Depois de muita ansiedade e expectativa, finalmente a Marvel liberou o 1º trailer de Capitão América: Guerra Civil, filme que vai colocar os principais personagens do Universo Cinematográfico Marvel uns contra os outros. Assista:




Dirigido pelos mesmos caras que fizeram O Soldado Invernal, Joe e Anthony Russo, Guerra Civil tem praticamente o mesmo elenco de Vingadores: A Era de Ultron, menos o Hulk. Além desses, há ainda aparições de Pantera Negra (Chadwick Boseman), Homem-Aranha (Tom Holland), Sharon Carter (Emily Van Camp), Ossos Cruzados (Frank Grillo), Barão Zemo (Daniel Brühl), e do General Thaddeus "Thunderbolt" Ross (William Hurt).

A guerra tem início em 2016.

Se há um único fator que faz da franquia Jogos Vorazes uma parte importante da história do cinema, é o fato de ser uma série inicialmente feita para o público adolescente, mas que soube dialogar com todo tipo de gente, de todas as idades, sem subestimar a capacidade de raciocínio de ninguém. Ainda que Em Chamas, a segunda parte da trama seja superior a todos os outros filmes da saga, A Esperança - O Final (The Hunger Games: Mockinjay - Part 2, EUA, 2015) soube encerrar a história com competência e vigor, mesmo com a derrapada otimista dos últimos minutos.
A saga de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é dolorosa, sofrida e hesitante. A heroína relutante que protagoniza a série tem menos heroísmo e muito mais sentimento de culpa, o que a coloca como uma personagem diferente de outras heroínas e heróis que o cinema tem visto nos últimos 20 anos, com o surgimento do gênero "super-herói" e o retorno do subgênero oitentista "exército de um homem só". É reconfortante ver uma heroína que, meio por acidente, se torna um ícone para uma multidão de pessoas escravizadas por uma ditadura cruel e sanguinária.
Também é alentador observar uma mulher protagonista que não está nem aí para seus interesses amorosos, a ponto de trocar de parceiro a cada novo fotograma. Não, Katniss não é uma mocinha nos moldes dos antigos filmes de aventura e de ficção científica. Ela é forte e corajosa, sente culpa ao ver gente morrendo por acreditar nela e no que ela representa. É um ser humano de verdade, mesmo com aquelas habilidades com o arco no nível "Arqueiro-Verde-Encontra-Gavião-Arqueiro".
O Final é um filme melhor que sua Parte 1, mas ainda peca em algumas situações bastante prosaicas, aparentemente colocadas na edição final para agradar as fãs adolescentes carentes de romances desde o fim da franquia água-com-açúcar Crepúsculo: estou falando da cena patética em que Gale (Liam Hemsworth) e Peeta (Josh Hutcherson) conversam sobre quem deve ficar com a garota, não sem que Katniss ouça tudo. Mesmo em meio à guerra e à tensão presente em toda parte, os rapazes encontram espaço para debater assuntos do coração? Desnecessário e ridículo.
Ainda bem que o restante do filme mantém o clima de arena presente nos dois primeiros filmes. Embora desta vez não haja um jogo propriamente dito, os obstáculos criados pelos idealizadores para servirem como armadilha para os rebeldes na invasão da Capital são muito convincentes e até assustadores. Os bestantes, seres humanos desfigurados e desprovidos da luz do sol por anos a fio que se assemelham a monstros enlouquecidos, enviados para impedir o avanço do grupo de Katniss, são pavorosos (no bom sentido) e proporcionam as melhores sequências do filme.
Também o clímax, em que Katniss caminha para executar o Presidente Snow, é sombria e determinante para a colocação da personagem no panteão dos grandes heróis do cinema.
O saldo final, então, é positivo. Há perdas terríveis, vitórias em batalha que mais parecem derrotas, mas assim é a guerra. E Jogos Vorazes: A Esperança - O Final é assim: um bom exemplo de como se faz uma verdadeira ficção científica distópica no século 21.
Doloroso. Um soco no estômago. Assim está sendo descrito 'Beasts of No Nation', o primeiro filme original do Netflix, que foi lançado simultaneamente nos cinemas americanos e globalmente no serviço de streaming. 

Se a descrição parece exagerada, isso só se justifica para quem não viu ao filme, um drama de guerra dirigido por Cary Joji Fukunaga (Jane Eyre, True Detective 1ª Temp.), que explora a triste realidade dos meninos-soldados recrutados para servir a grupos paramilitares em diversos países africanos. Tais meninos passam por um processo de lavagem cerebral e se tornam verdadeiros carniceiros, sedentos por sangue e vingança contra qualquer ser vivo que não faça parte de seu grupo. Agu (o estreante Abraham Attah), é um desses meninos. Diante da trágica perda de sua família - seu pai e irmão mais velho foram assassinados e sua mãe e irmãzinha estão desaparecidas - Agu vaga pela selva de um país africano até ser acolhido por um líder paramilitar carismático e misterioso (Idris Elba, em atuação assustadora), que utiliza técnicas de persuasão com cunho esotérico e sobrenatural para convencer seus soldados (muitos deles meninos) de que o inimigo pode ser qualquer um. Com o tempo, Agu passa a ser um assassino impiedoso, obcecado em encontrar a mãe perdida e, talvez, ter de volta sua infância interrompida.

O diretor Cary Fukunaga não poupa a plateia de cenas extremamente chocantes e repletas de uma violência gráfica que talvez não existiria se o filme fosse distribuído por algum grande estúdio de Hollywood. Mas a violência não é gratuita, em nenhum momento. Trata-se de algo necessário para estabelecer o clima de desolação e perda em que vivem os meninos-soldados, bem como seu carismático líder. Quando chega ao fim, 'Beasts of No Nation' não só é capaz de provocar lágrimas amargas, mas também pode suscitar uma reflexão profunda sobre essas crianças que foram impedidas de viverem sua infância como deveriam: com amor, alegria e esperança.

Triste, doloroso, mas necessário.