Se só uma palavra fosse necessária para descrever Star Wars: O Despertar da Força, esta seria ÉPICO. Quando vemos os créditos finais do filme mais esperado e comentado do ano, qualquer temor de que a aventura fosse ruim já ficou para trás há bastante tempo. No meu caso, este temor se dissipou logo nos primeiros minutos, quando ficamos sabendo qual é o centro da trama deste episódio VII: a busca por Luke Skywalker, desaparecido há vários anos.
Logo que a Disney anunciou a compra de todo o espólio de Star Wars - por 4 bilhões de dólares - os fãs ficaram enlouquecidos com a notícia de que uma nova trilogia seria produzida, que esta se passaria anos após o episódio VI e não teria o envolvimento de George Lucas. Se houve temor de que a coisa toda acabasse em um fracasso retumbante, isso se devia ao fato de que foi justamente a trilogia-prelúdio de Lucas - especialmente o episódio I - que quase arruinou com toda a magia e afeto pelos filmes clássicos, desenvolvidos pelos fãs durante anos de paixão absoluta. Aquela trilogia que contava a origem de Darth Vader, felizmente, sequer é mencionada no episódio VII. Méritos de J.J. Abrams (diretor e roteirista), Lawrence Kasdan e Michael Arndt (roteiristas), que tinham plena consciência da importância da trilogia clássica na construção de tamanha devoção em torno da franquia. Sabendo da necessidade de agradar fãs antigos e atrair novos admiradores para a saga, os roteiristas conseguiram dosar pequenos presentes que só quem conhece os episódios anteriores entenderá, com elementos novos, personagens originais e uma história que segue padrões consagrados nas maiores odisseias da cultura universal, que tornam possível para qualquer pessoa compreender e apreciar a qualidade do filme e, definitivamente, se divertir muito.
Os protagonistas são Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega), ela uma catadora de sucata, ele um ex-stormtrooper em fuga, que acabam se encontrando em circunstâncias que os levarão ao fogo cruzado entre a Primeira Ordem, representada pela figura maligna de Kylo Ren (Adam Driver) e pelo General Hux (Domhnall Gleeson), e a Resistência, sob o comando da General Leia Organa (Carrie Fisher), que 30 anos depois da Batalha de Endor em O Retorno de Jedi, tem uma história de amor interrompida com Han Solo (Harrison Ford). Em posse de informações importantes que podem mudar o rumo da galáxia, os dois novos heróis irão descobrir que seus destinos podem ser muito maiores do que eles pensavam.

Star Wars trata da jornada do herói, um tema recorrente na cultura de quase todos os povos e sociedades. Não poderia ser diferente nesta retomada da série. E é justamente essa jornada que fascina e transmite honestidade e paixão para o público. Tal paixão pode ser percebida na escolha de Abrams de utilizar efeitos práticos na maior parte das cenas. Quase tudo o que se vê na tela está realmente lá: cenários, robôs, personagens alienígenas, tudo palpável, concreto, verdadeiro. O trabalho com os efeitos sonoros também é notável: quando os sabres de luz tocam a neve, ou quando Chewbacca instala uma bomba em uma instalação inimiga, os sons que se ouve são um toque a mais na construção de um filme que remete às melhores aventuras que o cinema nos proporcionou - um filme que é puro cinema.
E, por falar em Chewbacca, os personagens clássicos são parte importante da trama, no que é quase uma cerimônia de troca de guarda: os antigos passam o bastão aos novos. Talvez por causa disso é que Star Wars: O Despertar da Força seja tão emocionante para os fãs antigos. Talvez, também, seja este o motivo que faz do filme uma ponte que segue unindo gerações de apaixonados pela maior saga que o cinema já nos deu.
Agora, não tem volta. Star Wars volta a assumir seu papel de filme de verão: honesto, divertido, brilhante, aventuresco, engraçado e muito emocionante. Os outros filmes que corram para chegar perto da criação máxima de George Lucas.

Star Wars: O Despertar da Força (2015) on IMDb
Um dos maiores filmes dos anos 1980, Paris, Texas (1984, Alemanha/França/Reino Unido/EUA) é um verdadeiro tesouro cinematográfico. Com esta obra e Asas do Desejo, o cineasta Wim Wenders registrou seu nome entre os grandes diretores de todos os tempos, ao lado de Ingmar Bergman, Federico Fellini, Charles Chaplin e Francis Ford Coppola, entre outros. Com um início intrigante e um final tocante sem jamais ser piegas, Paris, Texas deixa marcas em todos os que sabem apreciar bom cinema.
Quem é aquele homem magro e pálido caminhando em pleno deserto Mojave, nas conhecidas planícies do Texas? Sem memória e sem falar nada, ficamos sabendo que o homem é Travis (Harry Dean Stanton), alguém que já teve família, com esposa e filho, mas agora vaga sozinho e silencioso pelos lugares mais isolados do país. A figura misteriosa e de passado nebuloso acaba sendo encontrado por seu irmão, Walt (Dean Stockwell), que juntamente com a esposa Anne (Aurore Clément) assumiu a tarefa de criar seu filho, Hunter (Hunter Carson). Os dois têm feito isso há 4 anos, desde que ambos os pais do menino simplesmente desapareceram, após circunstâncias só explicadas ao final do filme. Agora, depois de reunido com o filho, Travis precisa reaprender a conviver com sua família e ainda fazer as pazes com seu passado, algo que só acontecerá quando ele reencontrar sua esposa, Jane (a exuberante Nastassja Kinski). A cena em que Travis relata sua jornada recém-lembrada à esposa é um daqueles momentos sublimes do cinema moderno: antológica e carregada de significado. Brilhante.
Paris, Texas é um filme de reencontros e despedidas. Wim Wenders, em perfeita sintonia com o roteiro de Sam Shepard (Bloodline), tem a habilidade de criar uma obra que exala emoções genuínas, sem agredir a tela com atuações exageradas e fora de tom. Aliás, o filme está longe de ser exagerado. O ritmo é lento e tranquilo, o que ajuda na criação do clima de reaproximação com a vida, vivido por Travis. A trilha sonora, composta por Ry Cooder é perfeita neste sentido: climático e provocativo, o som da slide guitar do compositor forma a última peça do quebra-cabeça de um filme perfeito.