Se só uma palavra fosse necessária para descrever Star Wars: O Despertar da Força, esta seria ÉPICO. Quando vemos os créditos finais do filme mais esperado e comentado do ano, qualquer temor de que a aventura fosse ruim já ficou para trás há bastante tempo. No meu caso, este temor se dissipou logo nos primeiros minutos, quando ficamos sabendo qual é o centro da trama deste episódio VII: a busca por Luke Skywalker, desaparecido há vários anos.
Logo que a Disney anunciou a compra de todo o espólio de Star Wars - por 4 bilhões de dólares - os fãs ficaram enlouquecidos com a notícia de que uma nova trilogia seria produzida, que esta se passaria anos após o episódio VI e não teria o envolvimento de George Lucas. Se houve temor de que a coisa toda acabasse em um fracasso retumbante, isso se devia ao fato de que foi justamente a trilogia-prelúdio de Lucas - especialmente o episódio I - que quase arruinou com toda a magia e afeto pelos filmes clássicos, desenvolvidos pelos fãs durante anos de paixão absoluta. Aquela trilogia que contava a origem de Darth Vader, felizmente, sequer é mencionada no episódio VII. Méritos de J.J. Abrams (diretor e roteirista), Lawrence Kasdan e Michael Arndt (roteiristas), que tinham plena consciência da importância da trilogia clássica na construção de tamanha devoção em torno da franquia. Sabendo da necessidade de agradar fãs antigos e atrair novos admiradores para a saga, os roteiristas conseguiram dosar pequenos presentes que só quem conhece os episódios anteriores entenderá, com elementos novos, personagens originais e uma história que segue padrões consagrados nas maiores odisseias da cultura universal, que tornam possível para qualquer pessoa compreender e apreciar a qualidade do filme e, definitivamente, se divertir muito.
Os protagonistas são Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega), ela uma catadora de sucata, ele um ex-stormtrooper em fuga, que acabam se encontrando em circunstâncias que os levarão ao fogo cruzado entre a Primeira Ordem, representada pela figura maligna de Kylo Ren (Adam Driver) e pelo General Hux (Domhnall Gleeson), e a Resistência, sob o comando da General Leia Organa (Carrie Fisher), que 30 anos depois da Batalha de Endor em O Retorno de Jedi, tem uma história de amor interrompida com Han Solo (Harrison Ford). Em posse de informações importantes que podem mudar o rumo da galáxia, os dois novos heróis irão descobrir que seus destinos podem ser muito maiores do que eles pensavam.

Star Wars trata da jornada do herói, um tema recorrente na cultura de quase todos os povos e sociedades. Não poderia ser diferente nesta retomada da série. E é justamente essa jornada que fascina e transmite honestidade e paixão para o público. Tal paixão pode ser percebida na escolha de Abrams de utilizar efeitos práticos na maior parte das cenas. Quase tudo o que se vê na tela está realmente lá: cenários, robôs, personagens alienígenas, tudo palpável, concreto, verdadeiro. O trabalho com os efeitos sonoros também é notável: quando os sabres de luz tocam a neve, ou quando Chewbacca instala uma bomba em uma instalação inimiga, os sons que se ouve são um toque a mais na construção de um filme que remete às melhores aventuras que o cinema nos proporcionou - um filme que é puro cinema.
E, por falar em Chewbacca, os personagens clássicos são parte importante da trama, no que é quase uma cerimônia de troca de guarda: os antigos passam o bastão aos novos. Talvez por causa disso é que Star Wars: O Despertar da Força seja tão emocionante para os fãs antigos. Talvez, também, seja este o motivo que faz do filme uma ponte que segue unindo gerações de apaixonados pela maior saga que o cinema já nos deu.
Agora, não tem volta. Star Wars volta a assumir seu papel de filme de verão: honesto, divertido, brilhante, aventuresco, engraçado e muito emocionante. Os outros filmes que corram para chegar perto da criação máxima de George Lucas.

Star Wars: O Despertar da Força (2015) on IMDb
Um dos maiores filmes dos anos 1980, Paris, Texas (1984, Alemanha/França/Reino Unido/EUA) é um verdadeiro tesouro cinematográfico. Com esta obra e Asas do Desejo, o cineasta Wim Wenders registrou seu nome entre os grandes diretores de todos os tempos, ao lado de Ingmar Bergman, Federico Fellini, Charles Chaplin e Francis Ford Coppola, entre outros. Com um início intrigante e um final tocante sem jamais ser piegas, Paris, Texas deixa marcas em todos os que sabem apreciar bom cinema.
Quem é aquele homem magro e pálido caminhando em pleno deserto Mojave, nas conhecidas planícies do Texas? Sem memória e sem falar nada, ficamos sabendo que o homem é Travis (Harry Dean Stanton), alguém que já teve família, com esposa e filho, mas agora vaga sozinho e silencioso pelos lugares mais isolados do país. A figura misteriosa e de passado nebuloso acaba sendo encontrado por seu irmão, Walt (Dean Stockwell), que juntamente com a esposa Anne (Aurore Clément) assumiu a tarefa de criar seu filho, Hunter (Hunter Carson). Os dois têm feito isso há 4 anos, desde que ambos os pais do menino simplesmente desapareceram, após circunstâncias só explicadas ao final do filme. Agora, depois de reunido com o filho, Travis precisa reaprender a conviver com sua família e ainda fazer as pazes com seu passado, algo que só acontecerá quando ele reencontrar sua esposa, Jane (a exuberante Nastassja Kinski). A cena em que Travis relata sua jornada recém-lembrada à esposa é um daqueles momentos sublimes do cinema moderno: antológica e carregada de significado. Brilhante.
Paris, Texas é um filme de reencontros e despedidas. Wim Wenders, em perfeita sintonia com o roteiro de Sam Shepard (Bloodline), tem a habilidade de criar uma obra que exala emoções genuínas, sem agredir a tela com atuações exageradas e fora de tom. Aliás, o filme está longe de ser exagerado. O ritmo é lento e tranquilo, o que ajuda na criação do clima de reaproximação com a vida, vivido por Travis. A trilha sonora, composta por Ry Cooder é perfeita neste sentido: climático e provocativo, o som da slide guitar do compositor forma a última peça do quebra-cabeça de um filme perfeito.


Depois de muita ansiedade e expectativa, finalmente a Marvel liberou o 1º trailer de Capitão América: Guerra Civil, filme que vai colocar os principais personagens do Universo Cinematográfico Marvel uns contra os outros. Assista:




Dirigido pelos mesmos caras que fizeram O Soldado Invernal, Joe e Anthony Russo, Guerra Civil tem praticamente o mesmo elenco de Vingadores: A Era de Ultron, menos o Hulk. Além desses, há ainda aparições de Pantera Negra (Chadwick Boseman), Homem-Aranha (Tom Holland), Sharon Carter (Emily Van Camp), Ossos Cruzados (Frank Grillo), Barão Zemo (Daniel Brühl), e do General Thaddeus "Thunderbolt" Ross (William Hurt).

