando como um verdadeiro chef, preparando coisas deliciosas e surpreendendo a todos.
Se, a princípio, a presença de Frank em casa não causa nada além de tensão e sentimento de perigo iminente, posteriormente o fugitivo conquistará não só a confiança dos reféns, mas também o amor de Adele. Um amor arrebatador, diga-se de passagem.
Dirigido por Jason Reitman (Amor Sem Escalas, Jovens Adultos, Juno), o romance é feliz em construir a maneira como Adele e Frank se apaixonam. Nada acontece furiosamente ou, acredite se quiser, subitamente. Tudo parece natural, e o filme jamais se envereda por uma trilha sonora lacrimosa ou cenas de apelo emocional fácil. E lá está Kate Winslet, mais uma vez entregando uma atuação digna de premiações ou, no mínimo, da admiração constante de quem ama cinema e tem saudades de divas da categoria de Katherine Hepburn e Judi Dench.