Clássicos Inesquecíveis #1: Bonequinha de Luxo (1961)

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Alguns filmes têm um apelo inexplicável. Conquistam-nos por detalhes que não identificamos, ou que nem nos importamos em identificar. Não nos interessa se são filmes importantes para a história do cinema, se tiveram aclamação da crítica ou se ganharam algum prêmio. O que importa é que, para nós, são inesquecíveis.
Com Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, EUA, 1961) é mais ou menos assim, exceto por se tratar de um clássico segundo a crítica, tendo conquistado prêmios e arrebatado multidões em todo o mundo. Mesmo tendo se passado 54 anos desde a estreia, a comédia romântica de Blake Edwards, baseada no romance de Truman Capote, ainda é amada e permanece no imaginário do público, que viu, neste filme, a imagem eternizada de uma frágil Audrey Hepburn. A atriz seria reconhecida por este papel até o fim da vida.
O papel em questão é o de Holly Golightly, uma jovem vinda do interior que mora em Nova York, o lugar onde realizará o sonho simplório de se casar com um homem rico e que seja apaixonado por ela. Mas as coisas não acontecem como ela esperava, e segue se decepcionando com os homens, até conhecer o escritor fracassado Paul Varjak (George Peppard), seu vizinho. Os dois cultivam uma amizade que todo mundo sabe como vai acabar. A história pode parecer comum, e é; todavia, a maneira como somos levados pelo mundo de Holly e conhecemos alguns de seus segredos do passado é um dos fatores que cativa o espectador. Isso, e Audrey Hepburn. Fosse qualquer outra atriz a interpretar Holly, Bonequinha de Luxo talvez não tivesse durado mais do que uma temporada. A estrela parece encarnar todo o encantamento e beleza de uma Hollywood que não existe mais, uma que dá a atrizes os papéis femininos que não têm mais qualquer profundidade ou aceitação de boa parte do público. 
Quem imagina, hoje em dia, um filme cuja heroína é apenas uma garota que quer se casar? Filmes assim ainda existem, mas não passam pela crítica sem serem bombardeados com análises de viés feminista, logo sendo acusados de machismo e de serem antiquados. No caso de Bonequinha de Luxo a vida boêmia de Holly pode ser o que a mantém longe das críticas feministas; a protagonista não faz outra coisa além de festejar e sair com homens ricos, sendo sustentada por eles e até se envolvendo com mafiosos.
Eis o inexplicável sobre este filme. Talvez o segredo esteja, além da presença iluminada de Audrey, na trilha sonora de Henry Mancini. A canção-tema, "Moon River", parece algo transcendental, tamanha a paz trazida por seus acordes e seus arranjos, singelos e tocantes.
Se Bonequinha de Luxo ainda não tocou o seu coração, não demore para se encantar e se emocionar com a sequência final, na qual Holly descobre o que ela realmente deseja. A beleza dessa cena é uma dessas coisas que mantêm viva a magia do cinema.

Veja Audrey Hepburn cantando "Moon River":


Bonequinha de Luxo (1961) on IMDb