A guerra tem início em 2016.

Se há um único fator que faz da franquia Jogos Vorazes uma parte importante da história do cinema, é o fato de ser uma série inicialmente feita para o público adolescente, mas que soube dialogar com todo tipo de gente, de todas as idades, sem subestimar a capacidade de raciocínio de ninguém. Ainda que Em Chamas, a segunda parte da trama seja superior a todos os outros filmes da saga, A Esperança - O Final (The Hunger Games: Mockinjay - Part 2, EUA, 2015) soube encerrar a história com competência e vigor, mesmo com a derrapada otimista dos últimos minutos.
A saga de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é dolorosa, sofrida e hesitante. A heroína relutante que protagoniza a série tem menos heroísmo e muito mais sentimento de culpa, o que a coloca como uma personagem diferente de outras heroínas e heróis que o cinema tem visto nos últimos 20 anos, com o surgimento do gênero "super-herói" e o retorno do subgênero oitentista "exército de um homem só". É reconfortante ver uma heroína que, meio por acidente, se torna um ícone para uma multidão de pessoas escravizadas por uma ditadura cruel e sanguinária.
Também é alentador observar uma mulher protagonista que não está nem aí para seus interesses amorosos, a ponto de trocar de parceiro a cada novo fotograma. Não, Katniss não é uma mocinha nos moldes dos antigos filmes de aventura e de ficção científica. Ela é forte e corajosa, sente culpa ao ver gente morrendo por acreditar nela e no que ela representa. É um ser humano de verdade, mesmo com aquelas habilidades com o arco no nível "Arqueiro-Verde-Encontra-Gavião-Arqueiro".
O Final é um filme melhor que sua Parte 1, mas ainda peca em algumas situações bastante prosaicas, aparentemente colocadas na edição final para agradar as fãs adolescentes carentes de romances desde o fim da franquia água-com-açúcar Crepúsculo: estou falando da cena patética em que Gale (Liam Hemsworth) e Peeta (Josh Hutcherson) conversam sobre quem deve ficar com a garota, não sem que Katniss ouça tudo. Mesmo em meio à guerra e à tensão presente em toda parte, os rapazes encontram espaço para debater assuntos do coração? Desnecessário e ridículo.
Ainda bem que o restante do filme mantém o clima de arena presente nos dois primeiros filmes. Embora desta vez não haja um jogo propriamente dito, os obstáculos criados pelos idealizadores para servirem como armadilha para os rebeldes na invasão da Capital são muito convincentes e até assustadores. Os bestantes, seres humanos desfigurados e desprovidos da luz do sol por anos a fio que se assemelham a monstros enlouquecidos, enviados para impedir o avanço do grupo de Katniss, são pavorosos (no bom sentido) e proporcionam as melhores sequências do filme.
Também o clímax, em que Katniss caminha para executar o Presidente Snow, é sombria e determinante para a colocação da personagem no panteão dos grandes heróis do cinema.
O saldo final, então, é positivo. Há perdas terríveis, vitórias em batalha que mais parecem derrotas, mas assim é a guerra. E Jogos Vorazes: A Esperança - O Final é assim: um bom exemplo de como se faz uma verdadeira ficção científica distópica no século 21.
Doloroso. Um soco no estômago. Assim está sendo descrito 'Beasts of No Nation', o primeiro filme original do Netflix, que foi lançado simultaneamente nos cinemas americanos e globalmente no serviço de streaming. 

Se a descrição parece exagerada, isso só se justifica para quem não viu ao filme, um drama de guerra dirigido por Cary Joji Fukunaga (Jane Eyre, True Detective 1ª Temp.), que explora a triste realidade dos meninos-soldados recrutados para servir a grupos paramilitares em diversos países africanos. Tais meninos passam por um processo de lavagem cerebral e se tornam verdadeiros carniceiros, sedentos por sangue e vingança contra qualquer ser vivo que não faça parte de seu grupo. Agu (o estreante Abraham Attah), é um desses meninos. Diante da trágica perda de sua família - seu pai e irmão mais velho foram assassinados e sua mãe e irmãzinha estão desaparecidas - Agu vaga pela selva de um país africano até ser acolhido por um líder paramilitar carismático e misterioso (Idris Elba, em atuação assustadora), que utiliza técnicas de persuasão com cunho esotérico e sobrenatural para convencer seus soldados (muitos deles meninos) de que o inimigo pode ser qualquer um. Com o tempo, Agu passa a ser um assassino impiedoso, obcecado em encontrar a mãe perdida e, talvez, ter de volta sua infância interrompida.

O diretor Cary Fukunaga não poupa a plateia de cenas extremamente chocantes e repletas de uma violência gráfica que talvez não existiria se o filme fosse distribuído por algum grande estúdio de Hollywood. Mas a violência não é gratuita, em nenhum momento. Trata-se de algo necessário para estabelecer o clima de desolação e perda em que vivem os meninos-soldados, bem como seu carismático líder. Quando chega ao fim, 'Beasts of No Nation' não só é capaz de provocar lágrimas amargas, mas também pode suscitar uma reflexão profunda sobre essas crianças que foram impedidas de viverem sua infância como deveriam: com amor, alegria e esperança.

Triste, doloroso, mas necessário.
No cinema, como nos quadrinhos, a Marvel chegou a um ponto em que não tem mais nada a provar. Conseguiu emplacar personagens completamente desconhecidos, como em Guardiões da Galáxia, e superou a barreira do bilhão de dólares nas bilheterias um bocado de vezes. Mas em um mercado tão competitivo como é o cinema comercial, é preciso saber se manter no topo. Em 2015, o estúdio conseguiu êxito de bilheteria na sequência Os Vingadores: A Era de Ultron, mas é com Homem-Formiga que a Casa das Ideias alcança o perfeito equilíbrio entre sucesso de público e aceitação junto à crítica.
O personagem é de suma importância nos quadrinhos, pois fez parte da formação original dos Vingadores e tem sido elemento fundamental em várias histórias da editora ao longo dos anos, como Os Supremos, que é uma releitura dos "Heróis mais poderosos da Terra". Ainda assim, o herói nunca emplacou um título-solo por muito tempo, tendo suas séries constantemente canceladas por causa das baixas vendas. Nada disso desencorajou o Marvel Studios na empreitada de realizar um filme especialmente para ele.
O resultado, ainda bem, é animador. Homem-Formiga é divertido, engraçado e tem ação na medida certa, sem jamais tentar subestimar o público ou reduzir a trama a uma série de explosões desnecessárias. Scott Lang (Paul Rudd) é um ladrão "do bem", cujo crime foi o de invadir o sistema bancário de uma megacorporação e distribuir sua grana a vítimas da ganância de capitalistas malvados. Fora da prisão, ele precisa recuperar a confiança da ex-esposa para voltar a ter o direito de visitar sua filhinha, que o tem como herói. Tudo o que ele consegue, entretanto, é um sofá na casa do melhor amigo, Luís (Michael Peña), seu parceiro em projetos criminosos do passado. Para resumir tudo, basta dizer que Scott é recrutado por Hank Pym (Michael Douglas) - um cientista brilhante que inventou um traje capaz de miniaturizar quem o vestir -, para invadir sua antiga companhia e impedir que uma versão mais moderna do traje seja comercializado como uma arma por seu antigo pupilo, Darren Cross (Corey Stoll).
Com roteiro escrito por Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso) e Joe Cornish (Ataque ao Prédio), e adaptado por Adam McKay e Paul Rudd para se integrar ao Universo Cinemático Marvel, Homem-Formiga é um filme de assalto que aproveita elementos narrativos do gênero super-heróis para criar uma atmosfera bem diferente, em se tratando de personagens com super-poderes. O bromance característico das comédias com Paul Rudd (e também nos filmes-homenagem do próprio Edgar Wright, como Heróis de Ressaca) é uma das coisas mais legais do filme, que não deixa de lado toda a realidade do universo em que está inserido: as referências aos eventos de A Era de Ultron estão todas lá, bem como a cena pós-créditos que interliga o filme com o futuro Capitão América: Guerra Civil. Há momentos excelentes, como a sequência que mostra o treinamento de Scott para usar o traje, ou a cena em que o herói se reduz ao nível subatômico. Há ainda o achado que é o personagem de Michael Peña, como o alívio cômico do filme: Luís é hilário e rende muitas gargalhadas no cinema.
Homem-Formiga é uma aposta arriscada da Marvel, que entra em sua terceira fase com o objetivo de se manter no topo do Olimpo do cinema, sem abrir mão de roteiros de qualidade e atraentes a público e crítica.
A vida é preciosa, e as lembranças proporcionadas por ela, o são ainda mais. Esta é uma das lições deixadas por Para Sempre Alice (Still Alice, EUA, 2014), um dos filmes mais belos, tristes e emocionantes que você verá este ano - ou em qualquer ano. Julianne Moore é Alice Howland, uma renomada professora de linguística da Universidade de Columbia e uma premiada autora de livros acadêmicos, que é diagnosticada com o Mal de Alzheimer, de um tipo raro da doença, desenvolvida precocemente - Alice tem somente 50 anos - e transmitida por via genética, o que é ainda mais raro.
Sua condição se deteriora rapidamente, e Alice se encontra em uma situação para a qual ninguém jamais estará preparado: a perda, não somente da memória, mas também da capacidade de levar um raciocínio até o fim.
Os diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland retratam o desaparecimento da mente de Alice em tons de amarelo, por vezes levemente desfocados, o que causa, em alguns momentos, algum desconforto à audiência. Ainda assim, a jornada de Alice rumo ao esquecimento está recheada de emoções de toda sorte: há o desespero de lutar contra um inimigo que já venceu, a gratidão por uma vida bem vivida, a dor de descobrir que as coisas estão invariavelmente perdidas, o amor das pessoas que de fato interessam, e a ternura encontrada nas atitudes dessas pessoas.
Enquanto o marido, vivido por Alec Baldwin, não sabe como lidar sabiamente com a condição de sua esposa, a presença dos filhos (Kate Bosworth, Hunter Parrish e Kristen Stewart) traz conforto a um drama que, nas mãos de algum diretor inepto, poderia se tornar em um festival de lágrimas forçadas. As lágrimas podem até vir, mas não são fruto de uma trilha sonora melodramática ou das famosas últimas palavras no leito de morte.
Depois de ver Para Sempre Alice, só um pensamento me vinha à mente: como pode Julianne Moore só ter recebido o Oscar de melhor atriz agora? Não somente ela tem uma carreira excepcional, cheia de papéis marcantes (As Horas, Ensaio Sobre a Cegueira), como também possui um repertório enorme de perfis possíveis para personagens os mais variados. Sua atuação aqui não é menos do que brilhante. A atriz sabe alternar os dias bons e ruins, tão comuns em pessoas nos estágios intermediários de Alzheimer, de maneira a nos convencer de que ela sabe o que está fazendo. Duas cenas em particular são as mais notáveis: quando ela conta ao marido sobre a suspeita de possuir a doença, e quando ela discursa em uma sociedade de portadores de Alzheimer; sua luta para chegar até o fim de um discurso tão duramente preparado sem se repetir ou se perder na leitura é, sem dúvida nenhuma, um daqueles momentos antológicos, pequenas preciosidades que constituem a beleza do cinema. Para Sempre Alice certamente irá tocar o seu coração.

Para Sempre Alice (2014) on IMDb
Não é tarefa fácil dar prosseguimento a uma série querida por milhões de pessoas em todo o mundo, ainda mais se o cara que originou tanto afeto foi Steven Spielberg. Mas se tem uma coisa que se pode falar sobre Spielberg, é que o cineasta é generoso. Não é a primeira vez que ele lança um novo diretor, basta lembrarmos de Robert Zemeckis e Joe Johnston, ambos cineastas que tiveram seus primeiros filmes apadrinhados pelo mestre. Em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World, EUA, 2015), o afilhado da vez é Colin Trevorrow, que já mostrou seu talento como diretor independente em Sem Segurança Nenhuma, de 2012, mas aqui ganha a chance de estar pela primeira vez como responsável por um genuíno blockbuster.
Concebido como uma forma de apresentar a franquia bilionária a uma nova geração de possíveis fãs, Jurassic World acerta ao equilibrar homenagens ao filme original de 1992 com ideias e personagens novos. A grande diferença em relação às tramas anteriores é o simples fato que, desta vez, o parque concebido por John Hammond já está aberto, funcionando há anos, e com um público que não para de crescer. A Ilha Nublar recebe 20 mil visitantes por dia, e está apinhada de resorts, atrações aquáticas, restaurantes e lojinhas de presentes, além, é claro de centenas de dinossauros desfilando e sendo admirados. Gerenciado por Claire (Bryce Dallas Howard), uma executiva ambiciosa e determinada a renovar o interesse pelo lugar, o parque desenvolve uma nova espécie, chamado de Indominus Rex, resultado de uma mistura de DNAs de diversas outras criaturas, cuja composição total é mantida em segredo. Acontece que o bicho tem 15 metros de altura, deixando o T-Rex muito para trás em termos de perigo e astúcia. Não é difícil prever o que vai acontecer, afinal de contas, três outros filmes já mostraram que algo sempre vai dar errado.
Um elemento interessante (e importante) da trama é a presença de Owen (Chris Pratt, cada vez mais astro), um especialista em velociraptores, que desenvolveu técnicas para adestrar os animais. Ele aproveita o fato de serem todos fêmeas para se colocar como seu alfa, impondo-lhes respeito e certa obediência.
Todas as peças consagradas em Jurassic Park estão neste quarto filme: a executiva ambiciosa, o caçador sábio, as crianças perdidas e o militar insano, disposto a transformar os dinossauros em armas de guerra. Em Jurassic World ninguém consegue fugir muito dos estereótipos clichês. É claro que ninguém espera ver, em uma franquia dessas, um filme de arte. A ação explode em cena com a maestria característica das grandes produções de Hollywood. A mistura de animação em CGI com animatrônicos cria um realismo que, se não chega a causar o mesmo impacto do primeiro filme, mantém a sensação de veracidade nas reações dos atores, e em sua interação com os cenários e criaturas.
A trilha sonora, que aproveita os temas compostos por John Williams, é outro ponto forte em Jurassic World. Desta vez sob a batuta de Michael Giacchino (Up – Altas Aventuras), os tons dramáticos e aventurescos têm um equilíbrio perfeito, e mostram quem é, de fato, o herdeiro musical de Williams. Giacchino parece beber da fonte do mestre em cada novo filme, criando temas feitos para assoviar na saída do cinema.
O humor no filme é apresentado na medida certa, gerando risadas no público sem transformar a trama em uma comédia involuntária. O principal alívio cômico é Jake Johnson, que mostra sua verve humorística na série New Girl.
Por todos estes fatores, Jurassic World é diversão assegurada, respeitando a mitologia da franquia e conduzindo-a a uma nova geração.

Todo mundo com mais de 25 anos se lembra do ritual: final de semana era tempo de correr para a locadora, torcendo para que aquele último lançamento ainda não tenha sido alugado! Quando a gente chegava lá, alguém tinha aparecido primeiro e levado sucessos das locadoras como O Advogado do Diabo e Um Sonho de Liberdade.
Tendo um maravilhoso toque de nostalgia, um perfil no Instagram criou capas incríveis para fitas VHS, imaginando como seria ver filmes e séries atuais de sucesso no formato que tomou conta de nossas vidas por mais de 20 anos. Estou falando do Timeless VHS, que usa os recursos atuais para reimaginar filmes como Interestelar e Gravidade, além de séries como Game of Thrones e Breaking Bad. As fitas têm aquela aparência desgastada, com as bordas roídas e um visual retrô admirável.
Confira as imagens:











Não são poucos os filmes que já discutiram o tema da inteligência artificial. De Fritz Lang a Steven Spielberg, inúmeros diretores já se debruçaram sobre o assunto, que tem rendido obras-primas e lixos cinematográficos. Ex Machina (Reino Unido, 2015), felizmente, é um dos filmes memoráveis da lista. Alex Garland, que já roteirizou Dredd (2012), Não Me Abandone Jamais (2010) e Sunshine: Alerta Solar (2007), além de ter escrito o livro que deu origem ao drama tresloucado A Praia (2000), estreia como diretor nesta história singular que questiona o que, afinal de contas, faz de nós humanos. 
Caleb (Domhnall Gleeson, de Questão de Tempo) é programador em uma gigante empresa de tecnologia - uma espécie de Google - que é sorteado para passar uma semana de estágio com Nathan (Oscar Isaac, de Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum), o recluso CEO da companhia, em sua casa misteriosa e isolada nas montanhas. Ele não faz ideia do que fará ali, até que conhece seu empregador e descobre que será parte de um teste inédito. Caleb irá testar uma inteligência artificial desenvolvida secretamente por Nathan; um robô chamado Ava (Alicia Vikander, de O Amante da Rainha). O teste de Turing consiste em determinar se uma inteligência artificial pode ser, de fato, denominada assim. A ideia é observar o comportamento de Ava, conversar com ela e descobrir se ela pode se passar por humana, sem gerar suspeitas. Mas é claro que como se trata de uma releitura da história do monstro de Frankenstein, as coisas podem não ser o que parecem, ou simplesmente tudo pode acabar muito mal. Ou não.
Ex Machina tem seu título retirado da famosa expressão latina "deus ex machina", que significa "deus surgido da máquina", o que já pode suscitar questionamentos sobre quem é "Deus" e quem é criatura nesta história. À medida que conhecemos quais são os objetivos e intenções do gênio multibilionário Nathan, vemos que o próprio conceito do título pode ser distorcido, em prol da história que está sendo contada. Ava, por exemplo, ao saber que Caleb está ali para testá-la, pergunta a ele o que lhe acontecerá se ela for reprovada. O medo de que seu criador a destrua é o que motiva todas as suas ações seguintes, que certamente serão drásticas.
Tudo no filme parece estar em seu devido lugar, pois cada elemento funciona para criar um ambiente claustrofóbico, ainda que visualmente belo: os cenários são limpos e retos, com um ou outro elemento curvo, o que gera uma sensação de modernidade e atemporalidade. Podemos estar em qualquer ponto do tempo, seja agora ou em um futuro próximo. A trilha sonora, de Geoff Barrow e Ben Salisbury, compõe a narrativa e colabora para intensificar toda a tensão contida na angustiante reviravolta na trama.
Tudo isso fica ainda melhor se levarmos em conta as espetaculares atuações do elenco, que vive um tipo de triângulo amoroso "cibernético", em especial Alicia Vikander. A atriz sueca consegue equilibrar momentos de doçura e angústia, coragem e descoberta, a ponto de nos fazer duvidar se ali está uma mulher ou um robô sinistro.
Ex Machina é uma ótima maneira de estrear como diretor, e tem colecionado críticas positivas e conquistado fãs além dos aficionados por sci-fi. Descobrir filmes originais e intensos como este, é ainda mais prazeroso para quem ama cinema.

Ex Machina (2015) on IMDb
Se você é daqueles que ficam enchendo a paciência do (a)  professor (a) de matemática com perguntas do tipo "Pra que serve isso?" ou afirmações como "Eu nunca vou usar isso", assistir a O Jogo da Imitação (The Imitation Game, EUA/Reino Unido, 2014) pode te fazer mudar de opinião. A matemática é a heroína principal do filme. Isso porque os aliados a usaram para ganhar a 2ª Guerra Mundial. É isso mesmo, a maior de todas as guerras não foi vencida nos campos de batalha, mas em um laboratório com meia dúzia de gênios matemáticos, criptólogos e estatísticos que, liderados por Alan Turing (Benedict Cumberbatch), quebraram o código criptografado dos nazistas, chamado de Enigma, que era usado para enviar comunicados às tropas chucrutes.
Turing é um desses heróis desconhecidos que enfrentou tudo e todos em nome de uma visão lógica, uma dessas coisas que acontece muito raramente e que tem a capacidade de mudar o mundo.
O que há de espetacular na vida de Alan Turing também há de triste e melancólico. O protagonista, vivido maravilhosamente por Benedict Cumberbatch, era um homem taciturno e metódico, que enxergava o mundo de uma maneira bem particular, como fazem os gênios. Mas no caso de Turing, o elemento complicador era o fato de que o gênio era homossexual, e foi processado como criminoso, em um tempo quando ser gay era condenável do ponto de vista penal. Forçado a fazer tratamento hormonal, um ano depois o maior herói oculto da 2ª Grande Guerra cometeu suicídio.
O filme, entretanto, coloca o drama de um homem que precisa esconder sua condição lado a lado de uma história que trata de outros segredos, estes de Estado. O Jogo da Imitação é, acima de tudo, um excelente filme de espionagem com zero glamour e muita tensão. Dirigido pelo norueguês Morten Tyldum - que já havia realizado o surpreendente Headhunters em sua terra natal -, um dos grandes filmes de 2014 tem um verdadeiro desfile de talentos britânicos, muitos deles reconhecíveis de séries de sucesso: Charles Dance (o Tywin Lannister de Game of Thrones), Matthew Goode (de The Good Wife) e Allen Leech (de Downton Abbey), além da estrela Keira Knightley (Piratas do Caribe), que vive a melhor amiga de Turing, responsável por trazê-lo à realidade de um mundo no qual ninguém deve viver sozinho.
Disponível no serviço de streaming Netflix, O Jogo da Imitação é classificado como filme "LGBT", o que pode afastar algumas pessoas. Mas há muito mais neste drama tocante do que somente uma temática pertencente a um nicho específico. O Jogo da Imitação é sobre um dos grandes heróis do século XX.

O Jogo da Imitação (2014) on IMDb
Quando o quase desconhecido Mel Gibson vestiu uma jaqueta preta de couro para perseguir a gangue de motoqueiros que matou sua mulher e sua filha no longínquo ano de 1979 no primeiro Mad Max, um pequeno filme australiano (orçado em menos de 700 mil dólares), ele com certeza não imaginava a mitologia que estava ajudando a criar, que ecoaria até 2015, com o lançamento (e o ressurgimento) de Mad Max: A Estrada da Fúria.
Duas sequências e 36 anos separam aquele road movie desta releitura, mas os anos parecem não ter passado no que diz respeito a habilidade do diretor George Miller - responsável por todos os filmes da série - de impressionar o público. A Estrada da Fúria é grandioso, minucioso em detalhes que talvez só sejam percebidos em uma segunda sessão, e visceralmente divertido.
Desta vez, o dono da jaqueta é Tom Hardy (o Bane de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge), que começa o filme sendo capturado por estranhos, que o levam para um lugar chamado de Cidadela. Trata-se de um pequeno reino, mais um em meio ao caos pós-apocalíptico que tomou o mundo depois de um holocausto nuclear, onde as coisas mais valiosas são água e combustível. O imperador deste lugar é Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), uma figura bizarra, que se mantém vivo graças a um suporte ligado a uma máscara, e controla a água, o que significa controlar o lugar inteiro. Depois de comer o pão que o diabo amassou nas mãos de seus captores, Max vê a chance de escapar quando uma das generais de Joe, Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), resolve desertar, levando consigo todas as esposas do rei insano.
A partir daí, George Miller tem diante de si o quadro perfeito, desenhado para criar algumas das sequências mais sensacionais da história do cinema de ação. É isso mesmo, A Estrada da Fúria é movimentado do início ao fim, sendo basicamente um filme de perseguição por um mortal deserto australiano. Ao evocar os filmes de diligência, aqueles western clássicos nos quais um grupo de pessoas precisa chegar a determinado lugar, enfrentando diversos obstáculos e muitas vezes não alcançando seu objetivo. Se os filmes do gênero têm sempre mulheres indefesas sendo protegidas por homens, neste Mad Max as garotas do comboio estão longe de serem inofensivas, e sua protetora é a Imperatriz Furiosa, interpretada por uma Charlize Theron brilhante, que consegue roubar a cena sempre que entra em ação.
Para dizer a verdade, o Max do título serve mais como um degrau para a ascensão fascinante da Furiosa, uma personagem que praticamente carrega o filme inteiro nas costas. Se há um ponto fraco no novo capítulo da série é o próprio personagem-título, que parece mais um coadjuvante; temos aí uma prova de que o carisma de Mel Gibson era responsável por boa parte do sucesso dos primeiros filmes.
Este ponto fraco, entretanto, não é suficiente para diminuir o poder que A Estrada da Fúria possui de surpreender a cada cena. As sequências parecem ter sido moldadas cuidadosamente, tendo uma sincronia que lembra, muitas vezes, um balé grotesco e genial. A interação com o 3D funciona perfeitamente, até melhor que muitos filmes de super-heróis que enchem os cinemas todos os anos.
A volta de George Miller à série que o apresentou ao mundo é, no final das contas, uma jornada de tirar o fôlego. Com tanta maestria envolvida neste filme, e a dizer pelo resultado que pode vir ou não nas bilheterias, é de se esperar que novos capítulos venham. Este, pelo menos, é o nosso desejo.

Mad Max: Estrada da Fúria (2015) on IMDb
Alguns filmes têm um apelo inexplicável. Conquistam-nos por detalhes que não identificamos, ou que nem nos importamos em identificar. Não nos interessa se são filmes importantes para a história do cinema, se tiveram aclamação da crítica ou se ganharam algum prêmio. O que importa é que, para nós, são inesquecíveis.
Com Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, EUA, 1961) é mais ou menos assim, exceto por se tratar de um clássico segundo a crítica, tendo conquistado prêmios e arrebatado multidões em todo o mundo. Mesmo tendo se passado 54 anos desde a estreia, a comédia romântica de Blake Edwards, baseada no romance de Truman Capote, ainda é amada e permanece no imaginário do público, que viu, neste filme, a imagem eternizada de uma frágil Audrey Hepburn. A atriz seria reconhecida por este papel até o fim da vida.
O papel em questão é o de Holly Golightly, uma jovem vinda do interior que mora em Nova York, o lugar onde realizará o sonho simplório de se casar com um homem rico e que seja apaixonado por ela. Mas as coisas não acontecem como ela esperava, e segue se decepcionando com os homens, até conhecer o escritor fracassado Paul Varjak (George Peppard), seu vizinho. Os dois cultivam uma amizade que todo mundo sabe como vai acabar. A história pode parecer comum, e é; todavia, a maneira como somos levados pelo mundo de Holly e conhecemos alguns de seus segredos do passado é um dos fatores que cativa o espectador. Isso, e Audrey Hepburn. Fosse qualquer outra atriz a interpretar Holly, Bonequinha de Luxo talvez não tivesse durado mais do que uma temporada. A estrela parece encarnar todo o encantamento e beleza de uma Hollywood que não existe mais, uma que dá a atrizes os papéis femininos que não têm mais qualquer profundidade ou aceitação de boa parte do público. 
Quem imagina, hoje em dia, um filme cuja heroína é apenas uma garota que quer se casar? Filmes assim ainda existem, mas não passam pela crítica sem serem bombardeados com análises de viés feminista, logo sendo acusados de machismo e de serem antiquados. No caso de Bonequinha de Luxo a vida boêmia de Holly pode ser o que a mantém longe das críticas feministas; a protagonista não faz outra coisa além de festejar e sair com homens ricos, sendo sustentada por eles e até se envolvendo com mafiosos.
Eis o inexplicável sobre este filme. Talvez o segredo esteja, além da presença iluminada de Audrey, na trilha sonora de Henry Mancini. A canção-tema, "Moon River", parece algo transcendental, tamanha a paz trazida por seus acordes e seus arranjos, singelos e tocantes.
Se Bonequinha de Luxo ainda não tocou o seu coração, não demore para se encantar e se emocionar com a sequência final, na qual Holly descobre o que ela realmente deseja. A beleza dessa cena é uma dessas coisas que mantêm viva a magia do cinema.

Veja Audrey Hepburn cantando "Moon River":


Bonequinha de Luxo (1961) on IMDb


Com estreia marcada para 11 de junho, Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros ganhou um novo trailer internacional, que mostra novos detalhes da trama. No elenco estão Chris Pratt (Guardiões da Galáxia), Bryce Dallas Howard (A Vila) e Vincent D'Onofrio (da série Demolidor), entre outros.
A trama se passará na ilha Nublar do filme original, nos dias atuais, onde o Parque dos Dinossauros foi inaugurado, seguindo os planos originais de John Hammond. O parque recebe 10 milhões de visitantes todos os anos e é considerado completamente seguro, até que um megadinossauro geneticamente modificado sai do controle e o bicho vai pegar, literalmente.

A direção é de Colin Trevorrow (Sem Segurança Nenhuma).
Pode ter sido uma surpresa que Uma Aventura Lego, que conta a jornada de Emmet para derrotar o Senhor Negócios não tenha recebido sequer uma indicação ao Oscar deste ano, mas esta não foi a primeira vez que a Academia decepcionou os fãs, deixando um filme de alta qualidade de fora da festa. Nem será a última. Alguns dos filmes favoritos de inúmeras pessoas nunca foram lembrados na maior premiação do cinema mundial.
Você sabia que obras como King Kong (o filme de 1933), Janela Indiscreta e Clube da Luta não ganharam nada? Ou que um clássico do porte de A Felicidade Não se Compra sequer foi indicado? Nesta PopLista estão 15 filmes que fracassaram em impressionar os juízes votantes da Academia, mas não deixaram de maravilhar o público, que somos nós.

Edward Mãos de Tesoura (1990)

O filme: fantasia sombria de Tim Burton. Edward Mãos de Tesoura (Johnny Depp) escapa de seu castelo isolado e tenta se adaptar à vida na sociedade dos anos 1960.
Pelo menos foi indicado? Stan Winston recebeu uma indicação para Melhor Maquiagem, mas todos os outros da equipe ficaram de mãos abanando.
O que deveria ter ganhado: Melhor Maquiagem, com toda a certeza (maldito seja, Dick Tracy), e Depp teria sido uma escolha muito mais interessante do que Jeremy Irons (que ganhou como Melhor Ator por O Reverso da Fortuna, alguém se lembra? Pois é)

Psicose (1960)

O filme: Norman Bates vai ao limite neste clássico chocante, que abraça tudo, desde cross-dressing até assassinato a sangue frio.
Pelo menos foi indicado? Outra indicação a Melhor Direção para Alfred Hitchcock que ele não levou, enquanto Janet Leigh obteve uma negativa para Melhor Atriz Coadjuvante.
O que deveria ter ganhado: Leigh definitivamente merecia o ouro - ela transformou o que seria uma ladra de quinta em uma heroína errônea que não conseguimos evitar de torcer a seu favor.

Cidade de Deus (2002)

O filme: uma visão brutal e destemida da vida no Rio de Janeiro, onde dois garotos crescem para viver vidas diferentes. Um se torna jornalista, o outro traficante.
Pelo menos foi indicado? Não faltaram indicações para Cidade de Deus. O filme obteve quatro para Melhor Fotografia, Diretor, Roteiro e Edição. Foi para casa sem nada.
O que deveria ter ganhado: Melhor Diretor, facilmente.

Clube da Luta (1999)

O filme: o Narrador (Edward Norton) tem sua vida virada de cabeça para baixo por Tyler Durden (Brad Pitt), o fundador de um clube da luta clandestino.
Pelo menos foi indicado? Só uma indicação para Melhores Efeitos Especiais, que é meio que um chute nos dentes, considerando a quantidade de talentos envolvidos aqui.
O que deveria ter ganhado: Melhor Fotografia (é inegável que as imagens são de cair o queixo) ou Melhor Atriz Coadjuvante para Helena Bonham Carter.

Um Sonho de Liberdade (1994)

O filme: Adaptado da novela de Stephen King, conta a história do banqueiro Andy Dufresne (Tim Robbins), inocente aprisionado que tenta escapar da cadeia.
Pelo menos foi indicado? Apesar de fracassar nas bilheterias, o filme foi indicado para sete Oscars, incluindo Melhor Fotografia, Melhor Filme e Melhor Som.
O que deveria ter ganhado: Melhor Filme ou Roteiro Adaptado, mas nós achamos que Morgan Freeman era uma boa aposta para Melhor Ator, também.

King Kong (1933)

O filme: clássico e romântico filme de monstro, no qual a fera do título, naturalmente, rouba o show. E Ann Darrow.
Pelo menos foi indicado? Não. Filmes de monstro não eram exatamente levados a sério na época, não importa o quão marcantes eram. Ou o quanto fizessem você chorar.
O que deveria ter ganhado: Melhor Filme, com certeza. Alguém aí se lembra de Cavalcade, o filme que levou o Oscar naquele ano?

Janela Indiscreta (1954)

O filme: o fotógrafo Jeff (James Stewart) bisbilhota seus vizinhos durante seu período de recuperação com uma perna quebrada. Será que ele testemunhou um assassinato?
Pelo menos foi indicado? Hitchcock foi indicado para um Oscar seis vezes durante sua carreira, mas nunca levou o prêmio de Melhor Direção. Janela Indiscreta o deixou bem perto de ganhar, com uma indicação na categoria. Já é alguma coisa.
O que deveria ter ganhado: Melhor Direção, obviamente, embora Melhor Som também seria interessante - a aura sonora presente na paisagem do filme é fantástica.

A Felicidade Não Se Compra (1946)

O filme: o empresário deprimido vivido por James Stewart tenta o suicídio, para descobrir que vida teriam as pessoas que ele ama se não estivesse mais entre eles.
Pelo menos foi indicado? Cinco indicações (incluindo Melhor Filme e Direção), mas nenhum prêmio.
O que deveria ter ganhado: a atuação descontrolada de Stewart definitivamente deveria ter lhe valido o prêmio de Melhor Ator.

A Cor Púrpura (1985)

O filme: adaptado do romance de Alice Walker, o filme conta a história de Cecile (Whoopi Goldberg), uma jovem negra lutando contra o preconceito nos anos 1900.
Pelo menos foi indicado? 11 vezes, e não conseguiu nada, nadinha. E concorreu com Entre Dois Amores e, bem, Cocoon.
O que deveria ter ganhado: Whoopi Goldberg merecia aquele Oscar, então é uma vergonha que tenha perdido para Geraldine Page (por O Regresso para Bountiful). O figurino também merecia um agrado.

O Estranho Mundo de Jack (1993)

O filme: calafrios festivos do diretor Henry Selick, que apresenta uma história alternativa de Natal, na qual Halloweentown não compreende a época das festas.
Pelo menos foi indicado? Recebeu uma indicação para Melhores Efeitos Visuais, mas nada além disso. Talvez tenha sido ignorado por ser um pouco estranho (e sombrio) demais para a Academia.
O que deveria ter ganhado: "What's this?" poderia facilmente ter arrebatado o prêmio de Melhor Canção, enquanto Selick (que depois faria Coraline) sem dúvida merecia Melhor Direção, no mínimo por causa do trabalho exaustivo de criar tamanha maravilha em stop-motion.

O Profissional (1994)

O filme: a órfã Mathilda (Natalie Portman) é abrigada pelo assassino do título (Jean Reno), quando sua família é morta pelo policial maníaco de Gary Oldman.
Pelo menos foi indicado? Estranhamente, o filme de Luc Besson não recebeu uma única indicação. A gente não consegue em nada que poderia ter ofendido a Academia...
O que deveria ter ganhado: Melhor Ator para Oldman. É sério. Por que ele não ganharia?

Amnésia (2000)

O filme: Guy Pearce sofre de perda de memória de curto prazo, o que não o impedirá de caçar o homem que matou sua esposa.
Pelo menos foi indicado? Recebeu só duas indicações para Melhor Filme, Edição e Roteiro. Não exatamente uma consagração.
O que deveria ter ganhado: Melhor Edição, sem sombra de dúvida. Com sua narrativa não-linear, o filme ainda consegue contar a história a ponto de, quando os créditos finais sobem, você não se sente confuso, e sim em êxtase.

Ensina-me a Viver (1971)

O filme: o adolescente Harold (Bud Cort) faz amizade com a idosa Maude (Ruth Gordon) neste drama romântico nada convencional, que mostra como eles se tornam mais do que apenas amigos.
Pelo menos foi indicado? Não. Nada. Zero. O que é estranho, porque ele traz temas semelhantes a Amor, que recentemente obteve uma atenção magistral da Academia. Ter sido produzido décadas atrás deve ter feito a diferença, afinal de contas.
O que deveria ter ganhado: Ruth Gordon foi assaltada! Ele merecia o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação perturbadoramente charmosa.

Conta Comigo (1986)

O filme: quatro amigos saem em uma missão para encontrar o corpo de um garoto desaparecido.
Pelo menos foi indicado? Raynold Gideon e Bruce A. Evans receberam uma indicação pelo roteiro (adaptado de um conto de Stephen King), mas nenhum outro membro da equipe foi lembrado.
O que deveria ter ganhado: Melhor Roteiro Adaptado, obviamente, embora o fato de que nenhum dos jovens e talentosos astros tenha sido sequer lembrado seja uma vergonha. River Phoenix em particular poderia facilmente ter recebido o prêmio.

Luzes da Cidade (1931)

O filme: um filme mudo que merecia todos os prêmios, mesmo sendo lançado em um tempo em que o cinema falado estava explodindo, esta linda comédia segue Carlitos (Charlie Chaplin) enquanto ele se apaixona por uma florista cega.
Pelo menos foi indicado? Não. Como Hitchcock, Chaplin nunca chegou nem perto da Academia.
O que deveria ter ganhado: Melhor Filme. Cimarron (oi?) levou naquele ano, o que faz com que a gente tenha a certeza que alguns membros da Academia estão se revirando no túmulo, de vergonha. Felizmente, a obra de Chaplin resistiu ao tempo. Quem precisa de Oscar, afinal de contas?



Por Chris Taylor, do mashable.com

Alerta: este post contém spoilers a respeito da série até o episódio 2 da 5ª temporada de Game of Thrones, bem como dos livros.

Um homem não deve ler os livros; um homem deve ver 'Game of Thrones'
Por anos, nós leitores das Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin fomos superiores aos espectadores da série Game of Thrones, da HBO. O programa é baseado nos livros, o que permitia que nós soubéssemos o que estava por vir na série.
Mal podíamos esperar para ver a reação das pessoas à execução surpresa de Ned Stark, à batalha da Água Negra, ao Casamento Vermelho, ao envenenamento de Joffrey ou à derrota de olhos abertos da Víbora Vermelha. Em nossa antecipação elevada, podemos até mesmo ter deixado escapar um ou dois spoilers aqui e ali. Foi mal.
Mas fãs somente da série da TV, vocês agora são senhores sobre nós, leitores dos livros. Por quê? Porque na 5ª temporada, no episódio 2, os roteiristas tomaram diversas decisões que colocam o programa em uma trilha radicalmente diferente pela primeira vez - uma que habilmente evita os enormes problemas narrativos inerentes nos dois últimos livros.
Até agora, um personagem morreu na série ao invés de ser salvo e enviado em uma missão improvável; outra descobriu o propósito de sua jornada, ao invés de vagar sem razão; outro foi eleito para um novo papel de um modo muito mais verossímil.
Dois favoritos dos fãs partiram em uma missão até Dorne juntos, um uso muito melhor do tempo deles do que o nada em que eles se encontram nos livros, enquanto um rosto familiar retorna no momento exato, no lugar de nunca ser visto novamente.
Resumindo, os espectadores da série ganharam, porque eles não têm que caminhar pesadamente por três mil páginas que contêm, na verdade, histórias sem importância. A versão que os espectadores têm de Westeros tem um elenco muito mais condensado e envolvente. É a versão que me agrada muito mais.
Não é que a série esteja adiante dos livros - pelo menos, ainda não. É que sua narrativa parece realmente funcionar.
Em 1996, Martin publicou o primeiro livro, A Guerra dos Tronos, o primeiro do que deveria ser uma trilogia, que foi aclamado pela crítica. Em 1998 veio o segundo volume, A fúria dos reis, e eis que era ainda melhor. O ano 2000 viu o terceiro livro, A tormenta de espadas, que foi talvez um dos tomos mais densos e surpreendentemente consistentes que já li em qualquer gênero. A HBO precisou de duas temporadas da série para fazer justiça a este livro.
E depois? Martin distorceu suas palavras e seus personagens viraram de cabeça para baixo. Ele se sentou em sua casa no Novo México, digitando página por página, introduzindo um personagem novo atrás do outro em seu mundo de Westeros, mas não avançando de fato em nenhum de seus arcos - e certamente não no seu ritmo anterior. O festim dos corvos saiu em 2005, e só continha metade dos personagens com os quais estávamos familiarizados. Nada de Daenerys. Nem Jaime Lannister. Não soubemos nada sobre Jon Snow.
Na introdução de O festim dos corvos, Martin admitiu que a segunda metade de sua narrativa saíra de seu controle, e seria lançada no ano seguinte sob o título A dança dos dragões. Na verdade, o livro só seria lançado cinco anos depois.
Quando chegou, Dragões estava cheio de muitos dos mesmos problemas de Corvos - personagens novos demais, pouca continuidade. Nas palavras de um crítico da Amazon, "esta 'canção' está se tornando uma improvisação sem fim".
Fomos apresentados a uma longa lista de nomes em Dorne, nas Ilhas de Ferro, na Cidadela, na estrada para Meereen, e um monte de outros lugares, sem que houvesse razão para nos importarmos com eles. Martin assimilou a lição errada do sucesso dos primeiros três livros: que nós teríamos interesse em qualquer pessoa que tivesse alguma coisa a ver com qualquer lugar de Westeros.
Errado. Temos interesse em tudo que tenha a ver com os personagens que aprendemos a amar, ou a odiar. Queremos saber se eles vivem ou morrem; queremos saber quem vai ganhar o jogo dos tronos e sobreviver ao inverno que está chegando.
Os produtores, David Benioff e Dan Weiss, têm sido bem menos auto-indulgentes. (E por uma boa razão - se um livro só é comprado um milhão de vezes, ainda é um enorme sucesso para os editores. Mas se uma série perde um milhão de espectadores, é um desastre.)
Benioff e Weiss já fizeram abordagens diferentes dos livros antes. Eles já combinaram personagens e encurtaram histórias; já fizeram mudanças inspiradas, como fazer de Arya Stark a copeira de Tywin Lannister, ao invés de Roose Bolton, na 2ª temporada. Mas no geral, vinham se detendo na trama maior de Martin.
Não mais. Agora, ao invés de ter um falso Mance Rayder queimado enquanto um verdadeiro de repente concorda em se tornar um espião em Winterfell, eles simplesmente queimaram Mance Rayder. Sua morte agora importa.
Ao invés de fazer com que Brienne de Tarth vagueie por Westeros por centenas de páginas, ela encontrou sua missão - Arya Stark e Sansa Stark - e foi rejeitada por ambas. Sua busca contínua por Sansa se torna muito mais dura.
Quando apresenta o reino de Dorne, o programa nos dá uma personagem familiar para nos agarrar: Ellaria Sand, ainda enlutada pela morte cruel de seu amante Príncipe Oberyn na última temporada. Nos livros, suas falas foram ditas por uma das filhas de Oberyn, alguém que nós mal conhecemos e por quem, na verdade, nós não estamos nem aí.
Nos livros, Jaime Lannister passa capítulos intermináveis sitiando castelos. Os produtores, corretamente, raciocinaram que seria melhor uni-lo a Bronn, que nos livros entra em uma série inconsequente de travessuras em seu novo castelo, e os envia para salvar Myrcella das garras de Dorne.
Também temos o amigo troca-rosto de Arya Stark, Jacquen H'ghar, que aparece em Braavos em uma revelação maravilhosamente recompensadora no final do episódio 2. No livro, ele meio que possivelmente talvez aparece em um lugar diferente em um momento diferente.
Resumindo, aonde quer que Martin pareça estar saindo dos trilhos para manter as cordas desamarradas, apresentar novas cordas entediantes e frustrar o leitor, Benioff e Weiss estão fazendo o contrário - costurando cordas e deleitando o espectador.
"Deleitando", é claro, é um termo relativo em um arenoso mundo medieval cheio de desespero e derramamento de sangue. Mas há certas regras nas narrativas que têm sido firmadas por séculos, tanto na tragédia como na comédia. Ao fazer jus a tais regras, mesmo com o próprio George R.R. Martin pairando como produtor executivo, o time da HBO parece estar mais pronto para nos levar pela jornada.
Em 2012, quando Os Vingadores chegaram aos cinemas, a expectativa era ver como os heróis da Marvel se sairiam juntos em um único filme. Sob a batuta de Joss Whedon, o filme não só funcionou incrivelmente bem como se tornou quase uma unanimidade de crítica e público, arrecadando uma montanha de dinheiro para a Casa das Ideias. Ali se encerrava a primeira fase da construção de um universo cinematográfico semelhante ao que a Marvel tem nos quadrinhos, e o que estava por vir prometia ser ainda melhor e maior.
Três anos depois, a Marvel é uma potência em Hollywood, o público conhece cada super-herói como se fosse seu melhor amigo, lotando as salas de cinema a cada novo filme, não importa se a produção tem qualidade (Capitão América 2: O Soldado Invernal) ou não (Homem de Ferro 3). Longe de ser uma novidade, o estúdio lança Vingadores: Era de Ultron, com a responsabilidade de superar a arrecadação do primeiro filme e estabelecer bases para os futuros filmes do estúdio, que apresentarão personagens desconhecidos do grande público.
O resultado final da superprodução é positivo, felizmente. Novamente dirigido e escrito por Joss Whedon, Vingadores: Era de Ultron tem todos os elementos que fizeram da Marvel um sucesso também no cinema, além de pavimentar o caminho para tudo o que vem por aí.
Ultron, o vilão que dá nome ao filme, é um ser de inteligência artificial, criado por Tony Stark para colaborar na missão de paz da super-equipe. As coisas não dão muito certo (não dão NADA certo) e o androide acaba adquirindo um ódio descomunal da humanidade, o que o leva a querer exterminá-la. A partir desta premissa, Joss Whedon cria seu roteiro, uma história sobre criatura e criador e os limites do que o homem pode inventar.
Como uma boa história de super-equipes nas HQs, Era de Ultron dá espaço para cada super-herói ter seu próprio momento, sem que se perca o fio da meada. Em nenhum momento os personagens parecem deslocados ou forçados na trama.
Outro elemento que marca o universo Marvel nos cinemas é o humor, e isso o filme tem de sobra. Até mesmo Ultron se mostra um piadista - quase uma versão grotesca de seu criador, Tony Stark. Por falar em Ultron, o vilão é uma das melhores coisas aqui; a atuação de James Spader (da série The Blacklist) é fenomenal, conseguindo equilibrar todas as nuances de uma criatura perturbada, buscando seu lugar no mundo - que nesse caso é a própria destruição do mundo.
Entre os novos personagens que surgem em cena, Mercúrio (Aaron-Taylor Johnson, de Kick-Ass) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen, de Godzilla) são interessantes e têm seu lugar bem estabelecido no roteiro, embora seja esta última a que mais cativa o público.
No mais, Vingadores: Era de Ultron marca mais um ponto a favor da Marvel: é divertido, engraçado, tem cenas de ação muito maiores que o primeiro filme - algumas delas são momentos memoráveis, como a luta entre o Homem de Ferro (vestindo a armadura Caça-Hulk) e o Gigante Esmeralda, o Hulk em pessoa. Há ainda relances sobre o passado da Viúva Negra (Scarlett Johansson) e do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), algo muito bem-vindo para que o público tenha uma perspectiva melhor sobre os heróis.
Se Era de Ultron é um indicativo de alguma coisa para o futuro da Marvel no cinema, a expectativa não poderia ser maior. E a pressão também.

Vingadores: Era de Ultron (2015) on IMDb